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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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10/02/2012

Colunistas / Social

Olhos nos Olhos com Plínio Soares

Olhos nos Olhos com Plínio Soares
JOGO RÁPIDO

Autor: Nelson Rodrigues.
Peça teatral: A criança enterrada, de Sam Sheppard.
Qualidade: generosidade.
Defeito: orgulho.
Medo: de não ser aceito.
Mania: escutar um CD à exaustão, até impregnar no meu ser.
Programa de TV: telejornais.
Sonho: ser protagonista de um filme.
Sim a: ajudar ao outro.
Não a: corrupção.

Poucos sabem, mas o ator PLÍNIO SOARES, que interpreta o Mestre Kung Fu de Malhação, é prata da casa. Nascido em Cubatão, é formado pela Escola de Arte Dramática da USP. Tem uma sólida trajetória no teatro, em que atuou em peças de Shakespeare, Samuel Beckett e Bertolt Brecht, entre outros autores. Dirigiu, entre outras peças teatrais, As Bruxas de Salem, de Arthur Miller. No cinema, seu trabalho mais assistido foi o filme holywoodiano Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), de Fernando Meirelles, uma adaptação do romance português de José Saramago.

Como foi sair de Cubatão para fazer sucesso no Brasil?
Considero esse "sucesso" na minha carreira apenas pelo fato de ter saído de um lugar onde, na época, não existia nada que propiciasse qualquer sonho artístico. Sou muito feliz no caminho que escolhi, por chegar aonde cheguei, e trabalhar com pessoas que jamais imaginei estar perto um dia.

Sabe o exato momento em que as coisas começaram a dar certo para sua carreira?

Esse momento é bastante claro: já tinha uma carreira no teatro bem encaminhada, quando fiz o filme Domésticas, do Fernando Meirelles e Nando Oliva.

O que tem a aprender com o Mestre Kung Fu, de Malhação?

Nunca havia feito nenhuma arte marcial na minha vida, quando surgiu esse papel. A personagem me colocou em outro espaço, passei a treinar para fazer o Mestre, embora para a novela eu não precisasse ser um praticante. A filosofia que prega o Kung Fu passou a fazer parte da minha vida.  Ganhei até prêmio por esse trabalho: o Top Brasil de Artes Marciais, pela divulgação da filosofia desse esporte.

Habituado a teatro e cinema, quais as principais diferenças em interpretar uma personagem na televisão?
O imediatismo. O cinema e o teatro têm um tempo muito diferente do da TV, onde eu tenho a possibilidade de, no ato do erro, voltar e regravar. Isso é impossível no teatro.

A experiência em lidar com o público é diferente no teatro, de que maneira?

No teatro, sinto a pulsação da plateia do meu lado. Sinto o cheiro e a minha interação com ela. Amo estar no palco.

Como foi a experiência de participar da adaptação de um texto de José Saramago, em inglês?
Sou superfã da atriz Julianne Moore. Quando soube da adaptação do livro desse autor, que adoro, pensei: "Quero fazer esse filme! Mas como? Não domino o idioma!". Isso me fez desistir em um primeiro momento. Mas, por insistência da produtora, O2, fiz o teste, em um inglês "macarrônico", e conquistei o papel! Não acredito, até hoje, que trabalhei com um elenco "hollywoodiano". Quando soube quem seria a atriz, aí foi "demais para o meu coração"! Quando ela me deu uma piscada, nos ensaios, de cumplicidade entre atores, tremi na base e agradeci a Deus por aquele momento tão especial.

Por que depois de tantos anos de carreira, se render à televisão?
Já tinha feito algumas participações em outras novelas, mas é a primeira vez que interpreto um papel que ficasse no ar por mais tempo.  Nunca foi o meu foco entrar pra TV, embora reconheça a dimensão da projeção que ela dá. Participar de Malhação está sendo mais um trabalho importante em minha carreira.
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