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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Paulo Lorandi

Paulo Lorandi
Bom Remédio

25/12/2011

Colunistas / Bom Remédio

Dependência

Dependência
O medicamento também pode causar dependência e, portanto, o seu uso precisa ser correto e racional. Em princípio, a dependência, como impulso ao uso constante do medicamento, está vinculada ao alívio de tensões, ansiedades e sensações físicas desagradáveis. Portanto, nem sempre a dependência é motivada pelo efeito psicoativo. Por exemplo, podemos considerar dependentes as pessoas que fazem uso constante de descongestionantes nasais ou laxantes.

A dependência a esse tipo de medicamento acontece devido ao efeito rebote: o medicamento provoca uma ação (p. ex. descongestionante) a qual, após algum tempo, o organismo reage provocando uma sensação pior do que antes do uso do medicamento. No caso dos descongestionantes, um nariz totalmente “travado”, obrigando-o a novas doses. Pelo mesmo motivo, o intestino se torna preguiçoso, condicionando a pessoa a ir ao banheiro apenas sob efeito do medicamento.

Já os medicamentos psicoativos provocam a chamada dependência física, relacionada à síndrome de abstinência. Para entender esse processo, consideremos a ação depressora do álcool no sistema nervoso. O álcool retarda a atividade nervosa, por isso é considerado um depressor. Retarda a ponto de diminuir os reflexos, provoca sono e a frequência da respiração é mais lenta. Com o uso constante, o organismo se adapta ao álcool tornando-se menos suscetível à ação depressora. É como se você acelerasse mais o carro porque o freio de mão está puxado. Ao deixar de ingerir o álcool, ressalta-se a hiperexcitação que é a síndrome de abstinência. Como no carro, andaríamos mais rápido se, de repente, soltássemos o freio de mão. Um aspecto presente na dependência é a chamada tolerância, ou seja, a necessidade de se utilizar cada vez mais medicamento para se obter o mesmo efeito. Em parte, isso ocorre devido a essa adaptação.

Do mesmo modo, todos os medicamentos depressores podem causar dependência: benzodiazepínicos (“calmantes”), opióides (analgésicos), anti-epiléticos, etc. Mas essa dependência não desaconselha o uso, desde que sob orientação médica. Quando for necessário retirar o medicamento, esse procedimento deve ser cauteloso e progressivo.

Se tiver alguma dúvida sobre esse ou outros assuntos relacionados aos medicamentos escreva para o Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM) do curso de Farmácia, da UniSantos, via cim@unisantos.br ou para avenida Conselheiro Nébias, 300, 11015-002, Santos-SP.
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