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José Carlos Silvares
Armazém Geral
27/01/2012
Colunistas / Armazém Geral
Herói sem estátua
A cena histórica dos primeiros imigrantes japoneses chegando ao Porto de Santos, do outro lado do mundo deles, não me sai da cabeça. Não consigo identificar numa velha fotografia, no meio de tantos, o chefe daquela gente, o condutor, o guia, o incentivador, aquele que por meses tratou da papelada, das malas, dos dramas e dividiu alegria e tristezas antes, durante e depois da partida rumo ao desconhecido.
Mais que isso, este homem, Ryu Mizuno, ao realizar o próprio sonho de conquistar as novas terras, ávidas da mão de obra nos campos agrícolas, não se contentou em realizar apenas o próprio sonho. Quis repartir sua esperança de dias melhores com seus amigos, conhecidos e desconhecidos deixados em muitas das províncias do Japão, e tratou de agir.
Ao vir antes, sozinho, num navio até o Chile, conheceu ali a futura esposa e os dois, a pé ou no lombo de mulas, percorreram a infinita e gélida distância entre o Chile e o Brasil, atravessando a Cordilheira dos Andes, em 1906.
No Brasil, Mizuno soube do incentivo que havia para a contratação de agricultores para as fazendas de café, em desabalada expansão, especialmente no estado de São Paulo. Fez contatos com autoridades japonesas aqui no Brasil, falou com o governador paulista e com seus secretários e retornou ao Japão com a missão de buscar os imigrantes que iriam compor a primeira grande leva de japoneses rumo ao Porto de Santos.
Ele aproveitava as brechas do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação assinado em 1865 entre os dois países para dar início ao seu desejo visionário de atender a objetivos mútuos.
O Japão vivia a explosão demográfica. Tinha mão de obra sobrando. O Brasil vivia a explosão agrícola. Tinha mão de obra faltando.
Era tudo o que Mizuno sonhara.
Na volta ao Japão bateu de porta em porta recrutando partes de famílias que se dispusessem a desbravar o ocidente.
Com muito sacrifício e após uma triagem dificultosa conseguiu reunir 781 pessoas de 165 famílias, de pelo menos nove províncias e da capital Tóquio.
Após tratar de documentos, das roupas ocidentais masculinas e femininas – até chapéus do tipo panamá ele conseguiu –, de resolver problemas pessoais de cada um e obter vistos e as passagens para todos, Mizuno fez questão de ser o primeiro a entrar no navio que o governo do Japão determinara para conduzir os imigrantes até o Porto de Santos.
O navio partiu de Kobe no dia 28 de abril de 1908. A viagem durou 52 dias, tempo em que Mizuno se dedicou ainda mais aos viajantes. Ele escreveu um diário de bordo em que detalha a vida no navio, descreve as roupas ocidentais que os japoneses vestiam e da satisfação de cada um, como “soldados da fortuna”, em busca de dias melhores no Brasil.
Mizuno conduziu seu povo de porto em porto. Na primeira escala, em 8 de maio, em Cingapura, foi o único a descer do navio, com sua autoridade, para despachar correspondências. Repetiu o ato na Cidade do Cabo, a 2 de junho. No trajeto cuidou de todos, desde o mal-estar pelo balanço do navio até para apartar brigas e participar de comemorações.
O navio chegou finalmente a Santos às 17 horas do dia 18 de junho, atracando no cais do armazém 14. Além dos imigrantes tinha 91 tripulantes, sob o comando de um capitão inglês, A. G. Stevens.
O Kasato Maru era um navio representativo de uma conquista que estava por vir. Foi construído em 1900 por estaleiro inglês e tinha o nome de Kazan. Ainda em 1900 foi vendido para a compor a frota voluntária da Rússia, em combate com os japoneses, atuando como navio-hospital. Resistiu à guerra. Em 1905 foi deixado em Port Arthur, e conquistado pelo Japão como presa de guerra, rebatizado como Kasato Maru e operado pelo governo até 1912, quando foi vendido para a Osaka Shosen Kaisha.
Além de trazer os imigrantes até o Brasil em 1908, o navio fez viagens ao Peru e México, retornando a Santos em 1917. Ficou nessa companhia durante a Primeira Guerra Mundial e mais tarde passou à frota da Shinko Suisan, de Tóquio, fazendo linhas regulares pela Ásia, com o nome de Kasado Maru, até ser novamente requisitado pelo governo durante a Segunda Guerra. Em agosto de 1945 foi severamente bombardeado por aviões que partiam de um porta-aviões russo, e afundou próximo às Ilhas Kuriles, sob domínio russo desde o final da Segunda Guerra e que são reclamadas pelo Japão.
A saga do Kasato Maru é lembrada até hoje por todos, descendentes ou não dos pioneiros japoneses.
Mas a coragem e os feitos do desbravador Ryu Mizuno, tido por muitos como herói e como “o pai da imigração japonesa”, ficaram no esquecimento. Ele dá nome a uma praça em Curitiba, a um viaduto em Suzano, mas nada o lembra em Santos, onde tudo começou. Nem ao menos uma simples placa junto ao monumento dos jardins da praia que representa a saga dos primeiros imigrantes que vieram sob sua tutela.
Mizuno morreu em 1951, no Japão, pouco antes de completar 92 anos. Deixou sua marca e é reconhecido por abrir as portas para levas de japoneses que hoje povoam o Brasil.
Mas em Santos, apesar de tudo, Ryu Mizuno, “o pai da imigração japonesa”, ainda é um herói sem estátua.

Por NESTOR M.S.AYROSA em 13/05/2012, às 20:03hs
Comentar o comentárioSOU NASCIDO E CRIADO EM SANTOS MAS DEVIDO A OPORTUNIDADE DE EMPREGO A 17 ANOS MORO EM SERTÃOZINHO-SP E TODA SEMANA LEIO AS REPORTAGENS DO JORNAL DA ORLA ATRAVEZ DA INTERNET.CONSIDERO UM EXCELENTE JORNAL DE MODO GERAL POIS E ATRAVEZ DELE QUE MATO A SAUDADES DA MINHA QUERIDA SANTOS.QUEM SABE UM DIA SE TIVER UMA OPORTUNIDADE MELHOR VOLTO A MORAR EM SANTOS.ABRAÇOS A TODOS E PARABENS PELAS MATERIAS.
Por pathricia moreno em 13/05/2012, às 12:09hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioO EGO dela é tão grande, que ela se clica até cagando!!!!!!!! Bem feito!
Por Mais uma morte para as estatísticas. em 13/05/2012, às 11:36hs
Comentar o comentárioOntem à noite, mais um acidente aconteceu na estrada de Nova Lima. Um jovem estudante de economia bateu seu carro após dirigir imprudentemente e colocar 180 km/h no velocímetro. O acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e deixou um morto e dois feridos. A incapacidade da via de suporta certas condutas é evidente, mas o descaso das autoridades só contribui para manter as estatísticas elevadas. A demanda da população é por um radar na região já é antigo e, a cada acidente, a causa adere mais adeptos.
Por valter jjose vieira em 11/05/2012, às 22:36hs
Comentar o comentárioA lei que entra em vigor proibindo depósito prévio para atendimento em hospitais,será um complicador a mais para a sociedade. Como uma empresa vai funcionar sem a garantia de recebimento pela prestação de serviços, quando as evidências apontam para alto grau de endividamento e inadimplência do mercado? O governo não faz como deveria fazer sua parte e transfere os problemas para empresas, sem o devido cuidado de legislar as garantias. O sistema judiciário ineficiente e por conseguinte sobrecarregado, terá de tratar com mais este complicador.Esta situação poderá ter desdobramentos para restaurantes,hotéis,universidades ,etc. O cidadão vai ao restaurante não levando cheque,cartão ou dinheiro e diz que está com fome,fazendo a refeição, cabendo ao estabelecimento cobrar pelos serviços .Os efeitos colaterais serão sentidos nos mercados por analogia.E agora como fica....
Por Elvira Akchourin do Nascimento em 11/05/2012, às 21:09hs sobre As profissões das mães.
Comentar o comentárioParabéns pela escolha deste lindo texto. As mães são formadas em todas essas profissões mesmo, e tentam fazer tudo da melhor forma possível.
Por Rafael em 11/05/2012, às 16:09hs sobre O mistério das pedras Klerksdorp.
Comentar o comentárioQuanto ao assunto das pedras, achei muito interessante, mas também achei uma falha científica na metodologia usada para datar as mesmas.
O teste de Carbono 14 não pode ser usado em pedras ou em nenhuma liga metálica, para datar as mesmas. O teste de carbono 14 se baseia na absorção do carbono atmosférico pelos seres vivos. Quando a coisa morre, já não carrega carbono da atmosfera através de processos tais como alimentação ou respiração e os níveis de C14 no corpo se esgotam devido ao processo natural de decaimento radioativo.
Ao ver a quantidade de restos de C14 é possível ver quanto tempo se passou desde que o animal morreu. Portanto, o narrador estava equivocado quanto a este assunto. Datar pedras e ligas metálicas com precisão é muito difícil e ainda não existe método científico consistente para isso.
Outra coisa, novídeo, são mostradas imagens da "Death Star", do filem Star Wars, ao invés de um satélite natural de Júpiter.
Quanto as brocas, é um propriedade das mesmas que não furem material mais duro que elas próprias, por isso existem brocas de vários materiais, inclusive de diamante, que com certeza furaria uma dessas pedras. Um broca de aço não fura nem uma pedra de quartzo convencional.
Por Neuci Bicov Frade em 11/05/2012, às 13:00hs sobre Comunidade do Nova Cintra ganha sala de inclusão digital.
Comentar o comentárioNós do Cedir, ficamos muito orgulhosos e felizes com o excelente trabalho desenvolvido pelo Settaport.Parabéns!
Por Roberto Farias Viana em 11/05/2012, às 11:21hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioPrimeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela forma que aborda os assuntos em questão: sem rodeios. E aproveitando o gancho das fotos sensuais de Carol Dieckmann, as pessoas tem que ter mais cuidado com certos arquivos, pois pode se tornar num grande problemão. E mais uma vez, parabéns, Christian.
Por valter jose vieira em 07/05/2012, às 10:25hs
Comentar o comentárioO Santos,jogando com camisa azul,não combina com sua tradição e desvirtua até o hino e grito de guerra da torcida.A camisa preta e branca ,além de mais bonita não poderia e nem poderá ,em tempo algum ser substituida .Sugerimos a quem teve esta ideia, que reveja os conceitos e torne o preta e branco as cores oficiais e insubstituíveis desta grande equipe .
Por Jose A. Silva em 07/05/2012, às 08:07hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioO MP e a CETESB não respeitam o princípio da isonomia. Usam dois pesos e duas medidas e com isto perdem credibilidade.
Na cidade de São Paulo eles permitem que, ainda hoje, se continue construindo em Topos de Morro como a Av. Paulista, Sumaré, Perdizes, etc, etc.
Por Vitor em 06/05/2012, às 11:23hs sobre VTV completa 10 anos e prepara transmissão digital em HD.
Comentar o comentárioCorrigindo o senhor Gil Mansur, na copa de 1970 a televisão em cores não havia sido implantada no Brasil. A transmissão, a partir do México, era colorida, mas nossas emissoras retransmitiam em preto e branco.
A 1ª copa que assistimos em cores foi de a 1974.
Uma rápida pesquisa na internet comprova o que estou dizendo.
Por Wilson da Neves em 05/05/2012, às 09:17hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioIsso é que é falta do que fazer, o pessoal do morro da Sta.Teresinha estão lá legalmente.
Por Neusa Pedro em 30/04/2012, às 21:16hs sobre Raiz profunda.
Comentar o comentárioOi, Jadir!!!
Lindo e sábio a sua mensagem! adorei, tenho muito a aprender com estas leituras.
obrigada!!!
Por jose de abreu em 29/04/2012, às 14:09hs sobre Aplausos merecidos.
Comentar o comentárioParabens dr. roberto por esta informação
Por Roberto Mohamed em 28/04/2012, às 18:43hs sobre A selvageria na Libertadores.
Comentar o comentárioCaro Sergio:
Tenho profundo respeito pelo Presidente do Santos e o apoio em todas as iniciativas positivas para o clube, mas até hoje acho injustificável a sua incapacidade de ouvir críticas. Não é a primeira vez que ele perde a cabeça ao responder alguma indagação de um Conselheiro. Eu estava nessa reunião mas me retirei por conta do sistema chapa branca de perguntas por escrito. E acredito que se tivesse ficado, teria saído em defesa do Conselheiro Celso Leite, primeiro por achar que está certo, pois o filme é uma MERDA. Segundo porque jamais poderei admitir o desrespeito a um Conselheiro no uso de suas atribuições. Quem não consegue conviver com críticas, torne-se patrão na iniciativa privada ou vire o Lula. A Presidência de um clube do tamanho do Santos, implica em paciência para críticas e bom senso para respostas.