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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

.Colunistas
Gugu Barbosa

Gugu Barbosa
Simplesmente Vinho

17/02/2012

Colunistas / Simplesmente Vinho

Andaluzia: seus aromas e sabores

Andaluzia: seus aromas e sabores
Enoleitores,

Viajar sempre é bom, traz cultura,  prazer, distração...

Já que estamos descansando neste dias de carnaval, deixemos nossa imaginação viajar através do que contaremos aqui, sobre a oportunidade única, quando participamos de uma enogastronomia com pratos típicos da Andaluzia, no restaurante Las Tinajas em Granada, Espanha.

Assim, dando asas à nossa fantasia, viajamos um pouquinho pela região, onde sente-se presente a alma desse povo e desse país, berço das touradas, do flamenco, da dança sevillana, das oliveiras responsáveis pela grande maioria do azeite produzido no país e do tradicional vinho de sobremesa jerez...

Terra que já abrigou império romano, foi de influência mulçumana, abrigando governo mouro. Em Granada, localiza-se o famoso Alhambra, lindo palácio construído na época da influência moura para ser moradia do último emir mulçumano na Espanha, e de onde pode ouvir-se o canto anadaluz vindo do bairro boêmio Albayzín.

Em nosso jantar, foram servidos três entradas: uma fria (minissalada de batatas, bacalhau e laranja) e duas quentes (uma sopinha da vovó à base de amendôas e ovo pochê, seguida de um rolinho de berinjela recheado com jamon ibérico), isso harmonizado à cava Juvé y Camps (brut nature - Gran Reserva, edição limitada), de coloração amarelo palha, fina perlage e aromas que lembram fermento de pão e amêndoas; no paladar é seca, boa adstringencia, persistente, sua qualidade foi uma agradável surpresa.

O primeiro prato foi uma posta de peixe de carne branca (tipico da região) com molho de camarão, marisco, pinolis e passas ao molho de jerez. Ficou melhor ainda combinado com o vinho branco Cantarranas 2010, da casta verdejo, Rueda (uma das uvas brancas nobres do país) apresentava uma cor amarelo palha com veios esverdeados, límpido e brilhante. Seus aromas eram de frutas como maçã, aniz e leve mentolado; na boca elegante, fresco, boa adstringência e persistência.

O segundo prato foi um medalhão de filé mignon ao molho de champignon, cebolas e vinho jerez, acompanhava legumes salteados. Muito bem casado ao tinto Rívola 2007 (sardon del Duero, Ribeira del Duero), blend da uva tempranillo, cabernet sauvignon e merlot, da tradicional Abadia Retuerta, Terras de Castilla y Leon, é um vinho de uma casa com mais de 800 anos de tradição, hoje pertencendo ao grupo suiço Novartis, tendo como enólogo o frances Pascal Delbeck, vinho de médio corpo, aromas de frutas vermelhas, especiarias, levemente terroso. Na boca, acidez correta associada a taninos equilibrados e macios, persistente.

De sobremesa serviram um sorvete de Pedro Ximenez, seguido de um flan de leche com maçãs e creme tipo chantilly.

O vinho servido foi obviamente um jerez Pedro Ximenez, sherry, bodegas Ruy Fernando de Castilla em Jerez de La Frontera, um vinho de cor de terra, lembrando aromas de calda de ameixa preta e especiarias, levemente amadeirado. No pálato também é pura calda de ameixas, alcaçuz, é elegante e persistente, perfeito para finalizarmos nossa refeição.

Foi realmente uma noite especial em que pudemos experimentar os aromas e sabores tipicos daquelas terras e assim conhecer um pouco mais sobre a cultura dessa região.

Enoabraços e bom carnaval a todos!
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