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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Jadir Albino

Jadir Albino
Fronteiras da Ciência

25/12/2011

Colunistas / Fronteiras da Ciência

Ouvindo o inaudível

Ouvindo o inaudível
Conta uma lenda Sufi que um rei mandou seu filho estudar, em um templo, com um grande mestre. O objetivo era a preparação do filho, então príncipe, para a sucessão ao pai no trono, tornando-se um grande administrador.

Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre pediu-lhe que fosse sozinho até a floresta. Explicou-lhe que ele só poderia retornar um ano depois e que sua tarefa seria descrever os sons ouvidos na floresta. Passado esse prazo, o príncipe retornou ao templo e o mestre pediu que ele descrevesse tudo aquilo que tinha conseguido ouvir.     

—Mestre, pude ouvir o canto dos cucos, o roçar das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas e o barulho do vento cortando os céus?

Quando o príncipe terminou, o mestre pediu que voltasse à floresta e ouvisse tudo o mais que lhe fosse possível? O príncipe ficou intrigado com o pedido do mestre?

—Mas, mestre... já não lhe distingui o suficiente de cada som da floresta? Por que voltar?     
Novamente na floresta, por longos dias e noites, o príncipe sentou-se solitário, ouvindo, ouvindo e ouvindo... Mas não conseguiu distinguir nada de novo além dos sons que já mencionara ao mestre.

Porém, numa certa manhã, começou a discernir sons vagos, diferentes de tudo o que já ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do príncipe e ele pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse!"

Agora, já sem pressa, o príncipe passou ali horas, ouvindo e ouvindo pacientemente. Queria sentir e ter a certeza de que estava no caminho certo.   

Quando, novamente, o príncipe retornou ao templo, o mestre perguntou o que mais ele tinha conseguido ouvir.

—Mestre, quando prestei mais atenção pude ouvir o inaudível. Consegui ouvir o som das flores se abrindo, do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã.

Sorrindo, o mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação e disse:

—Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa. Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, medos não confessados e queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender às reais necessidades de cada um.

A morte de uma relação começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais. É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano...

[autoria desconhecida]

Nesse período em que temos propensão a reconsiderar nossos atos e planejar novas condutas, devemos ponderar com muita sapiência a inclusão do aprendizado de ouvir mais os corações das pessoas e nem tanto o que é proferido por suas bocas. Aprendendo a ouvir o inaudível,  nos tornarmos pessoas melhores e mais justas. E, em retribuição, o Universo também irá ouvir a súplica de nossos corações.

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE.
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