Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017
Colunistas - 14/10/2017

Paulo e Guilherme Schiff

Paulo Schiff é jornalista. Guilherme Schiff é formando de Jornalismo na ESPM em São Paulo.

Coluna Dois

Eliminatórias desenham uma Copa com favoritismo fragmentado

Rafael Ribeiro/CBF

O nível de futebol coletivo atingido e a forma dos principais jogadores apontam os favoritos de sempre

Uma grande campanha nas eliminatórias nunca representou garantia de uma boa participação na Copa. A Copa acontece em outro momento e em outras condições, inclusive geográficas. Ainda assim, o desempenho nas eliminatórias dá uma referência para análise. O nível de futebol coletivo atingido e a forma dos principais jogadores apontam os favoritos. Os de sempre: Argentina, Brasil, Alemanha, Espanha e França. A Itália ainda disputa a repescagem e a Holanda ficou de fora.


O Brasil de Tite (foto) se descolou, graças ao treinador, da desorganização e da roubalheira da cartolagem. Mais ou menos como a economia está tentando fazer em relação à condução política do país. Tem um craque, Neymar, e dois candidatos, Gabriel Jesus e Philippe Coutinho. O time está estruturado e tem chances. 


A Argentina, que quase ficou de fora, também pode figurar entre os favoritos. Tem um treinador em começo de trabalho, Jorge Sampaoli, que levou a seleção chilena a grandes momentos, inclusive com a conquista de uma Copa América. Os argentinos também tem um jogador fora de série, Messi, e excelentes coadjuvantes. Sampaoli vai ter tempo para arrumar a defesa e conciliar Paulo Dybala, da Juventus de Turim, candidato forte a grande craque, com Lionel Messi no mesmo time.   


A Alemanha sobrou nas eliminatórias. Testou jogadores em todos os jogos. Teve aproveitamento de 100%. Já tinha sobrado na Copa das Confederações, conquistada com um time praticamente sub-23. O país tem, ao lado da Inglaterra, o futebol mais organizado do planeta, a melhor média de público, um sistema planejado de formação de jogadores e colhe o resultado de toda essa competência na seleção. Não tem super-craques. Mas o jogo coletivo dos alemães está consolidado.


A Espanha tem uma seleção muito forte. Mas precisa esperar o resultado e os desdobramentos do separatismo da Catalunha para saber se chega inteira, física e emocionalmente, na Copa.


A França tem uma das maiores promessas do futebol atual, Mbappé, atacante de 18 anos, e um dos jogadores mais eficientes do mundo, o volante Kanté, do Chelsea, eleito melhor jogador da Premier League inglesa, na temporada 2016/2017. Mas ainda está num patamar inferior aos 4 bichos-papões. 


A Bélgica do goleirão Courtois e dos atacantes Lukaku e Hazard merece observação. O Uruguai, de Cavani e Suárez, este se não morder nenhum adversário, também. E a grande curiosidade, como já aconteceu na Eurocopa, fica com o time meio amador, meio profissional da Islândia.

 

Com emoção
Duas cenas emocionantes marcaram a fase final das eliminatórias para a Copa do Mundo. Ainda no final de semana, foi a vez do Egito carimbar a vaga com gol aos 50 minutos do segundo tempo. Comoção geral no estádio, com direito a invasões, lágrimas e muita festa. Os egípcios não participavam desde 1990. Nesta semana, o Panamá conseguiu uma virada milagrosa, com gol aos 42 minutos do segundo tempo. O narrador e o comentarista da TVMax, rede local, choraram juntos no gol épico de Román Torres. É a primeira vez dos panamenhos numa Copa do Mundo.

 

Efeito reverso
A "geração dourada" do Chile ficou de fora da Copa 2018. O curioso é que os chilenos, em novembro do ano passado, fizeram uma denúncia contra a Bolívia, acatada pela FIFA, por escalação irregular do zagueiro Cabrera e ganharam dois pontos extras (o jogo havia sido 0x0). O problema é que o Peru também foi beneficiado (perdeu de 2x0) e acabou levando três pontos. Não fosse isso, o Chile teria classificado para a repescagem no lugar dos peruanos.