| cadastro

Faça seu cadastro para receber nossa newsletter e concorrer a vários prêmios semanais.

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

.Colunistas
Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

25/12/2011

Colunistas / Segunda Leitura

A importância do repórter

A importância do repórter
Seja qual for o resultado do boom jornalístico que estamos vivendo, alavancado principalmente pelo crescimento das redes de informação e, consequentemente, do número de profissionais dedicados à área, já se pode dizer que nunca foi tão marcante o papel dos repórteres na sociedade. Jamais, pelo que me lembre, se discutiu tanto sobre a profissão em todas as ramificações em que ela é exercida. Tenho participado ou assistido a muitos eventos, quase todos com plateia não apenas cheia (e de vários níveis de instrução ou de idade), mas em especial tão interessada em conhecer detalhes sobre essa figura fundamental para o exercício da comunicação: o repórter. Independente da discussão que se faz sobre a obrigatoriedade de diploma superior específico para o exercício da profissão, o que as pessoas estão querendo entender como o papel da mídia na sociedade moderna.
   

Mas há uma preocupação anterior: se e como o governo, por meio do Ministério das Comunicações, conseguirá implantar um sistema único de regulação que inclua as telecomunicações e a radiodifusão. Será um trabalho complexo, à medida que os grandes grupos de comunicação veem na proposta uma certa intromissão do governo na independência dos meios de comunicação, enquanto setores da esquerda defendem a necessidade de se ter algum tipo de controle sobre a mídia. Enquanto nada acontece de concreto na área oficial, uma verdadeira revolução de hábitos, práticas e inovações no mundo daqueles que trabalham na área ou estão em vias de.
 
Uma das novidades ocorre no circuito formado pelos meios de comunicação, a formação dos futuros profissionais e o relacionamento entre ambos. Alguns rápidos exemplos. Sites do tipo Peixe Urbano e Clickon estão oferecendo a possibilidade de os estudantes obterem 80% de desconto na mensalidade de sua faculdade. Outro exemplo é dado pela Abril ( que entre outras publicações edita a revista Veja) Educação que,em parceria com a Escola Superior de Publicidade e Marketing (ESPM), está oferecendo vários tipos de cursos, inclusive na área da comunicação. Há também os cursos a distância, que crescem muito nesse mesmo setor. Em sua coluna na Folha de S.Paulo, o jornalista Gilberto Dimenstein informa sobre a experiência atualmente em curso pelo jornal The New York Times com cursos a distância que, em parceria com universidades, atraem alunos de várias partes do mundo. “Além dos professores universitários, as aulas são ministradas pelos jornalistas e colaboradores do jornal”. A responsável pelo projeto, Felice Nudelman, fala em ampliar o setor, graças à crescente procura por matrículas. Na opinião de Dimenstein, “minha suspeita é de que estamos diante de uma nova fronteira do conhecimento: a fusão das linguagens da educação com a comunicação”.
  
Tudo isso remete para a importância da preparação superior do jornalista, haja ou não exigência da formação específica.O interesse pela profissão também tem ficado claro nos encontros que tenho tido com pessoas interessadas em jornalismo, reportagem e convivência entre a comunicação e a sociedade. Reforçado pelas opiniões dos já profissionais quanto à importância de manter um comportamento ético no exercício de sua profissão. Normalmente, as pessoas querem duas coisas: quem é o repórter e o que é o jornalismo. Há dias, em evento promovido pelo Instituto Itaú Cultural, o veterano e importante jornalista Audálio Dantas (era presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época em que Vladimir Herzog foi assassinado pela ditadura militar) disse à plateia que “o repórter é um ser que faz perguntas, é verdadeiro” e lembrou que, segundo Graciliano Ramos, “a palavra não foi feita para enfeitar, mas para dizer”. Opinião respeitável é a de outro importante – e falecido – jornalista, Cláudio Abramo, que costumava dizer que “ a ética do jornalista é a mesma que a do carpinteiro”, ou seja, ele é um ser humano como todos nós e deve exercer com dignidade qualquer profissão.Finalmente, para citar alguém mais contemporâneo, Heródoto Barbeiro, em seu recente livro, em parceria com Patrícia Rangel, Manual do jornalismo esportivo, afirma : “ A ética no jornalismo esportivo tem a mesma importância que qualquer outra área, uma vez que ela baliza as ações humanas. Critica a moralidade e se constitui em princípios e disposições....A ética é uma percepção do mundo dinâmico, uma vez que a sociedade se altera constantemente, e é preciso identificar onde estão os atributos virtuosos”.
Comentar esta notícia Ver comentários Compartilhar |