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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

.Colunistas
Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

20/11/2011

Colunistas / Segunda Leitura

A guerra da informação

 A recente morte de um cinegrafista da TV Bandeirantes, durante ação militar numa favela carioca, mostra, mais uma vez, como a busca pela informação é muitas vezes um ato de coragem. Em especial quando o evento tem a ver com assuntos bélicos, tanto que já se insista que, nesses casos, os jornalistas recebam um mínimo de preparação – ou de qualificação, o termo que se aplica hoje em dia – para que seus riscos sejam o menos grave possível. O que a própria categoria não admite é ser impedida de realizar sua função pública de manter a sociedade bem informada.

O episódio me fez lembrar o escritor Ernest Hemingway, que também trabalhou como correspondente de guerra, experiência que ele perpetuou na publicação de uma série de artigos sobre conflitos armados de várias partes do mundo. Seu livro em dois volumes, Ernest Hemingway repórter. Tempo de viver e Ernest Hemingway repórter.Tempo de morrer ( Editora Civilização Brasileira, 1967), conta os perigos pelos quais passou para apurar, redigir e enviar para edição uma série de batalhas em que sua vida esteve por um fio. Em seus despachos, já se queixava da rapidez com que tinha que passar suas informações, mas isso não o impedia de escrever artigos e reportagens com elegância. Sobre isso, se justificava assim: “ Se uma pessoa ganha a vida como jornalista, aprende a sua profissão, escreve contra o relógio e em cima da hora, esforça-se a fim de que sua prosa seja mais oportuna do que permanente, ninguém mais tem o direito de exumar essa prosa e usá-la contra o que a pessoa escreveu para mostrar o melhor que pode”.

Tudo isso faz parte de um passado superado, tanto pelo tipo de jornalismo que se pratica, utilizando equipamentos sofisticados de informação e permitindo que em qualquer parte do mundo se possa assistir em tempo real, pela TV, aos conflitos humanos e aos catástrofes terráqueas, quanto pelos novos tipos de combates que possibilitam aos participantes não se defrontarem corpo a corpo. De toda forma, gostaria de aproveitar a oportunidade e recomendar aos que gostam de Hemingway e ainda não leram os dois volumes desta sua obra que o façam. Verão como é possível produzir boa literatura com base em fatos desagradáveis como a guerra. Sem perder a noção de urgência e do tipo de conteúdo em pauta.

Outras leituras

Por falar em literatura, recomendo aos leitores duas excelentes obras que acabam de chegar às livrarias. A primeira, Conversas com Vargas Llosa (Panda Books; 232 páginas; 39,90 reais), é do jornalista e colunista da revista Veja.com Ricardo Setti que sintetiza, com base em entrevistas pessoais com o escritor peruano, antes e depois de ele ter ganho o Oscar de literatura, a vida do escritor, político ( foi candidato a presidente do Peru) e polemista. Segundo a crítica publicada na revista Veja, “após um namoro juvenil com o comunismo, Vargas Llosa rompeu com o regime castrista de Cuba. Tornou-se, além de um dos poucos defensores latino-americanos da democracia e da economia de mercado, o mais famoso inimigo de todas as ditaduras, do antiamericanismo, do nacionalismo, do estatismo, da correção política, dos fanatismos e da violência”. No Brasil, um de seus livros mais lidos é A guerra do fim do mundo, romance versando sobre a Guerra de Canudos.

Outra leitura obrigatória para os santistas, em especial aqueles que gostam de política e da história de sua cidade, é o livro Mario Covas. Democracia, defender,conquistas,praticar (Editora Imprensa Oficial; 347 páginas, 40 reais). Coordenado pelo jornalista Osvaldo Martins, conta com vários artigos como foi a vida pessoal e política do mais importante homem público santista das últimas 50 décadas. Como afirma Osvaldo Martins em seu testemunho, Mário Covas “ tinha verdadeiro fascínio pelo desafio de enfrentar dificuldades e vencê-las, como se competisse consigo mesmo, sempre em busca da melhor performance”.
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