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08/01/2012
Porto-Cidade
Sete dias num vapor
Já naveguei por alguns (poucos) mares ao longo da vida, na realidade e em sonhos, mas posso garantir que nenhuma das vezes tive uma experiência tão gratificante como a de navegar durante sete dias num barco a vapor conhecido como “gaiola”, daqueles impulsionados por roda d’água, como na viagem que fiz por quase 1.500 quilômetros no Rio São Francisco, entre Pirapora (Minas Gerais) e Petrolina (Pernambuco).
Acomodado num camarote e acompanhado do amigo jornalista Antonio Mineiro, viajamos por cidades mineiras no fusca azul, com placa de Cubatão, emprestado por minha querida tia Emilia e chegamos a Pirapora para a primeira grande aventura: embarcar o fusca no navio Benjamim Guimarães. O carro foi como carga, entre engradados de legumes e de galinhas, ao lado de redes que viajantes armavam para dormir entre uma cidade e outra do Velho Chico.
Os gaiolas faziam a rota no pinga-pinga das cidades ribeirinhas, no entra e sai de gente marcada pelo sol e pela doce liberdade da imensidão do rio. Era o ônibus fluvial, que se mantém até hoje, apesar de promessas vãs de um futuro melhor.
A viagem ocorreu um ano antes da construção da barragem de Sobradinho, que engoliu ao menos quatro cidades do Velho Chico: Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado. E também um ano antes da famosa canção “Sobradinho”, o rock rural que cita as cidades e que foi eternizado na voz da dupla Sá & Guarabyra. “O sertão vai virar mar, dá no coração/ o medo que algum dia o mar também vire sertão...” – era o refrão da famosa música, que continuava: “Adeus Remanso, Casa Nova, Sento Sé/ Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir.”
Percorri cada palmo dessas e de outras cidades como Xique-Xique, algumas já parecendo cidades fantasmas, casas semidemolidas, igrejas vazias... Conversei com moradores, e havia no peito de cada um não o medo da mudança para outros locais construídos para abrigá-los, ou o medo da incerteza, mas um sentimento mais profundo: o de deixar para trás a terra em que nasceram, viveram e trabalharam. Mais que isso, e pior, na mudança entre mesas, camas e cadeiras, bens materiais do pouco que tinham, não poderiam levar os entes queridos dos cemitérios. Esse era o verdadeiro pavor, especialmente dos mais velhos.
Visitei duas das cidades que abrigavam as primeiras famílias, chamadas de Nova Remanso e Nova Casa Nova, casas de alvenaria, bem diferentes das de pau a pique das antigas cidades. Juntei na porta da nova casa a primeira família para uma fotografia que não me sai da memória até hoje. Os pais, jovens ainda, e meia dúzia de filhos, sorrindo para um desconhecido.
Em alguns trechos reconheci a seca, no contraste com a abundância do rio. A vida difícil das noites sem luz elétrica, a luz de velas ao longe num casebre no meio do mato, o gado morto nas ribanceiras – bois que desciam para beber água no rio e não suportavam o peso da subida, na volta... Eram o alimento fácil de piranhas, peixes que também alimentavam os que transitavam no barco com seus fogareiros a óleo. Um deles me ofereceu um pedaço de piranha frita na hora, e não recusei. De sobremesa, quase sempre, rapadura.
Fiz no barco algumas amizades que se foram em cada porto de parada. A alguns ofereci as músicas do toca-fitas do carro, quando acionava o motor, dia sim dia não. Logo se aglomeravam em volta do fusca para ouvir aquele repertório estranho, de sotaque diferente. Era a globalização cultural em tempo errado.
Foi ali no Velho Chico que registrei as melhores imagens de pôr do sol e de amanhecer que jamais vi em lugar algum. A noite trazia na chaminé do barco uma língua de fogo, da brasa da lenha ardente, que enfeitava o céu, também lá, como em outra velha canção, salpicado de estrelas.
Partindo de Pirapora, o gaiola passava por cidades como Guaicuí, na confluência com o famoso Rio das Velhas, dos bandeirantes, Ibiaí, São Francisco, Maria da Cruz, Januária, a cidade mineira da cachaça, Matias Cardoso, Malhada, Carinhanha, Bom Jesus da Lapa, Gameleira, Ibotirama, Barra, Xique-Xique, Pilão Arcado, Remanso, Oliveira, Sento Sé, Casa Nova, Sobrado, Juazeiro e Petrolina. Cada uma com seu folclore, o artesanato, a peixada de surubim, a buchada de bode... Riquezas sem fim.
O São Francisco já foi chamado de “rio da integração nacional”, devido às entradas pelo interior no século 17, de “rio dos currais” porque por ele se conduzia o gado do Nordeste para Minas e teve o seu ciclo do ouro, os tempos da seca, as transformações pelas barragens... Para muitos continua sendo o “Velho Chico” das cidades dos barrancos, dos pescadores, das lavadeiras, um parque de diversões para crianças ribeirinhas, e o fio condutor do comércio entre as cidades banhadas por ele. Um rio usado na politicagem de sempre e que, por ela, não leva a água sertão adentro.
Fiquei feliz ao saber pela internet que ainda navega o velho navio Benjamim Guimarães, construído em 1913 nos Estados Unidos para navegar no Rio Mississipi, transferido nos anos de 1920 para o Rio São Francisco. Após tanto tempo no rio e de várias reformas, foi finalmente incorporado como Patrimônio Histórico de Pirapora e faz hoje curtas viagens com turistas em um trecho do rio.
Retornei ao rio recentemente, de carro, em viagem turística com a família pelo sertão na divisa entre Sergipe e Alagoas, até a hidrelétrica de Xingó, onde pegamos um moderno catamarã em roteiro pelas águas do Velho Chico. Ali, uma região inundada para a represa, a profundidade dos cânions chega a 200 metros! Foi bom recordar do rio. Mas não foi a mesma coisa. A água não tinha mais a doçura de antes, da viagem de sete dias pendurado no antigo vapor. Essa, jamais esquecerei.

Por NESTOR M.S.AYROSA em 13/05/2012, às 20:03hs
Comentar o comentárioSOU NASCIDO E CRIADO EM SANTOS MAS DEVIDO A OPORTUNIDADE DE EMPREGO A 17 ANOS MORO EM SERTÃOZINHO-SP E TODA SEMANA LEIO AS REPORTAGENS DO JORNAL DA ORLA ATRAVEZ DA INTERNET.CONSIDERO UM EXCELENTE JORNAL DE MODO GERAL POIS E ATRAVEZ DELE QUE MATO A SAUDADES DA MINHA QUERIDA SANTOS.QUEM SABE UM DIA SE TIVER UMA OPORTUNIDADE MELHOR VOLTO A MORAR EM SANTOS.ABRAÇOS A TODOS E PARABENS PELAS MATERIAS.
Por pathricia moreno em 13/05/2012, às 12:09hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioO EGO dela é tão grande, que ela se clica até cagando!!!!!!!! Bem feito!
Por Mais uma morte para as estatísticas. em 13/05/2012, às 11:36hs
Comentar o comentárioOntem à noite, mais um acidente aconteceu na estrada de Nova Lima. Um jovem estudante de economia bateu seu carro após dirigir imprudentemente e colocar 180 km/h no velocímetro. O acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e deixou um morto e dois feridos. A incapacidade da via de suporta certas condutas é evidente, mas o descaso das autoridades só contribui para manter as estatísticas elevadas. A demanda da população é por um radar na região já é antigo e, a cada acidente, a causa adere mais adeptos.
Por valter jjose vieira em 11/05/2012, às 22:36hs
Comentar o comentárioA lei que entra em vigor proibindo depósito prévio para atendimento em hospitais,será um complicador a mais para a sociedade. Como uma empresa vai funcionar sem a garantia de recebimento pela prestação de serviços, quando as evidências apontam para alto grau de endividamento e inadimplência do mercado? O governo não faz como deveria fazer sua parte e transfere os problemas para empresas, sem o devido cuidado de legislar as garantias. O sistema judiciário ineficiente e por conseguinte sobrecarregado, terá de tratar com mais este complicador.Esta situação poderá ter desdobramentos para restaurantes,hotéis,universidades ,etc. O cidadão vai ao restaurante não levando cheque,cartão ou dinheiro e diz que está com fome,fazendo a refeição, cabendo ao estabelecimento cobrar pelos serviços .Os efeitos colaterais serão sentidos nos mercados por analogia.E agora como fica....
Por Elvira Akchourin do Nascimento em 11/05/2012, às 21:09hs sobre As profissões das mães.
Comentar o comentárioParabéns pela escolha deste lindo texto. As mães são formadas em todas essas profissões mesmo, e tentam fazer tudo da melhor forma possível.
Por Rafael em 11/05/2012, às 16:09hs sobre O mistério das pedras Klerksdorp.
Comentar o comentárioQuanto ao assunto das pedras, achei muito interessante, mas também achei uma falha científica na metodologia usada para datar as mesmas.
O teste de Carbono 14 não pode ser usado em pedras ou em nenhuma liga metálica, para datar as mesmas. O teste de carbono 14 se baseia na absorção do carbono atmosférico pelos seres vivos. Quando a coisa morre, já não carrega carbono da atmosfera através de processos tais como alimentação ou respiração e os níveis de C14 no corpo se esgotam devido ao processo natural de decaimento radioativo.
Ao ver a quantidade de restos de C14 é possível ver quanto tempo se passou desde que o animal morreu. Portanto, o narrador estava equivocado quanto a este assunto. Datar pedras e ligas metálicas com precisão é muito difícil e ainda não existe método científico consistente para isso.
Outra coisa, novídeo, são mostradas imagens da "Death Star", do filem Star Wars, ao invés de um satélite natural de Júpiter.
Quanto as brocas, é um propriedade das mesmas que não furem material mais duro que elas próprias, por isso existem brocas de vários materiais, inclusive de diamante, que com certeza furaria uma dessas pedras. Um broca de aço não fura nem uma pedra de quartzo convencional.
Por Neuci Bicov Frade em 11/05/2012, às 13:00hs sobre Comunidade do Nova Cintra ganha sala de inclusão digital.
Comentar o comentárioNós do Cedir, ficamos muito orgulhosos e felizes com o excelente trabalho desenvolvido pelo Settaport.Parabéns!
Por Roberto Farias Viana em 11/05/2012, às 11:21hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioPrimeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela forma que aborda os assuntos em questão: sem rodeios. E aproveitando o gancho das fotos sensuais de Carol Dieckmann, as pessoas tem que ter mais cuidado com certos arquivos, pois pode se tornar num grande problemão. E mais uma vez, parabéns, Christian.
Por valter jose vieira em 07/05/2012, às 10:25hs
Comentar o comentárioO Santos,jogando com camisa azul,não combina com sua tradição e desvirtua até o hino e grito de guerra da torcida.A camisa preta e branca ,além de mais bonita não poderia e nem poderá ,em tempo algum ser substituida .Sugerimos a quem teve esta ideia, que reveja os conceitos e torne o preta e branco as cores oficiais e insubstituíveis desta grande equipe .
Por Jose A. Silva em 07/05/2012, às 08:07hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioO MP e a CETESB não respeitam o princípio da isonomia. Usam dois pesos e duas medidas e com isto perdem credibilidade.
Na cidade de São Paulo eles permitem que, ainda hoje, se continue construindo em Topos de Morro como a Av. Paulista, Sumaré, Perdizes, etc, etc.
Por Vitor em 06/05/2012, às 11:23hs sobre VTV completa 10 anos e prepara transmissão digital em HD.
Comentar o comentárioCorrigindo o senhor Gil Mansur, na copa de 1970 a televisão em cores não havia sido implantada no Brasil. A transmissão, a partir do México, era colorida, mas nossas emissoras retransmitiam em preto e branco.
A 1ª copa que assistimos em cores foi de a 1974.
Uma rápida pesquisa na internet comprova o que estou dizendo.
Por Wilson da Neves em 05/05/2012, às 09:17hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioIsso é que é falta do que fazer, o pessoal do morro da Sta.Teresinha estão lá legalmente.
Por Neusa Pedro em 30/04/2012, às 21:16hs sobre Raiz profunda.
Comentar o comentárioOi, Jadir!!!
Lindo e sábio a sua mensagem! adorei, tenho muito a aprender com estas leituras.
obrigada!!!
Por jose de abreu em 29/04/2012, às 14:09hs sobre Aplausos merecidos.
Comentar o comentárioParabens dr. roberto por esta informação
Por Roberto Mohamed em 28/04/2012, às 18:43hs sobre A selvageria na Libertadores.
Comentar o comentárioCaro Sergio:
Tenho profundo respeito pelo Presidente do Santos e o apoio em todas as iniciativas positivas para o clube, mas até hoje acho injustificável a sua incapacidade de ouvir críticas. Não é a primeira vez que ele perde a cabeça ao responder alguma indagação de um Conselheiro. Eu estava nessa reunião mas me retirei por conta do sistema chapa branca de perguntas por escrito. E acredito que se tivesse ficado, teria saído em defesa do Conselheiro Celso Leite, primeiro por achar que está certo, pois o filme é uma MERDA. Segundo porque jamais poderei admitir o desrespeito a um Conselheiro no uso de suas atribuições. Quem não consegue conviver com críticas, torne-se patrão na iniciativa privada ou vire o Lula. A Presidência de um clube do tamanho do Santos, implica em paciência para críticas e bom senso para respostas.