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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

23/10/2011

Colunistas / Segunda Leitura

Bocas sujas

Bocas sujas



Por uma questão de pudor, a mídia, sob quaisquer de suas manifestações, tinha por costume usar de eufemismos, signos, sinais gráficos, termos verbais e vários recursos na hora de se referir ao que se pode chamar de palavrão ou nome feio.

Todos sabemos, por exemplo, o que realmente se quer dizer com o termo “putz”. Ficava mais elegante e simples do que o original, além de não escandalizar as pessoas mais pudicas. Mas nem sempre foi fácil, para quem escreve ou fala, especialmente na mídia impressa ou eletrônica, encontrar um termo substituto a algo que somente pode passar seu real sentido. Nos últimos dias, pelo menos três exemplos implodiram esse hábito e trouxeram uma impressão de liberou geral.
 
Um deles foi protagonizado pelo treinador Luiz Felipe Scolari, do Palmeiras, mundialmente conhecido por sua despreocupação quanto à maneira chula de seu linguajar. Outro envolveu um passageiro do metrô, em São Paulo, que tentou estuprar duas mulheres durante uma viagem com vagões lotados.

E o terceiro foi a publicação de uma crônica da escritora Juliana Frank no caderno Ilustríssima, da Folha de S.Paulo, em 16 de outubro. Nessas três ocasiões, autores ou editores utilizaram, sem maiores preocupações, termos que pouco tempo atrás causariam revolta e encheriam as redações de um sem-número de correspondências manifestando indignação de seus autores.Afinal, diriam, como dizer ou escrever algo tão impróprio?

Como tudo isso já está devidamente assimilado pelo público, sinto-me à vontade para repetir o que nossos personagens disseram, deixando aos caros leitores decidirem se concordam ou não com a publicação das palavras, digamos, mais quentes. No caso do técnico, o que ele fez foi responder a um repórter que lhe pedia uma fotografia:

“Por que você não tira uma foto do meu pau?”. Quanto ao tarado do metrô, o problema da mídia era como descrever sua ação, mas a maioria preferiu ser objetiva e clara. Uma frase, por exemplo, dizia que “o homem segurava seu pênis erecto e tentava penetrá-lo no sexo da passageira”.

Já a crônica, intitulada “A viúva de quatro”, a história de uma prostituta, repetia por várias vezes um termo chulo com o qual se referia ao órgão sexual feminino. Assim, num trecho: “Minha profissão está diretamente ligada à minha boceta. Tentei ser quenga, relutei para seguir minha real inclinação... Tudo começou na minha na puberdade,  época em que as tardes inúteis me inspiravam a massagear o clitóris”.


Outras leituras

* De acordo com dados publicados pelo Observatório da Imprensa (edição 662), os norte-americanos não se limitam a um único veículo para se informar. Pesquisa da entidade Pew Research Center mostra que eles buscam uma ampla variedade de plataformas para ter acesso a notícias locais.

Isso significa que a cobertura da própria cidade ou região é significativa para os leitores, que procuram sistemas antigos e jovens para ficarem bem informados. As notícias locais, de assuntos específicos, são mais procuradas na TV. O que mais preocupa os donos de jornais impressos  é que a maior parte dos americanos (69%) disse que se os jornais locais não existissem mais, isso não afetaria sua capacidade  se manter informados com notícias sobre sua comunidade, especialmente por meio da internet.

• As editoras de livros entraram em pânico, na semana passada, devido à notícia de que a Amazon.com pretende trabalhar diretamente com os autores, reduzindo seu relacionamento com as livrarias. Até o final deste ano, a Amazon.com pretende lançar 122 livros nos formatos papel e digital Com isso, competirá diretamente com as editoras de Nova York – que são também as suas maiores fornecedoras.

Na mesma toada, noticiou-se também que o público que se vale do New York Times original cresceu 2,3%. . Havia preocupação quanto à reação dos leitores do NYT por causa de sua decisão de cobrar pelo acesso ao seu conteúdo digital, mas o jornal já tem hoje cerca de 250 mil assinaturas digitais.

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