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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Sérgio Luiz Corrêa

Sérgio Luiz Corrêa
Coluna do Corrêa

08/01/2012

Colunistas / Coluna do Corrêa

O fim de um ciclo

O fim de um ciclo
Um dos maiores ídolos da história do Palmeiras, o goleiro Marcos é uma espécie de futebolista em extinção. Atualmente, atrás dele talvez sobre apenas Rogério Ceni como símbolo dos tempos românticos em que o jogador faz juras de amor eterno à camisa do clube. Nascido em Oriente, no Interior de São Paulo, revelado nas categorias de base, Marcos decidiu encerrar a carreira aos 38 anos, depois de 530 jogos com a camisa 12 do Palmeiras e vários títulos conquistados, sendo o mais expressivo o de campeão do mundo em 2002. Ficará marcado na memória dos palmeirenses o dia 4 de janeiro de 2012 - quando ele anunciou sua despedida dos campos. Rendeu-se à batalha contra as dores crônicas em joelhos, braços e ombros.

Atleta ajuizado, de bem com a vida e com a família, não se deslumbrou com a fantasia de jogar na Europa quando foi procurado para defender o Arsenal, da Inglaterra, em 2003.  "Quando fui a Londres conversar e voltei pensei comigo: é longe pra diabo", disse na ocasião, com aquele sotaque interiorano ao ser perguntado sobre a recusa de jogar no exterior. Marcos seguiu no Palmeiras, de onde, aliás, não arredou o pé nem mesmo depois que o time caiu para a 2.ª Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2002. O Palmeiras vai sentir falta dele nos gramados. Mas é possível que Marcos continue atrelado ao clube, talvez como auxiliar de preparador de goleiros ou quem sabe até iniciar como treinador nas categorias de base.

Marcos sempre despertou admiração e respeito até mesmo por parte de torcedores santistas, são-paulinos e corintianos. Assim como os santistas perdoavam um pênalti perdido por Pelé, os palmeirenses toleravam um frango de Marcos, pois todos sabiam que na partida seguinte eles iriam se redimir desses pecados. Numa dessas ocasiões, em 2000, Marcos defendeu um pênalti de Marcelinho Carioca na semifinal da Libertadores e eliminou o Corinthians, feito que o goleirão palmeirense considera um dos mais marcantes da carreira dele.

Quando analiso a trajetória de Marcos Roberto Silveira Reis como profissional, por tudo que ele fez pelo Palmeiras e pelo futebol brasileiro durante todos esses anos, fico imaginando, por exemplo, o que vai à cabeça de Fábio Costa. Ou de jovens que mal iniciam na profissão e já se atritam com dirigentes. A moda agora - estimulada por empresários - é exigir a tal "valorização profissional" com salários exorbitantes - como se já tivessem conquistado uma Copa do Mundo - sem ao menos levar em conta o custo-benefício. Um exemplo clássico, infelizmente, é o de Paulo Henrique Ganso. Confesso que por todo o desgaste e aborrecimento que ele tem proporcionado à diretoria eu já o teria vendido ontem. 

NOITE QUENTE (I) - Está marcada para a noite desta segunda-feira (9) reunião do Conselho Deliberativo do Santos para eleição da nova Comissão Fiscal. O encontro está cercado de expectativa. Duas chapas concorrem ao pleito: uma indicada pelo Conselho Gestor e cujos nomes estão sendo mantidos em sigilo e a outra, independente, formada por indicação de conselheiros, tendo Norberto Gonçalves na presidência e Dagoberto Oliva como relator.

NOITE QUENTE (II) - A ingerência do Conselho Gestor na indicação da primeira chapa com nomes mantidos em segredo a sete chaves trouxe um clima de insatisfação no ar, pois se ela vencer há o risco de se estabelecer os mesmos vícios de gestões passadas. O argumento é que uma chapa alinhada à diretoria gera conflito de interesses na análise correta das contas. 

DANIEL PIZA - Como assinante que sou do Estadão, não perdia nenhum dos seus escritos, quer na coluna Boleiros, quer na Sinopse, em que discorria sobre política, arte, cinema e literatura. Morto aos 41 anos devido a um AVC, Daniel Piza deixa um vazio no jornalismo contemporâneo, já tão carente de inteligência e sensibilidade. Uma pena!  

ERRATA - Na edição passada escrevi aqui que o futebol feminino foi iniciado na gestão de Marcelo Teixeira, mas o olho de lince do jornalista Aldo Neto alertou o colunista: a informação está incorreta. Segundo Aldo, o futebol feminino, que acaba de ser extinto pela atual diretoria, foi iniciado em 1997 pelo então presidente Samir Abdul Hack, pelo técnico Manoel Maria e pelo auxiliar Kleiton Lima visando à participação do Santos no Paulistânia, Campeonato Estadual da FPF. Ainda bem tenho o Aldo como um dos meus onze leitores.
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