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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

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Ouhydes Fonseca

Ouhydes Fonseca
Segunda Leitura

17/02/2012

Colunistas / Segunda Leitura

Limdenberg, uma história de morte

Limdenberg, uma história de morte O julgamento do jovem Limdenberg Alves Fernandes, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel e mantê-la refém com outros três amigos em Santo André, Grande ABC, é um daqueles que despertam um interesse inusitado por parte da sociedade e mobilizam a mídia em geral para assegurar o mais amplo conhecimento sobre detalhes do acontecimento. De tal maneira que pode criar algum nível de influência não apenas na opinião do público em geral bem como do corpo de jurados encarregado de votar contra ou favor do réu. De um modo geral, os agentes da justiça têm dado pouca atenção aos reflexos que esse bombardeio da imprensa possa eventualmente causar no resultado do julgamento.

Aparentemente, essa situação poderá sofrer uma mudança. Submetido a uma comissão de 17 notáveis, uma proposta sobre o assunto não sofreu restrições e poderá ser aprovada na elaboração do novo Código Penal, no próximo mês. O repórter Felipe Coutinho, da Folha de S.Paulo, teve acesso a esse texto, que propõe a discussão se a cobertura “abusiva e degradante” feita pela imprensa poderá reduzir a pena dos réus condenados. A ideia é de que, na hora de declarar a sentença, o juiz – além de itens como o tipo do crime, a motivação do crime, a violência empregada, o comportamento e os antecedentes criminais do réu - leve em conta os efeitos psicológicos causados pela cobertura da imprensa.

De acordo com o desembargador José Muiños, “essa norma servirá para que o juiz considere que a sanção sofrida pelo condenado possa ser um atenuante. Outro membro da comissão, o advogado e professor René Dotti, exemplifica com a figura do apresentador de TV que faz campanha e condena publicamente uma pessoa. “É o limite entre a liberdade de informação e o abuso dessa liberdade”,diz.A comissão de juristas ressalta, porém, que os estudos não incluem nenhuma proposta de sanção ou censura à imprensa.

Ao ler sobre o caso Limdenberg, me lembrei de um livro baseado em fatos reais, que tem muito a ver com o tema. A literatura policial é baseada em alguns personagens básicos, como o criminoso, a vítima, o detetive, o policial e o jornalista, por exemplo. A relação entre eles faz surgir o enredo. Sem falar no público consumidor de suas ações, os leitores. Em O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm (Companhia das Letras, 1990), jornalista, ela se utiliza de uma história real para explorar o terreno moralmente ambíguo em que circulam os jornalistas e os indivíduos sobre os quais eles escrevem. Na orelha do livro, o editor explica que “o ponto de partida da escritora foi o inusitado processo judicial movido por Jeffrey McDonald, um médico condenado por assassinato, contra o jornalista e escritor Joe McGinnis que, após conquistar a confiança de McCdonald e com ele conviver por um longo período, escrevera um livro denegrindo-o e considerando-o um psicopata”.Janet realiza uma impressionante dissecação do que se passa entre os jornalistas e as pessoas que lhes servem de tema. E o que ela encontrou não é nada lisonjeiro para os primeiros”. “Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável”. Aqui fica uma sugestão para aqueles que gostam de histórias e fatos policiais.

     
   
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