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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Sérgio Luiz Corrêa

Sérgio Luiz Corrêa
Coluna do Corrêa

18/12/2011

Colunistas / Coluna do Corrêa

O jogo das estrelas

O jogo das estrelas
Assim que entrar em campo neste domingo, 18, às 8h30 (de Brasília), no Estádio de Yokohama, o Santos viverá mais um momento histórico em meio a tantos outros ao longo dos seus quase 100 anos de existência. Pela terceira vez, o clube busca o título do Mundial de Clubes agora contra o badaladíssimo Barcelona, o time mais poderoso do planeta e base da seleção campeã do mundo. O confronto mais esperado do ano é o principal assunto na imprensa esportiva internacional e promete mostrar o futebol bem jogado, tendo como principais artistas Neymar de um lado e Messi de outro.

Cravar seco no Barcelona é a tendência natural da maioria dos críticos, pois não há como deixar de reconhecer a força do conjunto catalão. Esse favoritismo dos espanhóis se traduz na forma com que eles se movimentam no meio de campo e partem para o ataque. O time "gira" em campo e quase não erra passe. O bote geralmente é dado mediante assistência perfeita e rápida por entre os beques ou nas costas do lateral.

O autor do passe às vezes nem precisa olhar para o colega que vai receber a bola. Quando isso não acontece é Messi quem vem de trás com a bola grudada nos pés. Esse entendimento é fruto de muito tempo de convivência juntos. É a marca do Barcelona. O time joga por música. Sábado (10), o Real Madri,  de Mourinho,  experimentou o rendimento dessa orquestra. Levou de 3 a 1 do rival em pleno Santiago Bernabéu.  

Já pelo lado santista o próprio técnico Muricy Ramalho ficou preocupado após a vitória contra o Kashiwa Reysol. Faltou valorizar a posse de bola e caprichar no passe. Longe de desmerecer o resultado positivo, o fato é que o Santos dependeu de jogadas individuais para definir o jogo. O lance maravilhoso de Neymar colocando a bola no ângulo, o arremate de Borges que pegou o goleiro japonês de surpresa e um gol de falta de Danilo deram o tom do que foi o time brasileiro. Mas, o conjunto não agradou. Tanto que enquanto escrevo a coluna Muricy parecia inclinado a promover mudanças.

Há outro aspecto a se considerar. Ao contrário dos japoneses, que privilegiam a marcação individual, tendo sendo um combatente na sobra, o Barcelona, como a maioria dos times europeus, marca por zona. Isso permite ao adversário ter alguns segundos a mais para pensar o que fazer. Nem é possível tirar algumas conclusões sobre a vitória contra o frágil Al-Sadd por 4 a 0. Foi coletivo sem preocupação de contagem.

Diante dos santistas o panorama será outro. O Barcelona joga com fome de tubarão. Entretanto, há outro detalhe: os europeus respeitam os times brasileiros e não se expõem tanto quando entram em confronto com eles. Quem sabe numa dessas...    

Diz o profeta que "cada jogo é uma história". Esse raciocínio sugere a imprevisibilidade no futebol. Em 2005, diante do Liverpool, o São Paulo jogou o tempo todo acuado e venceu com um gol do volante Mineiro, que deu o tricampeonato mundial ao Tricolor. Em 2006, contra o mesmo Barcelona, o Inter/RS foi campeão com um gol de Adriano Gabiru. Nesses jogos, os brasileiros entraram como franco-atiradores e acertaram o alvo.

Driblar é iludir, dissimular, enganar. É colocar a arte no terreno da fantasia. Quem pode garantir que Neymar não possa fazer o mesmo e muito mais que Mineiro e Gabiru e trazer o troféu para a Vila Belmiro? Pois é nele que reside a maior esperança santista.


GANSO - É lamentável que sempre na véspera de jogos decisivos o nome de Paulo Henrique Ganso seja envolvido em polêmica em relação à sua já conflituosa relação com a diretoria. Desta vez, a notícia dava conta de que ele vendeu 10% dos seus direitos à DIS. Essa empresa de investimentos parece gostar de fustigar o ambiente no clube fora de hora. Durante o Paulista e Libertadores, a DIS lançou na praça que Ganso estava sendo negociado com o Corinthians; depois previa que talvez ele fosse para a Europa. Ganso dizer que não está sendo valorizado é uma heresia. Ele ficou afastado por um bom tempo por contusão (e cirurgia) e o clube nunca deixou de pagar seus salários. Ganso é um craque, mas está mal orientado. Ao ser seduzido pelos vendedores de ilusões, ele incorre no mais horrendo dos pecados: a ingratidão.   

CELSO LEITE - A coluna deseja pronta recuperação ao conselheiro Celso Leite. Sempre polêmico em suas observações sobre o Santos e um dos responsáveis por mudanças no comando do clube na última eleição ao abraçar a campanha em favor de Luís Álvaro, Leite encontra-se internado no Hospital Ana Costa após submeter-se a uma cirurgia de emergência. "Apesar de suas posições que contrariam muita gente, ele é um grande santista", diz o conselheiro Fábio Pierry. O colunista endossa embaixo.

PALMAS - Merece aplausos Andrés Sanchez ao não ceder às pressões do empresário de Tite para que elevasse os salários do treinador a níveis estratosféricos. "Não vou pagar R$ 700 mil ou R$ 800 mil a um treinador", disse. Tite renovou com bases bem menores e outros dirigentes deveriam seguir seu exemplo. É um absurdo o que se paga hoje para alguns técnicos do Brasil. Chega a ser uma afronta à realidade do país.
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