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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

.Colunistas
Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

27/11/2011

Colunistas / Segunda Leitura

Mutações e comunicações

Mutações e comunicações
Com a fase dos exames vestibulares praticamente encerrada, um dado a destacar é o crescimento por vagas na área da comunicação, em especial do jornalismo. Pode-se dizer que os jovens já assimilaram a suspensão (espera-se que em caráter provisório) da exigência do diploma superior e específico para o exercício da profissão. Parece  prevalecer a ideia de que o mais importante é estar técnica e culturalmente preparado , e é isso o que esperam deles as empresas de comunicação. Outra explicação para o interesse pelo estudo do jornalismo é a retomada, pelas empresas de comunicação, do papel de vigilância, cobrança e punição dos que praticam crimes contra a sociedade. Exemplo disso é o trabalho que têm feito no combate à corrupção. Isso tudo desperta nos jovens a vontade de dar sua contribuição ao combate àquilo que a presidente Dilma chama de malfeitos da sociedade.
 
Ao mesmo tempo em que se renovam os quadros da comunicação e se firmam novos colunistas, ocorre uma verdadeira revolução na prática do jornalismo causada pelo aparecimento dos meios eletrônicos, da reformulação das tecnologias e dos equipamentos que fazem as informações circularem muito mais rapidamente. Isso criou o que costumo intitular de criação de um novo circulo temporal das notícias. Tomando os jornais diários de papel como parâmetro, as informações chegavam aos leitores 24 horas depois que os repórteres as redigiam. Hoje, a tecnologia tornou possível, ou melhor, tornou obrigatória a atualização das informações a cada segundo.

Essa situação colocou em discussão a possibilidade de que, no futuro, não mais se produzam jornais, revistas ou qualquer outro veículo de informação à base de papel. Isso pode até acontecer, mas o mais provável é que ainda permaneça um núcleo de consumidores a ser atendidos em sua preferência. Em função dessa possibilidade é que as empresas de comunicação, mesmo otimistas quanto à possibilidade de que esse núcleo não seja tão pequeno assim, adotar também os sistemas eletrônicos para a venda de sua produção, ou seja, as notícias. A princípio, transferindo gratuitamente quase todo o conteúdo dos meios impressos para as mídias digitais. E agora abrindo assinaturas remuneradas para cobrir os custos de manutenção dos veículos impressos.
 
Nos últimos dias, São Paulo sediou três eventos sobre esse assunto e suas variantes: um seminário sobre jornalismo on-line, um seminário sobre o futuro dos jornais impressos e uma palestra de Bill Keller, que detalhou a implantação do chamado “muro de cobrança” no The New York Times, um inédito programa de negócios a ser aplicado por todos os tipos de plataforma do jornal e que abre um caminho para compatibilizar a antiga discussão sobre cobrar ou não pelo conteúdo. Segundo Keller, por 15 dólares, cada internauta pode ler gratuitamente 20 textos do NYT por mês. A partir daí, o jornal oferece pacotes para os eleitores que queiram ver o jornal sem restrições – o sistema contempla tabletes e celulares.

Os resultados têm sito bastante satisfatórios. Já o presidente da Inma (International Newsmedia Marketing Association, Earl Wilkinson, que fez palestra sobre o futuro dos jornais impressos, entende que o Brasil corre o risco de praticamente chegar ao fim da mídia impressa dentro de uns 50 anos, “desde que o iPad seja mais leve, mais rápido e esteja custando no máximo 100 dólares, a classe média baixa vai comprar os tablets e vamos começar a ver o jornal on-line substituir o impresso”. Trata-se, como se vê, uma discussão complexa e longa e que pode, até mesmo, acabar em caminhos inesperados, mudando as atuais abordagens. Não nos esqueçamos de que, há poucos anos, ninguém imaginaria o surgimento da internet.
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