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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

.Colunistas
Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

01/01/2012

Colunistas / Segunda Leitura

Comunicação para o bem comum

Recentemente, como faz todos os anos, um apresentador de programa jornalístico de uma emissora de São Paulo anunciou aos seus ouvintes que entraria de férias no dia seguinte. Desta vez, porém, o hábito veio acompanhado de uma observação por parte de um colega de trabalho: “Mas os ouvintes não devem se preocupar porque ele (o colega a sair de férias) manterá contato permanente conosco pelo twiter para encaminhar qualquer notícia que considerar importante”. Nesse mesmo dia, a sede de uma instituição financeira em São Paulo determinou que seus funcionários desligassem os celulares quando estiverem fora do prédio, dispensando-os de manterem contato permanente com a sede. Seu objetivo: permitir que os funcionários não se sentissem “prisioneiros do trabalho”. Finalmente, mas não por último, a televisão exibia reportagem sobre uma empresa que incentiva seus empregados a trabalharem na própria residência, para ganharem tempo e economizarem despesas de transporte.
   
Os três fatos sintetizam apenas algumas das faces do que se pode chamar de “revolução dos meios de comunicação” que teve início nos anos 70, parece não ter fim e exibe novos capítulos a cada dia. Por isso, neste período em que costumo fazer um resumo do que de mais importante aconteceu na área da comunicação e do jornalismo, prefiro tratar de itens que vão ter desdobramentos em 2012. Até porque, tirando-se as novidades tecnológicas, o ano que se encerra só teve como destaque a discussão que não levou a nada sobre a instituição do marco regulatório da comunicação que estabelecerá novas normas para o setor.
   
No caso do repórter de rádio, ele não estará efetivamente de férias, na medida em que, mesmo em casa, ficará permanentemente ligado com a redação. É evidente que, como profissional responsável, ao ficar sabendo de algo importante ele o transmitirá à redação. Em meu tempo de repórter, essa era a forma de agir. Hoje, com as novas tecnologias, o jornalismo é uma das profissões que mais exige rapidez na divulgação dos fatos, mas não deve abdicar de seu direito de se desplugar por algum tempo. A propósito, o trabalho jornalístico contínuo 24 horas por dia consta de uma relação de mais de cem itens levantados pelo Centro para o Futuro Digital que precisam ser analisados seriamente, dadas as conseqüências sobre o trabalho jornalístico. Entre outras causas porque, de acordo com o mesmo estudo, é possível que até 2015 os Estados Unidos tenão em circulação apenas quatro grande jornais diários impressos. Quanto aos celulares da instituição bancária e o computador os funcionários que trabalham em casa (com direito a carteira do trabalho assinada, férias remuneradas e todas demais vantagens), os reflexos negativos são de outra ordem, uma vez que as pessoas estarão trabalhando preferencialmente com assuntos de ordem interna.
   
Entre outros itens levantados pela pesquisa da universidade americana, o destaque fica para: a credibilidade do material informativo on-line fornecido por pessoas que a gente não conhece; a avalanche informativa, que impede o cidadão de ser melhor informado ( não nos esqueçamos que antes da Internet, as pessoas se informavam basicamente pelos jornais impressos e era uma cena bastante comum as pessoas fazerem esse leitura durante as viagens de ônibus entre a casa e o trabalho); a substituição cada vez mais rápida do desktop pelo tablet: e a queda quase total do número de pessoas que leem jornais impressos no período da manhã.

Independente de qualquer estudo, pesquisa ou levantamento, o fato é que a velocidade de circulação das informações se amplia a cada dia, causando uma mudança radical no comportamento da sociedade, como resultado do avanço tecnológico em todos os setores da produção. Encontrar formas de utilizar a evolução das tecnologias em favor da condição humana é o grande desafio das próximas gerações.


Nota: a partir desta edição, a coluna Segunda Leitura estará de férias, retornando no dia 5 de fevereiro. Até lá.
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