|
Não vou nem comentar os 3 a 0 da Seleção contra Zimbábue do açougueiro Mugabe. Na verdade, não foi nem jogo, foi treino. O assunto desta última semana que chamou a atenção foi a bola da Copa. Esse objeto que é a razão do futebol virou a megera indomável dos jogadores das seleções. A grande maioria reclamou da "esfera", como dizem os portugueses. Luiz Zanin lembra com propriedade que os boleiros do passado usavam camisas de algodão que pesavam toneladas quando ficavam encharcadas e que as bolas tinham peso de balas de canhão que punham em risco barreiras e goleiros e mesmo assim eles davam conta do recado. E o que dizer dos boleiros atuais? Salários estratosféricos, alimentação de primeira, assistência médica de ponta, hotéis de luxo, chuteiras levíssimas, uniforme leve como uma pena, gramado de mesa de sinuca e, no entanto, eles reclamam da bola. Há que se resumir isso em uma única palavra: frescura.
Não sei se o leitor já prestou atenção quando a televisão - ao reprisar alguns capítulos da história do nosso futebol - mostra Canhoteiro, Zizinho, Pelé, Edu, Sócrates, Zico, Rivelino, Falcão e tantos outros craques fazendo gols de placa em campos carecas. E não me lembro, com meus 62 anos e 37 de profissão, que eles se queixavam que a bola era leve, oval ou quadrada e que o gramado era tosco. O que sei é que eles driblavam e faziam gols tendo como aprendizado na infância os campinhos de várzea que hoje não existem mais. Júlio Baptista reclamou da bola? Ora bolas, ela é quem deveria reclamar dele.
A Copa começa sexta-feira (11), com o jogo África do Sul x México, e o brasileiro ainda não entrou no clima. Talvez isso ainda mude no momento em que a Seleção Brasileira pisar no gramado para o seu jogo de estreia, dia 15, contra a Coreia do Norte. Ou talvez isso seja o primeiro sinal de amadurecimento coletivo. Haverá torcida para a equipe de Dunga, lógico, mas não com aquele fervor de antigamente. Se o Brasil conquistar o hexacampeonato, ótimo, mas se voltar para casa mais cedo não fará nenhuma diferença. O País seguirá trabalhando e crescendo. Felizmente, o futebol há muito deixou de ser modelo e referência do Brasil para o mundo. Quem acompanha o noticiário sobre os avanços do País entenderá o que quero dizer. Por enquanto então ficamos assim: o passionalismo e exaltação em relação à Seleção Brasileira ficam por conta da mídia. Esta sim sorri e torce, pois triplica o faturamento com exaustivos comerciais mostrando a associação absurda de consumo de álcool com o esporte. Mas como dinheiro não atura desaforo, o que fazer?
A propósito: vai uma cervejinha aí?
Ambiente não é mais o mesmo
Desde que Dorival Júnior - com o aval do gerente Jamelli e da diretoria - decidiu punir Ganso, Neymar, André e Madson por terem chegado à concentração depois da hora, o futebol do Santos parece que perdeu o encanto. Ainda que haja desmentidos de parte a parte, com argumentos frágeis, tipo cansaço e estresse, o fato é que alguma coisa está errada. Aquele incidente que afastou o quarteto contra o Atlético-GO azedou a relação entre o treinador e o elenco. Puni-los com multa nos seus vencimentos seria suficiente, pois, com exceção de Madson, eles eram primários. Mas decidiram ir além e não os relacionaram para o jogo em Goiânia. Com isso cometeram uma grande injustiça. De lá para cá eles deixaram de jogar com alegria e o time começou a perder pontos. Sem contar que essa depressão também pode estar relacionada com a ausência de Robinho.
Pode até acontecer que tudo se altere para melhor no jogo contra o Vasco, neste domingo (6), na Vila Belmiro. Afinal, é preciso manter as aparências diante da torcida. Ela espera que tudo seja diferente do que ocorreu contra o Cruzeiro na quarta-feira passada, adversário horroroso que estava pedindo para ser derrotado. O treinador também tem tido participação desastrosa nas substituições com a mania de sacar Neymar e André nos últimos jogos. Jovens bons de bola e de grande futuro, eles precisam ser orientados e não punidos. Mesmo que não estejam rendendo bem, podem decidir o jogo num lance fortuito, como já decidiram. Prova disso é que já deram a Dorival Júnior um título estadual e uma vaga na final da Copa do Brasil. Por isso é difícil aceitar vê-los saírem de campo para dar lugar a jogadores meia-boca tipo Zezinho e Marcel - insistência que já está dando muito na vista - enquanto Zé Eduardo fica no banco e Alan Patrick é escalado para jogar na Copa BH. O colunista pode até queimar a língua, mas o técnico e o gerente parecem que conseguiram desestabilizar o ambiente. A lua de mel acabou!
PARABÉNS!
O Clube XV comemora este mês 141 anos de fundação com novo perfil e disposto a resgatar aquele ambiente familiar e nostálgico que sempre marcou a sua longa trajetória. "A diretoria do XV sente-se feliz em anunciar que os sócios estão retornando ao clube e, ao chegar, surpreendem-se com a beleza da nova sede", diz orgulhoso o presidente Jorge Guedes Monte Alegre Filho. A programação de aniversário tem várias atrações culturais, com destaque para a inauguração oficial da nova sede, sexta-feira-feira próxima (11), e o jantar de gala, no sábado (12), abrilhantado pelo Quarteto Saint Martin e Bailarinos.
LIÇÃO DE OTIMISMO
"Há muito tempo não me sinto tão feliz no futebol como nestes cinco meses trabalhando no Atlético. Depois de três derrotas pude constatar a seriedade e o profissionalismo com que o presidente Kalil administra o clube. Faz tempo que não vivencio tanta seriedade e tanta responsabilidade. Com tudo isso, torcedor do Atlético, que está triste como eu estou pelas derrotas, tenha certeza que as vitórias e os títulos irão chegar. Estou certo disso", escreveu Vanderlei Luxemburgo em seu blog após a tunga de 2 a 1 que levou do Grêmio que o fez ir para cama frequentando a zona de rebaixamento. Isto sim é que ser otimista!
AGORA VAI!
Corinthians dispara na liderança do Campeonato Brasileiro, invicto, com 16 pontos, seis jogos, cinco vitórias e um empate. A última vítima foi o Internacional no Pacaembu. O colunista tem amigos corintianos. Tudo gente boa. Devido à brilhante campanha do Timão eles já andam por aí falando mais que narrador de turfe. Mas, pensando bem, após a frustração no Paulista e na Libertadores, eles merecem comemorar.
|