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Notícias/Local | 06/12/2017

Ponta da Praia receberá projeto piloto para minimizar erosão

Além de reduzir a energia das ondas, projeto servirá para ampliar conhecimentos que indicarão intervenções definitivas para conter o fenômeno

A Prefeitura de Santos vai executar projeto piloto na Ponta da Praia para minimizar a erosão e os danos causados pelas ressacas. A proposta, anunciada nesta quarta-feira (6) pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa, consiste na construção de um molhe com bags (sacos) geoformas de tecido geotêxtil (de baixo impacto ao meio ambiente) preenchidas com areia da praia.


Serão montadas duas estruturas submersas: uma a partir da mureta da orla, na altura da Rua Afonso Celso de Paula Lima, que segue mar adentro por 275 metros, e  outra paralela ao muro, em direção ao Canal 6, com 240 metros de extensão. Para o preenchimento das geoformas serão necessários 7 mil metros cúbicos de areia, material que já começou a ser retirado do Canal 2 e depositado no trecho entre o Canal 6 e o Aquário.


O projeto é embasado em nota técnica desenvolvida pelos professores Tiago Zenker Gireli e Patrícia Dalsoglio Garcia, da Unicamp, e que foi disponibilizada para a Prefeitura por intermédio de convênio sem custos para a Administração. Por se tratar de modelo físico montado em tamanho real e no local, além de reduzir a energia das ondas, também servirá para ampliar conhecimentos que indicarão intervenções definitivas para conter o processo erosivo acentuado nos últimos anos.


Segundo o prefeito Paulo Alexandre, esta solução já utilizada em outros países é inédita no Brasil. “Os estudos apontam que com esse posicionamento das estruturas nós vamos ter os impactos das ressacas minimizados. E isso também vai nos permitir coletar dados”. “Trata-se de obra rápida, de baixo custo, com mínimo impacto visual e baixíssimo impacto ambiental", explica o engenheiro Ernesto Tabuchi, que coordena o Grupo Técnico de Trabalho da Prefeitura criado para tratar dos estudos relativos à erosão costeira na orla das praias.


Período
A implantação do projeto piloto será em dezembro e janeiro e vai obrigar o remanejamento temporário das barracas de praias e dos ambulantes do trecho entre o Canal 6 e o Aquário. Após iniciada, a obra deve ser concluída em 40 dias.


A definição do período de intervenção está baseada em estudos que apontam esses meses com o menor risco de ressacas. “A janela meteorológica para uma intervenção costeira em Santos com necessidade de deposição de sedimentos será sempre no verão”, explica Tabuchi.


Para garantir a segurança dos frequentadores da praia, será necessário interditar um trecho da faixa de areia. “Coincide com o momento que a Cidade recebe o maior número de turistas. Mas este é um problema que não é do verão. É da Cidade e do ano inteiro, e nós precisamos enfrentar”, explica Paulo Alexandre.


Por causa da janela meteorológica, a obra será contratada de forma emergencial e custará quase R$ 3 milhões. O recurso para a execução do projeto piloto foi liberado pelo Ministério Público Estadual e é resultado de multa ambiental por acidente ocorrido no Porto de Santos. O valor estava depositado no Fundo Municipal de Meio Ambiente e definido para este fim.


Antes da contratação da obra, a Prefeitura de Santos, por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, consultou diversos organismos, inclusive os ambientais, não recebendo nenhuma manifestação contrária à intervenção. O projeto também foi submetido ao Conselho Municipal de Meio Ambiente. A Prefeitura ainda aguarda manifestação da Marinha e da Secretaria de Patrimônio da União que, a princípio, não se demonstraram contrários à implantação do projeto piloto.

 


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