.Notícias
27/01/2012
Porto-Cidade
O porto, a cidade e o tempo
Transformar o antigo porto, caótico e alagadiço, em um terminal marítimo com os padrões técnicos do início do século 20, não foi um desafio pequeno. As negociações arrastaram-se durante muitos anos. A concessão para a construção foi dada pelo Império Brasileiro e, depois, mantido pela recém-estabelecida República, algo único. Era imperioso ter um porto que pudesse avançar as exportações de café de São Paulo, permitindo a utilização plena da capacidade da ferrovia, a São Paulo Railway, que chegara ao porto em 1867.
Havia um descompasso entre o que a ferrovia conseguia movimentar e os velhos trapiches, pranchas de madeira sobre troncos, que serviam para que os carregadores chegassem ao navio com sua carga no lombo. A eficiência do planalto estava esbarrando num sistema anacrônico em Santos.
O problema não se resumia a obter os recursos para o investimento, o maior de sua época em um único projeto privado. Mais difícil era conseguir trabalhadores dispostos a enfrentar, mesmo com bom salário, as doenças tropicais que infestavam a cidade. Impaludismo, tifo, malária, febre amarela e até a febre bubônica, mais conhecida como “peste negra”. Foi preciso trazer gente de outras regiões do país, mas muitos abandonavam o trabalho rapidamente ou adoeciam. Santos era uma cidade colonial com más perspectivas.

Logo que os primeiros metros de cais de concreto iniciaram a operação, foi fácil perceber que uma grande mudança estava a caminho. Primeiro porque, como registrou o jornal Times, de Londres, 12 mil toneladas de carga, que demoravam mais de um mês para ser embarcadas, passaram a ser colocadas nos navios em dez dias, o que, para a época, era semelhante ao que se tinha mundo afora. Segundo porque estabelecia-se, à medida que o porto fosse avançando, uma espécie de cinturão sanitário para a cidade, completado depois pelos canais de Saturnino de Brito, que sanearam Santos.
Assim, em 1912, cem anos atrás, a cidade já desfrutava de novos ares e de um progresso galopante, que foi mudando com rapidez a paisagem urbana. Agora frequentada por negociantes, com a população crescendo, novas construções substituíam aquelas coloniais ou que lembravam a condição monárquica anterior.
As duas primeiras décadas do século 20 foram as de maior crescimento da história, colocando Santos entre as cidades brasileiras de importância.

O estranhamento entre homens e máquinas persistiu ao longo dos anos. O incômodo que o portuário, representado na estátua, parece sentir em relação aos modernos guindastes ao fundo, foi uma constante na história do porto. A introdução dos primeiros descarregadores mecânicos de carvão, em meados dos anos 1930, produziu uma verdadeira rebelião no cais.
A CDS chegou a ter 14 mil funcionários no início dos anos 70, hoje a Codesp, sua sucessora, tem 1.500. Mas os terminais retroportuários, que não existiam, empregam cerca de 8 mil trabalhadores.
Muita coisa mudou nesses 120 anos e a marca principal foi a troca de homens por máquinas.

O porto agora é uma terra de gigantes, onde pesos são medidos em milhões de toneladas. Quase metade da população economicamente ativa trabalha direta ou indiretamente ligada ao movimento dos navios e das cargas. O trabalho braçal vai se tornando a exceção à regra.
Especialmente a consolidação dos contêineres, na década de 80, produziu mudanças poderosas. Não apenas no porto, mas na cidade, que tem de conviver com as onipresentes caixas metáticas, nas ruas, em pátios de retaguarda, bem próximos de casa na maioria dos casos. A automatização cresce e com ela o tamanho, alcance e capacidade das máquinas.
Guindastes, transtêineres, portêineres, dalas, sugadores, empilhadeiras inteligentes... Novas palavras vão entrando para o cotidiano. E Santos ainda está atrasado em relação a outros portos no quesito emprego de tecnologia. Do mesmo modo, os navios cresceram, as velocidades aumentaram e as tripulações diminuíram muito.

A paisagem à nossa volta mudou com o porto. Pode-se considerar mesmo que, dos 466 anos de idade de Santos, foram nos últimos 120, a contar da inauguração do porto moderno, que a cidade ganhou a fisionomia que tem hoje. Visionários ou apenas comerciantes espertos, os antepassados que imaginaram aqui o futuro grande porto brasileiro mereceram o crédito eterno.
O gigantismo das atividades atuais escondem as imensas dificuldades e desafios que tiveram de ser vencidos ao longo do tempo. A longa convivência do porto com a cidade embaça os persistentes problemas de relacionamento dessa intimidade forçada.

Os custos dessa travessia foram e são pagos por todos os cidadãos, de uma forma ou outra. Nunca será exagero dizer que os santistas construíram o porto que leva o nome da sua casa.
E são, também, os beneficiários históricos dessa construção — o precoce acesso à eletricidade e à telegrafia, ou o planejamento urbano, por exemplo, foram ganhos de qualidade de vida importantes no passado.
Agora, o crescimento da atividade portuária e a aliança com a indústria do petróleo propiciam um novo período de mudança. A expansão urbana é só um dos sinais. Serão mudanças de longo fôlego, que marcarão a história da cidade no futuro.

Por NESTOR M.S.AYROSA em 13/05/2012, às 20:03hs
Comentar o comentárioSOU NASCIDO E CRIADO EM SANTOS MAS DEVIDO A OPORTUNIDADE DE EMPREGO A 17 ANOS MORO EM SERTÃOZINHO-SP E TODA SEMANA LEIO AS REPORTAGENS DO JORNAL DA ORLA ATRAVEZ DA INTERNET.CONSIDERO UM EXCELENTE JORNAL DE MODO GERAL POIS E ATRAVEZ DELE QUE MATO A SAUDADES DA MINHA QUERIDA SANTOS.QUEM SABE UM DIA SE TIVER UMA OPORTUNIDADE MELHOR VOLTO A MORAR EM SANTOS.ABRAÇOS A TODOS E PARABENS PELAS MATERIAS.
Por pathricia moreno em 13/05/2012, às 12:09hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioO EGO dela é tão grande, que ela se clica até cagando!!!!!!!! Bem feito!
Por Mais uma morte para as estatísticas. em 13/05/2012, às 11:36hs
Comentar o comentárioOntem à noite, mais um acidente aconteceu na estrada de Nova Lima. Um jovem estudante de economia bateu seu carro após dirigir imprudentemente e colocar 180 km/h no velocímetro. O acidente aconteceu na madrugada do dia 13 e deixou um morto e dois feridos. A incapacidade da via de suporta certas condutas é evidente, mas o descaso das autoridades só contribui para manter as estatísticas elevadas. A demanda da população é por um radar na região já é antigo e, a cada acidente, a causa adere mais adeptos.
Por valter jjose vieira em 11/05/2012, às 22:36hs
Comentar o comentárioA lei que entra em vigor proibindo depósito prévio para atendimento em hospitais,será um complicador a mais para a sociedade. Como uma empresa vai funcionar sem a garantia de recebimento pela prestação de serviços, quando as evidências apontam para alto grau de endividamento e inadimplência do mercado? O governo não faz como deveria fazer sua parte e transfere os problemas para empresas, sem o devido cuidado de legislar as garantias. O sistema judiciário ineficiente e por conseguinte sobrecarregado, terá de tratar com mais este complicador.Esta situação poderá ter desdobramentos para restaurantes,hotéis,universidades ,etc. O cidadão vai ao restaurante não levando cheque,cartão ou dinheiro e diz que está com fome,fazendo a refeição, cabendo ao estabelecimento cobrar pelos serviços .Os efeitos colaterais serão sentidos nos mercados por analogia.E agora como fica....
Por Elvira Akchourin do Nascimento em 11/05/2012, às 21:09hs sobre As profissões das mães.
Comentar o comentárioParabéns pela escolha deste lindo texto. As mães são formadas em todas essas profissões mesmo, e tentam fazer tudo da melhor forma possível.
Por Rafael em 11/05/2012, às 16:09hs sobre O mistério das pedras Klerksdorp.
Comentar o comentárioQuanto ao assunto das pedras, achei muito interessante, mas também achei uma falha científica na metodologia usada para datar as mesmas.
O teste de Carbono 14 não pode ser usado em pedras ou em nenhuma liga metálica, para datar as mesmas. O teste de carbono 14 se baseia na absorção do carbono atmosférico pelos seres vivos. Quando a coisa morre, já não carrega carbono da atmosfera através de processos tais como alimentação ou respiração e os níveis de C14 no corpo se esgotam devido ao processo natural de decaimento radioativo.
Ao ver a quantidade de restos de C14 é possível ver quanto tempo se passou desde que o animal morreu. Portanto, o narrador estava equivocado quanto a este assunto. Datar pedras e ligas metálicas com precisão é muito difícil e ainda não existe método científico consistente para isso.
Outra coisa, novídeo, são mostradas imagens da "Death Star", do filem Star Wars, ao invés de um satélite natural de Júpiter.
Quanto as brocas, é um propriedade das mesmas que não furem material mais duro que elas próprias, por isso existem brocas de vários materiais, inclusive de diamante, que com certeza furaria uma dessas pedras. Um broca de aço não fura nem uma pedra de quartzo convencional.
Por Neuci Bicov Frade em 11/05/2012, às 13:00hs sobre Comunidade do Nova Cintra ganha sala de inclusão digital.
Comentar o comentárioNós do Cedir, ficamos muito orgulhosos e felizes com o excelente trabalho desenvolvido pelo Settaport.Parabéns!
Por Roberto Farias Viana em 11/05/2012, às 11:21hs sobre Toda nudez será hackeada....
Comentar o comentárioPrimeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela forma que aborda os assuntos em questão: sem rodeios. E aproveitando o gancho das fotos sensuais de Carol Dieckmann, as pessoas tem que ter mais cuidado com certos arquivos, pois pode se tornar num grande problemão. E mais uma vez, parabéns, Christian.
Por valter jose vieira em 07/05/2012, às 10:25hs
Comentar o comentárioO Santos,jogando com camisa azul,não combina com sua tradição e desvirtua até o hino e grito de guerra da torcida.A camisa preta e branca ,além de mais bonita não poderia e nem poderá ,em tempo algum ser substituida .Sugerimos a quem teve esta ideia, que reveja os conceitos e torne o preta e branco as cores oficiais e insubstituíveis desta grande equipe .
Por Jose A. Silva em 07/05/2012, às 08:07hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioO MP e a CETESB não respeitam o princípio da isonomia. Usam dois pesos e duas medidas e com isto perdem credibilidade.
Na cidade de São Paulo eles permitem que, ainda hoje, se continue construindo em Topos de Morro como a Av. Paulista, Sumaré, Perdizes, etc, etc.
Por Vitor em 06/05/2012, às 11:23hs sobre VTV completa 10 anos e prepara transmissão digital em HD.
Comentar o comentárioCorrigindo o senhor Gil Mansur, na copa de 1970 a televisão em cores não havia sido implantada no Brasil. A transmissão, a partir do México, era colorida, mas nossas emissoras retransmitiam em preto e branco.
A 1ª copa que assistimos em cores foi de a 1974.
Uma rápida pesquisa na internet comprova o que estou dizendo.
Por Wilson da Neves em 05/05/2012, às 09:17hs sobre Polêmica no alto do morro.
Comentar o comentárioIsso é que é falta do que fazer, o pessoal do morro da Sta.Teresinha estão lá legalmente.
Por Neusa Pedro em 30/04/2012, às 21:16hs sobre Raiz profunda.
Comentar o comentárioOi, Jadir!!!
Lindo e sábio a sua mensagem! adorei, tenho muito a aprender com estas leituras.
obrigada!!!
Por jose de abreu em 29/04/2012, às 14:09hs sobre Aplausos merecidos.
Comentar o comentárioParabens dr. roberto por esta informação
Por Roberto Mohamed em 28/04/2012, às 18:43hs sobre A selvageria na Libertadores.
Comentar o comentárioCaro Sergio:
Tenho profundo respeito pelo Presidente do Santos e o apoio em todas as iniciativas positivas para o clube, mas até hoje acho injustificável a sua incapacidade de ouvir críticas. Não é a primeira vez que ele perde a cabeça ao responder alguma indagação de um Conselheiro. Eu estava nessa reunião mas me retirei por conta do sistema chapa branca de perguntas por escrito. E acredito que se tivesse ficado, teria saído em defesa do Conselheiro Celso Leite, primeiro por achar que está certo, pois o filme é uma MERDA. Segundo porque jamais poderei admitir o desrespeito a um Conselheiro no uso de suas atribuições. Quem não consegue conviver com críticas, torne-se patrão na iniciativa privada ou vire o Lula. A Presidência de um clube do tamanho do Santos, implica em paciência para críticas e bom senso para respostas.