Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017
Colunistas - 07/10/2017

Paulo e Guilherme Schiff

Paulo Schiff é jornalista. Guilherme Schiff é formando de Jornalismo na ESPM em São Paulo.

Coluna Dois

Redes que balançam pouco e arquibancadas vazias no Brasileiro

A média de público nos estádios de futebol, no Brasil, perde de goleada para a dos campeonatos europeus. Na média de gols por jogo, o Brasileirão também apanha feio.

Até que ponto esses dois índices guardam relação entre si? O campeão de público é o campeonato alemão. Média de 41.527 pagantes por jogo na temporada 2016- 2017. Na Premier League inglesa, público pagante médio de 35.808 espectadores. O Brasileiro capenga com minguados 15.907 torcedores, em média, a cada jogo das 26 primeiras rodadas de 2017. Menos da metade do inglês, pouco mais da terça parte do alemão!


A primeira coisa que vem ao pensamento diante desses números é o preço dos ingressos. Na Inglaterra, 31 libras (R$ 128). Na Alemanha, o preço médio do ingresso cai para R$ 40. Isso acontece porque uma parte de 20% a 30% da capacidade do estádio é destinada a quem quer assistir ao jogo em pé, com ingressos muito mais baratos.


As médias de público do Corinthians (38.697) e do São Paulo (35.441), as maiores do Brasileiro, ficam longe das do Borussia Dortmund (79.712), Bayern de Munich (75 mil), Manchester United (75.279), Barcelona (78.881), Real Madrid (69.736).


Um abismo.
O preço médio do ingresso do Brasileiro neste ano está perto de R$ 30. Isso equivale a 3,2% do salário mínimo no Brasil. Porcentagem quase idêntica à do ingresso inglês, em relação ao salário mínimo da Inglaterra: 3,1%. 


A população alemã é de 82 milhões. A da Inglaterra, de 53 milhões. Bem menores que a brasileira, de 207 milhões de habitantes.


Se o custo da ida ao estádio equivale e se o brasileiro gosta tanto de futebol quanto o europeu, por que esse abismo de público médio?


Muitos fatores entram aí: violência das torcidas, facilidade de acesso ao estádio, conforto e até o horário esdrúxulo dos jogos de quarta-feira, 21h45, adequado para a emissora que transmite e inviável para quem acorda cedo para trabalhar ou estudar no dia seguinte.


A média de gols por jogo também está entre esses fatores. O gol é o momento máximo do futebol. No campeonato alemão, a média é de 3,06 gols por partida. No inglês, 2,98. No Brasileiro deste ano, em 260 jogos, só 602 gols, média baixíssima de 2,31 por jogo. 


Os atacantes brasileiros de maior talento jogam fora do país. São atraídos por salários maiores de campeonatos mais rentáveis. Dos quatro relacionados por Tite na atual convocação, Neymar, Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Diego Tardelli, nenhum atua por clube brasileiro.    


Aí fica o dilema: as redes balançam pouco porque as arquibancadas estão vazias ou as arquibancadas estão vazias porque as redes balançam pouco?

 

Ricardo Oliveira- O gol contra o Palmeiras que garantiu a primeira vitória do Santos no Allianz Parque foi coisa de quem conhece muito a grande área. O artilheiro se descolou da marcação e intuiu onde o cruzamento de Bruno Henrique ia chegar. Fez um deslocamento final na contramão dos marcadores. Mas o desempenho neste ano está muito fraco. A média de gols por jogo do santista no Brasileiro, 0,25 (3 gols em 12 jogos), é menor que a metade das médias de Henrique Dourado, do Flu (0,64, com 14 gols em 22 jogos), e de Jô, do Corinthians (0,54, com 13 gols em 24 partidas).

 

Lucas Veríssimo- O zagueiro do Santos passou a figurar, depois do jogo contra o Palmeiras, no topo do ranking mundial de disputas aéreas num único jogo de grande liga desde 2013. Lucas Veríssimo é o 4o colocado, vencendo 18 disputas de bola pelo alto. O líder, o atacante belga Benteke, do Crystal Palace inglês (1,90 m de altura) , venceu 20 cabeceios num jogo contra o Newcastle. Mas perdeu 9 disputas aéreas, tendo portanto aproveitamento de 69%. Veríssimo (1,89 m) disputou 18 bolas altas e ganhou todas, aproveitamento de 100%.