.Colunistas
Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura
30/10/2011
Colunistas / Segunda Leitura
A sedução da leitura
No cinema, na literatura e no jornalismo existem textos sujeitos a, vez ou outra, ser relembrados, em especial por sua qualidade intrínseca ou por remeter a algum novo acontecimento. E que, por isso, servem de referência. É o caso da reportagem “Frank Sinatra está resfriado”, produzida por Gay Talese em 1966 para a revista Esquire e posteriormente reproduzida numa coleção de artigos sob o título Fama e anonimato. Considerado como uma das obras responsáveis pelo surgimento de movimento chamado de Novo Jornalismo, o artigo sobre Sinatra havia sido pautado com base em entrevista com o mais famoso cantor da época.
Devido a um forte e longo resfriado, não houve tempo para que a entrevista se consumasse, mas Talese resolveu produzir o texto com base apenas em observações do que Sinatra fazia ou conversava com pessoas próximas a ele.
Acabou criando algo até então inimaginável: uma reportagem em que o repórter não teve acesso pessoal ao personagem principal. Esse fato voltou a ser lembrado e citado neste mês graças ao lançamento de um livro de memórias escrito pela viúva do cantor, Barbara Blakeley ( ainda sem tradução para o português). E, como afirma o escritor e colunista da Folha de S.Paulo, Ruy Castro, ao contrário de Talese teve muito tempo (22 anos) e oportunidades para levar um papo mais íntimo com o cantor. Bárbara não se refere ao artigo da Esquire, mas incentivou novas conversas sobre as circunstâncias em que ele foi redigido, especialmente na área acadêmica, em que outros livros de Talese, como A mulher do próximo, Honrados mafiosos e O reino e o poder, além dos dois mais recentes ainda não passados para o português A writer’s. life e The silent season of a hero são apontados como bons exemplos do Novo Jornalismo, representado também por outros como Norman Mailer, Gore Vidal e Tom Wolf.
Em sua última passagem no Brasil, em 2009, para participar da Festa Internacional de Paraty, Talese voltou a falar da reportagem sobre Sinatra como gancho para introduzir o tema Novo Jornalismo, que a seu ver incorpora ao jornalismo características da literatura (descrição de cenas, diálogos, pontos de vista dos personagens e perfis, que, no seu caso, destacaram , além de Sinatra, nomes como os de Joe Di Maggio, jogador de beisebol e namorado de Marilyn Monroe, e os pugilistas Floyd Patterson e Joe Louis. Sobre a exigência de diploma universitário específico para o exercício profissional do jornalismo, Talese acha que tem coisas favoráveis e desfavoráveis. “ O curso de jornalismo não torna as pessoas automaticamente em jornalistas”, disse, lembrando que teve bons estudos, mas não estudou um curso de jornalismo.
E disse: “O que faz um grande jornalista é 1) a curiosidade, depois a paciência para acompanhar as pessoas; 2) paciência para acompanhar as pessoas, para ouvi-las, entender como elas pensam, estar dentro delas em vez de ficar apegado ao seu ponto de vista, ‘eu,eu,eu’, transformar-se na outra pessoa ouvindo;3) apurar os fatos certos. Eles (as escolas) podem ensinar isso num curso); 4) escrever. Sempre acreditei que os jornalistas deveriam escrever tão bem quanto os autores de ficção. O jornalismo pode ser tão bem feito quanto uma história de um contista ou um romancista. As situações podem ser descritivas, anedóticas, revelar um conflito, mas têm que ser verdadeiras. Como jornalista, você é um contador de histórias. Na universidade, você aprende as formas do lide (abertura de um texto), mas não aprende essas outras coisas.
Sedução é a palavra certa. Todos os grandes autores não grandes sedutores”. São lições de sempre e desejáveis. A questão, num mundo em que as comunicações se realizam em tempo real, é encontrar uma fórmula que permita conciliar a pura informação com o prazer de produzir ou de ler textos mais longos e demorador, ainda que sedutores.
Devido a um forte e longo resfriado, não houve tempo para que a entrevista se consumasse, mas Talese resolveu produzir o texto com base apenas em observações do que Sinatra fazia ou conversava com pessoas próximas a ele.
Acabou criando algo até então inimaginável: uma reportagem em que o repórter não teve acesso pessoal ao personagem principal. Esse fato voltou a ser lembrado e citado neste mês graças ao lançamento de um livro de memórias escrito pela viúva do cantor, Barbara Blakeley ( ainda sem tradução para o português). E, como afirma o escritor e colunista da Folha de S.Paulo, Ruy Castro, ao contrário de Talese teve muito tempo (22 anos) e oportunidades para levar um papo mais íntimo com o cantor. Bárbara não se refere ao artigo da Esquire, mas incentivou novas conversas sobre as circunstâncias em que ele foi redigido, especialmente na área acadêmica, em que outros livros de Talese, como A mulher do próximo, Honrados mafiosos e O reino e o poder, além dos dois mais recentes ainda não passados para o português A writer’s. life e The silent season of a hero são apontados como bons exemplos do Novo Jornalismo, representado também por outros como Norman Mailer, Gore Vidal e Tom Wolf.
Em sua última passagem no Brasil, em 2009, para participar da Festa Internacional de Paraty, Talese voltou a falar da reportagem sobre Sinatra como gancho para introduzir o tema Novo Jornalismo, que a seu ver incorpora ao jornalismo características da literatura (descrição de cenas, diálogos, pontos de vista dos personagens e perfis, que, no seu caso, destacaram , além de Sinatra, nomes como os de Joe Di Maggio, jogador de beisebol e namorado de Marilyn Monroe, e os pugilistas Floyd Patterson e Joe Louis. Sobre a exigência de diploma universitário específico para o exercício profissional do jornalismo, Talese acha que tem coisas favoráveis e desfavoráveis. “ O curso de jornalismo não torna as pessoas automaticamente em jornalistas”, disse, lembrando que teve bons estudos, mas não estudou um curso de jornalismo.
E disse: “O que faz um grande jornalista é 1) a curiosidade, depois a paciência para acompanhar as pessoas; 2) paciência para acompanhar as pessoas, para ouvi-las, entender como elas pensam, estar dentro delas em vez de ficar apegado ao seu ponto de vista, ‘eu,eu,eu’, transformar-se na outra pessoa ouvindo;3) apurar os fatos certos. Eles (as escolas) podem ensinar isso num curso); 4) escrever. Sempre acreditei que os jornalistas deveriam escrever tão bem quanto os autores de ficção. O jornalismo pode ser tão bem feito quanto uma história de um contista ou um romancista. As situações podem ser descritivas, anedóticas, revelar um conflito, mas têm que ser verdadeiras. Como jornalista, você é um contador de histórias. Na universidade, você aprende as formas do lide (abertura de um texto), mas não aprende essas outras coisas.
Sedução é a palavra certa. Todos os grandes autores não grandes sedutores”. São lições de sempre e desejáveis. A questão, num mundo em que as comunicações se realizam em tempo real, é encontrar uma fórmula que permita conciliar a pura informação com o prazer de produzir ou de ler textos mais longos e demorador, ainda que sedutores.

Por NESTOR M.S.AYROSA em 13/05/2012, às 20:03hs
Comentar o comentárioSOU NASCIDO E CRIADO EM SANTOS MAS DEVIDO A OPORTUNIDADE DE EMPREGO A 17 ANOS MORO EM SERTÃOZINHO-SP E TODA SEMANA LEIO AS REPORTAGENS DO JORNAL DA ORLA ATRAVEZ DA INTERNET.CONSIDERO UM EXCELENTE JORNAL DE MODO GERAL POIS E ATRAVEZ DELE QUE MATO A SAUDADES DA MINHA QUERIDA SANTOS.QUEM SABE UM DIA SE TIVER UMA OPORTUNIDADE MELHOR VOLTO A MORAR EM SANTOS.ABRAÇOS A TODOS E PARABENS PELAS MATERIAS.
Por pathricia moreno em 13/05/2012, às 12:09hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioO EGO dela é tão grande, que ela se clica até cagando!!!!!!!! Bem feito!
Por Mais uma morte para as estatísticas. em 13/05/2012, às 11:36hs
Comentar o comentárioOntem à noite, mais um acidente aconteceu na estrada de Nova Lima. Um jovem estudante de economia bateu seu carro após dirigir imprudentemente e colocar 180 km/h no velocímetro. O acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e deixou um morto e dois feridos. A incapacidade da via de suporta certas condutas é evidente, mas o descaso das autoridades só contribui para manter as estatísticas elevadas. A demanda da população é por um radar na região já é antigo e, a cada acidente, a causa adere mais adeptos.
Por valter jjose vieira em 11/05/2012, às 22:36hs
Comentar o comentárioA lei que entra em vigor proibindo depósito prévio para atendimento em hospitais,será um complicador a mais para a sociedade. Como uma empresa vai funcionar sem a garantia de recebimento pela prestação de serviços, quando as evidências apontam para alto grau de endividamento e inadimplência do mercado? O governo não faz como deveria fazer sua parte e transfere os problemas para empresas, sem o devido cuidado de legislar as garantias. O sistema judiciário ineficiente e por conseguinte sobrecarregado, terá de tratar com mais este complicador.Esta situação poderá ter desdobramentos para restaurantes,hotéis,universidades ,etc. O cidadão vai ao restaurante não levando cheque,cartão ou dinheiro e diz que está com fome,fazendo a refeição, cabendo ao estabelecimento cobrar pelos serviços .Os efeitos colaterais serão sentidos nos mercados por analogia.E agora como fica....
Por Elvira Akchourin do Nascimento em 11/05/2012, às 21:09hs sobre As profissões das mães.
Comentar o comentárioParabéns pela escolha deste lindo texto. As mães são formadas em todas essas profissões mesmo, e tentam fazer tudo da melhor forma possível.
Por Rafael em 11/05/2012, às 16:09hs sobre O mistério das pedras Klerksdorp.
Comentar o comentárioQuanto ao assunto das pedras, achei muito interessante, mas também achei uma falha científica na metodologia usada para datar as mesmas.
O teste de Carbono 14 não pode ser usado em pedras ou em nenhuma liga metálica, para datar as mesmas. O teste de carbono 14 se baseia na absorção do carbono atmosférico pelos seres vivos. Quando a coisa morre, já não carrega carbono da atmosfera através de processos tais como alimentação ou respiração e os níveis de C14 no corpo se esgotam devido ao processo natural de decaimento radioativo.
Ao ver a quantidade de restos de C14 é possível ver quanto tempo se passou desde que o animal morreu. Portanto, o narrador estava equivocado quanto a este assunto. Datar pedras e ligas metálicas com precisão é muito difícil e ainda não existe método científico consistente para isso.
Outra coisa, novídeo, são mostradas imagens da "Death Star", do filem Star Wars, ao invés de um satélite natural de Júpiter.
Quanto as brocas, é um propriedade das mesmas que não furem material mais duro que elas próprias, por isso existem brocas de vários materiais, inclusive de diamante, que com certeza furaria uma dessas pedras. Um broca de aço não fura nem uma pedra de quartzo convencional.
Por Neuci Bicov Frade em 11/05/2012, às 13:00hs sobre Comunidade do Nova Cintra ganha sala de inclusão digital.
Comentar o comentárioNós do Cedir, ficamos muito orgulhosos e felizes com o excelente trabalho desenvolvido pelo Settaport.Parabéns!
Por Roberto Farias Viana em 11/05/2012, às 11:21hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioPrimeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela forma que aborda os assuntos em questão: sem rodeios. E aproveitando o gancho das fotos sensuais de Carol Dieckmann, as pessoas tem que ter mais cuidado com certos arquivos, pois pode se tornar num grande problemão. E mais uma vez, parabéns, Christian.
Por valter jose vieira em 07/05/2012, às 10:25hs
Comentar o comentárioO Santos,jogando com camisa azul,não combina com sua tradição e desvirtua até o hino e grito de guerra da torcida.A camisa preta e branca ,além de mais bonita não poderia e nem poderá ,em tempo algum ser substituida .Sugerimos a quem teve esta ideia, que reveja os conceitos e torne o preta e branco as cores oficiais e insubstituíveis desta grande equipe .
Por Jose A. Silva em 07/05/2012, às 08:07hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioO MP e a CETESB não respeitam o princípio da isonomia. Usam dois pesos e duas medidas e com isto perdem credibilidade.
Na cidade de São Paulo eles permitem que, ainda hoje, se continue construindo em Topos de Morro como a Av. Paulista, Sumaré, Perdizes, etc, etc.
Por Vitor em 06/05/2012, às 11:23hs sobre VTV completa 10 anos e prepara transmissão digital em HD.
Comentar o comentárioCorrigindo o senhor Gil Mansur, na copa de 1970 a televisão em cores não havia sido implantada no Brasil. A transmissão, a partir do México, era colorida, mas nossas emissoras retransmitiam em preto e branco.
A 1ª copa que assistimos em cores foi de a 1974.
Uma rápida pesquisa na internet comprova o que estou dizendo.
Por Wilson da Neves em 05/05/2012, às 09:17hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioIsso é que é falta do que fazer, o pessoal do morro da Sta.Teresinha estão lá legalmente.
Por Neusa Pedro em 30/04/2012, às 21:16hs sobre Raiz profunda.
Comentar o comentárioOi, Jadir!!!
Lindo e sábio a sua mensagem! adorei, tenho muito a aprender com estas leituras.
obrigada!!!
Por jose de abreu em 29/04/2012, às 14:09hs sobre Aplausos merecidos.
Comentar o comentárioParabens dr. roberto por esta informação
Por Roberto Mohamed em 28/04/2012, às 18:43hs sobre A selvageria na Libertadores.
Comentar o comentárioCaro Sergio:
Tenho profundo respeito pelo Presidente do Santos e o apoio em todas as iniciativas positivas para o clube, mas até hoje acho injustificável a sua incapacidade de ouvir críticas. Não é a primeira vez que ele perde a cabeça ao responder alguma indagação de um Conselheiro. Eu estava nessa reunião mas me retirei por conta do sistema chapa branca de perguntas por escrito. E acredito que se tivesse ficado, teria saído em defesa do Conselheiro Celso Leite, primeiro por achar que está certo, pois o filme é uma MERDA. Segundo porque jamais poderei admitir o desrespeito a um Conselheiro no uso de suas atribuições. Quem não consegue conviver com críticas, torne-se patrão na iniciativa privada ou vire o Lula. A Presidência de um clube do tamanho do Santos, implica em paciência para críticas e bom senso para respostas.