Cotidiano | 20/01/2018

Febre Amarela: Sem razão para pânico!

Mirian Ribeiro - Da Redação
Rogério Bomfim/PMS

A indicação da vacina é somente para pessoas que irão viajar para áreas de alto risco da doença ou para fora do país

O momento é de atenção e cautela, mas sem pânico. É o que alertam as autoridades de saúde diante dos casos de febre amarela registrados no Estado de São Paulo e que têm levado um incontável número de pessoas à procura de vacina, congestionando os postos de saúde. O governo estadual fará ampla campanha de vacinação de 25 de janeiro a 17 de fevereiro, com dois dias de mobilização, o chamado Dia D, em 3 e 17 de fevereiro. Enquanto isso, a indicação da vacina é somente para pessoas que irão viajar para áreas de alto risco da doença ou para fora do país, o que exige certificação internacional.


A febre amarela é causada por vírus que, no passado, foi responsável por grandes epidemias com alta mortandade de pessoas, inclusive em Santos. A doença é transmitida por mosquito e se apresenta na forma silvestre e na forma urbana. O vírus é o mesmo, assim como os sintomas e a evolução.


A recomendação de vacina na cidade é uma medida de prevenção, pois todos os casos registrados no estado até agora, com 21 óbitos desde janeiro de 2017, são do tipo silvestre, transmitido pelos mosquitos Haemagogus, presentes nas matas e beira dos rios. A febre amarela urbana é transmitida por nosso velho conhecido: o Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da dengue e zika. Mas desde 1942 o Brasil não registra caso no meio urbano.


“Não há necessidade de se apavorar. Não temos casos na Baixada Santista. Faço um apelo à população para que aguarde o início da campanha. Neste momento a vacina é indicada somente para pessoas que vão viajar para áreas endêmicas ou fazer uma viagem internacional”, tranquiliza Ana Paula Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde.


O médico infectologista Marco Caseiro reforça o pedido: “A Baixada Santista é zero de preocupação em emergência. Não temos nenhum caso de mortalidade de macaco por febre amarela. A região foi incluída na vacinação por seu potencial, estamos em temporada de verão quando aumenta o fluxo de pessoas que vêm do interior. Mas haverá um mês inteiro de vacina, com dois dias de grande mobilização”.
 

Viagem para o exterior
Quem for para fora do país deve procurar a Policlínica da Aparecida (Avenida Pedro Lessa, 1.728) e apresentar documentação que comprove a viagem. No caso de deslocamento interno, Marco Caseiro pede o bom senso e honestidade das pessoas.  "Neste caso temos que confiar no que a pessoa informar. A população deve ter calma e se vacinar se for necessário". A imunização deve ocorrer com, no mínimo, 10 dias de antecedência para que o organismo inicie a produção de anticorpos no início da viagem.

 

Macaco é tão vítima quanto o homem
A febre amarela é uma doença infecciosa e a única forma de transmissão é pela picada do mosquito que carrega o vírus. O médico Marco Caseiro lembra que não há transmissão interpessoal e que o macaco é tão vitima quanto o homem. "Desde 1942 não há transmissão urbana, só febre amarela silvestre. O homem quando entra neste ambiente se contamina. Os casos registrados foram em pessoas que pegaram a doença dentro da mata ou nos arredores".

 

Vacina é principal forma de prevenção

A  vacina da febre amarela é considerada extremamente eficaz e segura. Segundo Marco Caseiro, a desconfiança quanto à eficácia da vacina fracionada, que será utilizada na campanha, não procede. “A eficácia da vacina plena é a mesma da fracionada, a diferença é o tempo de efeito. Uma única dose da vacina plena é suficiente para proteção ao longo da vida, a fracionada, a princípio, tem validade de 8 anos e precisará de reforço depois disso. Pode ser mais tempo, mas 8 anos é uma margem de segurança”.


A opção pela fracionada deve-se à urgência na vacinação da população. "A vacina é produzida em embrião de ovo de galinha, com vírus vivo atenuado, como acontece com a Sabin. Não daria tempo para fabricar a quantidade que será disponibilizada", diz Caseiro.


Disponível nas 22 policlínicas -  Ana Paula Valeiras informa que Santos receberá 421 mil doses da vacina, que estarão disponíveis nas 22 policlínicas de Santos, das 8 às 17h: seis na orla, seis na Zona Noroeste, cinco nos morros e cinco na região do Centro e em Caruarua, na Área Continental. Além disso, haverá dois dias de mobilização geral, o chamado Dia D: 3 e 17 de fevereiro. A meta é que 8 milhões de pessoas em todo o estado.


A pessoa deve apresentar documento de identificação e carteira de vacinação, se tiver. Pessoas acima de 60 anos devem apresentar declaração médica, recomendando a vacina. A imunização não é indicada para indivíduos com baixa imunidade, oncológicos, transplantados e grávidas. Entre as possíveis reações podem surgir dor local, febre baixa, paralesia, paresia (diminuição da força muscular), mas Caseiro garante que esses são casos raros.

 

Combate ao mosquito é fundamental

A febre amarela foi introduzida no Brasil a partir da África e apresenta uma ocorrência endêmica, principalmente na região amazônica. Fora dela, surtos da doença são registrados esporadicamente quando o vírus encontra uma população de susceptíveis (pessoas não vacinadas).


A vacina foi desenvolvida somente em 1937, antes disso a doença nas cidades foi combatida apenas com o controle do vetor, envolvendo medidas duras para forçar a população a aderir aos cuidados na eliminação de focos do mosquito. 


O problema, como lembra Caseiro, é que de lá para cá o Aedes aegypti se adaptou ao ambiente urbano e a viver dentro das casas. Nesta época do ano, de temperaturas altas e úmidas, o mosquito encontra condições ideais para se multiplicar, o que aumenta as responsabilidades da população no combate ao inseto.

 

Sintomas e tratamento
A febre amarela é uma infecção aguda. Em um ou dois dias o individuo melhora e, depois, a febre pode retornar, com quadro de icterícia (amarelamento), hemorragia e outros sintomas, como dor muscular, náuseas, vômitos, dor de cabeça, fadiga. "A doença faz uma grande destruição hepática, uma hepatite fulminante, insuficiência renal. Em quadro graves o índice de mortalidade é quase 100%", adverte Caseiro.


Caseiro reconhece que, muitas vezes, o diagnóstico é difícil por se confundir com os de outras doenças virais agudas.  "É preciso conversar com o paciente, conhecer seu histórico clinico, por onde andou". Atualmente, não existe medicamento antiviral específico para tratar a febre amarela, mas cuidados específicos para combater os sintomas. 


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