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    CAPA Rota de Turismo
    O semanário do litoral
      25/11/2007
      Esporte, história e lazer
      Eugênio Martins Junior e Leandro Amaral
     

          

      O sino toca avisando que vai começar mais uma atividade. Pode ser um passeio a pé pelas dependências do hotel histórico ou um passeio de Maria-fumaça até a cidade de Jaguariúna, conhecendo a história da ferrovia local.

      Para os apreciadores dos esportes radicais, o toque do sino pode significar uma excitante descida no rio Atibaia fazendo rafting, uma tirolesa de 1000 metros, ou até mesmo um dos maiores circuitos de arvorismo dentro de um hotel no Brasil.

      Tanto para quem quer passar momentos de emoção, quanto para aqueles que só querem descansar, o hotel Solar das Andorinhas, a 20 km do centro de Campinas, possui atividades para todos os gostos.

      Além das trilhas pelo mato, os visitantes também poderão descarregar a tensão no novo espaço para o paint-ball, num campo de minigolfe, em passeios a cavalo, jipe, montain-bike, ou nas seis piscinas disponíveis, duas delas com tobogãs e duas aquecidas. Tudo com monitores para todas as idades, alguns atendendo 24 horas.

      Com uma área de 10 alqueires, o que corresponde a 240 mil metros quadrados, o verde fechado em volta da fazenda impressiona. O barulho do rio batendo em pedra e pau logo ali embaixo dos rústicos chalés também.

      Sentado no alpendre da "Casa Grande" é muito fácil imaginar a plantação de café e de cana-de-açúcar quando se tem à frente uma verde linha do horizonte e à esquerda a cidade de Campinas.

      Desde a cozinha dos escravos, a roda d’água, o moinho de fubá, e até as palmeiras imperiais doadas pelo próprio imperador aos fazendeiros que atingissem certo número de pés de café plantados, tudo na antiga Fazenda Duas Pontes remete à história.

      A fazenda ainda preserva todo o maquinário dos tempos em que era uma das principais produtoras e beneficiadoras de café e cana-de-açúcar da região. Fundada entre 1710 e 1715, é mais antiga que a cidade de Campinas que data de 1927. Dizem que a cidade foi fundada por causa dela.

      Comprada pelo capitão-mor Floriano Camargo de Penteado, passou para as mãos de seu filho Joaquim Ferreira Penteado, o Barão de Itatiba, e ficou com a família até 1919. Nessa época contava com impressionantes 630 alqueires de terra, com 425 mil pés de café que produziam 20 mil arrobas, ou seja, 6 mil sacas do produto beneficiado.

      A mão-de-obra contava com 270 trabalhadores diários que habitavam dez casas e eram distribuídos em diversas funções. Além das 69 famílias italianas, 8 espanholas e 3 brasileiras, dezenas de escravos habitavam a fazenda nos áureos tempos. 

      O jornalista Eugênio Martins Júnior se hospedou no Solar das Andorinhas a convite da gerência do hotel

      Não dá para ficar parado

      Maria-fumaçaOs apaixonados pelas ferrovias antigas não podem perder o passeio de maria-fumaça até a cidade vizinha de Jaguariúna – o nome significa Rio da Onça Preta.

      Retrato do que se tornou esse tipo de transporte no Brasil, a estação de embarque, que fica a cerca de 1 km percorridos em uma estrada de barro desde a sede da fazenda por uma "jardineira", se encontra muito mal conservada.

      No meio do caminho uma surpresa em Carlos Gomes: uma oficina com mais de 20 marias-fumaças a ser restauradas. Ali fica a sede da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, composta por voluntários apaixonados pela história da ferrovia no Brasil.

      O monitor do passeio conta que algumas máquinas, que estão sendo restauradas, estavam totalmente abandonadas. A restauração está sendo feita respeitando as características originais e com madeiras recicladas.

      A simpática estação da cidade de Jaguariúna conta com diversos barzinhos e uma feirinha de artesanato. Enquanto a maria-fumaça manobra, o monitor explica seu funcionamento para os passageiros. Essa é uma ótima hora para tirar fotos nas máquinas antigas. Há inclusive roupas de época para os mais nostálgicos. Pena que a parada dura pouco, cerca de 40 minutos até o trem apitar e chamar todos de volta. Não dá tempo nem de tomar uma gelada em um dos simpáticos barzinhos.

      Esportes radicais Com a aula de história em dia, chega a hora de sacudir o esqueleto. O Solar das Andorinhas conta com diversas opções de esporte radicais que, segundo a direção do hotel, são todas para iniciantes, exceto o arvorismo.

      Totalmente sobre as árvores, ao contrário de muitos lugares onde é realizado em postes, o percurso do arvorismo conta com 26 estações para descanso. Até a metade, o circuito pode ser percorrido por iniciantes, depois disso, só pelos mais bem preparados. Para percorrer todo o circuito gastam-se duas horas e, segundo o monitor do esporte, centenas de calorias. Em todo o percurso, o praticante fica conectado sempre em dois pontos do cabo, o que melhora muito a segurança. O valor para a prática do arvorismo varia entre R$ 20 e R$ 70,00, dependendo do percurso.

      O rafting de nível três, em uma escala que vai até seis, é outra diversão garantida. Para a prática do esporte, o visitante deve levar roupas apropriadas e torcer para o tempo estar bom, pois se chover o nível do rio sobe estragando a brincadeira. O passeio só acontece com um mínimo de 10 pessoas, custando R$ 50,00 para cada uma. Outra opção em noites de lua cheia é o rafting noturno, para também um mínimo de 10 pessoas a um custo de R$ 75,00 para cada.

      O rio Atibaia, que nasce na cidade homônima, serpenteia pelas cidades de Vinhedos, Valinhos, Campinas e Jaguariúna, até se tornar o rio Piracicaba, e proporciona uma das descidas mais emocionantes: são cinco quilômetros percorridos com sete quedas e uma hora e meia de percurso.

      Modalidade cada vez mais explorada em hotéis desse tipo, o turismo coorporativo também tem vez. Algumas atividades de aventura, como montain bike e passeio de jipe, podem ser agendadas para grupos de até 15 pessoas. É uma ótima opção para empresas que pretendem integrar os funcionários ou aplicar dinâmicas de grupo entre eles.

      Natureza Não, não é a ambulância, a polícia ou muito menos o carro do resgate. A luz piscando é a do vaga-lume e o barulho de sirene não passa do canto da cigarra. Além dos bichos, muitas árvores. É muito fácil avistar grandes eucaliptos, flamboyants, mangueiras, jabuticabeiras e pinheiros.

      A preocupação com a ecologia é constante, afinal, essa é a alma do negócio. Todas as operações do hotel levam em conta a preservação do meio ambiente, como a reciclagem de todo o lixo, por exemplo.

      Dependendo da época, os visitantes poderão ter uma bela surpresa na beira do rio Atibaia. Em um joelho de rio, que fica a poucos metros do hotel, é possível observar o esforço dos peixes subindo o rio para se reproduzirem, trata-se da verdadeira piracema. E todos os dias um casal de araras faz um tremendo estardalhaço, daqueles que só as araras sabem fazer.

      Durante a noite, os hóspedes são convidados a comparecer a uma aula de astronomia e a conhecer o observatório com um enorme telescópio que aproxima consideravelmente a lua e as estrelas de Campinas.

      Também todas as noites, antes de dormir, os hóspedes vão até a cozinha dos escravos e saboreiam um chá de erva-cidreira colhida no dia e nacos de bolos fubá e de milho.

      Tudo isso tem um preço. A diária é completa, café da manhã, almoço e jantar e churrascada todos os domingos.

      Os passeios e esportes podem ser praticados e pagos à parte. 


      Terra da porcelana

      A cidade de Pedreira tem como um de seus pontos fortes o Turismo de Compras. É grande a concentração de lojas, fábricas de peças em porcelanas, cerâmicas, faianças e artigos, além de outros materiais para decoração geral, infantil e paisagismo. Pedreira é considerada a principal cidade produtora de porcelanas do país. Segundo estatísticas, a cidade fabrica 50% da produção nacional.

      A primeira fábrica de porcelana a ser instalada na cidade foi em 1914 pelos irmãos italianos Rizzi, chamada de Santa Rita, o que mudou a economia local. Atualmente, são 450 indústrias, das grandes até as familiares. Aproximadamente 60% das peças fabricadas na cidade são produtos para decoração, em porcelana, cerâmica e faiança. Já os outros 40% são em madeira, vidro, resina, ferro e gesso.

      Os passeios pelos pontos turísticos de Pedreira não podem deixar de faltar. Um bom exemplo é o Turismo Rural na Fazenda São João Baptista, o Bairro Entremontes, o Observatório Astronômico, Morro do Cristo, Bosque Municipal e o Museu da Porcelana.

      A Fazenda São João Baptista foi construída em 1776 e é uma autêntica fazenda cafeira. A Casa da Fazenda, ou Casa Grande, mantém as características originais como assoalho de madeira, pé direito duplo com teto em madeira, guarnições, janelas e portas do século XVIII. Além da casa podem-se visitar, ainda, os terreiros de cafés, a senzala e o muro de pedras construído pelos escravos.

      Já o bairro Entremontes, foi onde se deu a fundação da cidade de Pedreira, em 1820, com a imigração européia. Imigrantes italianos se instalaram no local no início do século XVIII. A primeira igreja da cidade foi construída neste povoado por volta dos anos de 1820. Em estilo colonial, com sinos de bronze originais e imagens trazidas da Itália e França é a Nossa Senhora Imaculada da Conceição, cujo aniversário é no dia 8 de dezembro. A Igreja fica localizada na Praça Oswaldo Chiquito Rizzo.

      O Observatório Astronômico fica a 900 metros de altitude, sendo considerado um dos melhores pontos do Estado de São Paulo para observação. As observações astronômicas propiciam ao público em geral a visão de milhares objetos celestes visíveis ao telescópio, além das posições dos planetas entre as constelações e suas características.

      Cabe um destaque especial para o evento da Encenação da Paixão de Cristo, um teatro a céu aberto com mais de 500 figurantes, enriquecido com a Procissão do Fogaréu.