Coluna Dois

Corrida eleitoral da cartolagem: já foi dada a largada

28/01/2017
Motivações diversas podem levar alguém a se tornar cartola de um clube de futebol. As mais comuns, no Brasil, estão na relação abaixo:
 
– Ter acesso a negociações que envolvem  jogadores. O cartola pode figurar como sócio oculto de algum outro empresário ou simplesmente “morder” uma comissão em negócios efetivados por decisão dele. Existe também a prática, como na política, de abocanhar uma parte do salário não só de atletas mas também de outros funcionários contratados pelo clube. 
– Vaidade. Muitas vezes o dirigente já está realizado financeiramente e profissionalmente mas gosta muito de dar entrevistas e aparecer com destaque nos meios de comunicação.
– Amor ao clube. O cartola pode ser um torcedor – honesto, decente – que quer implantar no clube  métodos eficientes de gestão. 
 
Todas essas motivações explicam a interminável briga política que inferniza os bastidores dos grandes clubes brasileiros.
 
Um exercício interessante para você, leitora / leitor do Jornal da Orla, é identificar qual dessas três motivações movimenta os cartolas que disputam com unhas e dentes o poder no clube pelo qual você torce.
 
No Santos, neste início do terceiro ano de mandato de Modesto Roma, as movimentações com objetivos eleitorais para o final de ano estão ficando claras.
 
A gestão atual, preocupada – repentinamente – com os associados de São Paulo, apresenta o elenco para a temporada hoje no Pacaembu. Parece haver preocupação repentina também com torcedores que gostariam de ver no Peixe mecanismos de gestão do século 21, tanto que vai estar no Pacaembu hoje uma versão móvel da Santos Store.
 
Corre uma fofoca de que existe uma divisão entre o grupo de Roma e do ex-dirigente Marcelo Teixeira, que estaria descontente com muita coisa que está acontecendo no Santos. Se é mesmo verdade, as próximas movimentações vão mostrar. Modesto Roma corre o risco de ter as contas do segundo ano também reprovadas no Conselho e enfrentar processo de impeachment.
 
No Corinthians, o presidente Roberto Andrade já enfrenta um processo desse tipo. Andres Sanches e Luís Paulo Rosemberg tentaram uma composição para voltar a mandar no clube. Os bastidores fervem.
 
E no Palmeiras, os torcedores rezam para que a quizumba política que atormentou o clube nos últimos anos e resultou em dois rebaixamentos, não volte. Mas parece que as orações estão fracas. Leila Pereira e Paulo Nobre se digladiam e Mustafa Contursi espera o enfraquecimento dos dois para dar outro bote e voltar ao poder.

Quem sobra?
O regulamento do Paulistão obriga os times a inscreverem 28 atletas, sendo possível entregar a relação completa até o dia 03 de março. No Santos, com Luís Felipe e Gustavo Henrique de fora, é provável que Dorival deixe o zagueiro Noguera de fora da lista, contando apenas com Braz, Cléber e Veríssimo, já que Yuri e Leandro Donizetti podem atuar na função. Rafael Longuine, Vecchio, Serginho e os jovens Matheus Oliveira e Thaciano brigam por duas vagas. Daniel Guedes deve ficar de fora e Arthur Gomes deve ser integrado.

Estranho
O Grêmio, na janela de contratações, certamente entre os grandes é uma das maiores decepções até o momento. A fama de contratar refugos condiz com o trabalho do vice de futebol Odorico Roman. Além do mico de anunciar as contratações de Kayke e do uruguaio Fernández e não as concretizar, o clube gaúcho só acertou as vindas de Léo Moura, Bruno Cortez e Jael Cruel, além do desconhecido português Beto da Silva, com passagem pela base do clube.
 
Fique de olho
O Vitória perdeu o atacante Marinho, mas o trabalho do diretor de futebol Sinval Vieira, no papel, empolga o torcedor do Leão. Foram 12 reforços, com nomes de destaque, como os meias Cleiton Xavier, Dátolo, Gabriel Xavier e o argentino Pisculichi. Para o ataque, que já tinha o bom Kieza, veio o experiente André Lima. Para a zaga, Fred, do Grêmio e Alan Costa, do Inter, soam como boas chegadas, assim como o polivalente Leandro Salino. O time de Argel é franco favorito para conquistar a Copa do Nordeste e pode dar trabalho no Brasileiro.
 
Muito forte
O Corinthians foi campeão da Copinha pela décima vez. Parece fácil. Foram quatro finais consecutivas e dois títulos. Por outro lado, é impressionante como o clube não aproveita os valores. Malcom foi o ponto fora da curva e apenas outros cinco atletas tiveram alguma chance no profissional: Pedro Henrique, Léo Príncipe, Maycon, Marciel e Arana. Do meio para frente, o time deste ano era tecnicamente disparado o melhor dos quatro: Mantuan, Marquinhos, Fabrício Oya, Pedrinho e Carlinhos. Será que vão jogar?
 
Trintões em alta
Os 4 semifinalistas em simples no Grand Slam da Austrália já passaram dos 30. Rafael Nadal, 30, é o novato da turma. Roger Federer, 35, é o mais velho numa final de Grand Slam dos últimos 40 anos. Serena Williams, 35, enfrenta a irmã Venus, 36, renascida para o esporte.