Cultura | 19/01/2018

'Se a Bossa Nova é velha, o Rock, o Jazz e o Bolero são velhíssimos', diz Paulo Costta

Bárbara Camargo - Da Redação
Foto: Jean Riz/Divulgação

Considerado 'embaixador' da Bossa Nova na França, o cantor brinca com a ideia de que o estilo é coisa do passado

Considerado como o ‘embaixador’ da Bossa Nova na França, Paulo Costta é uma das principais atrações do festival Rio Santos Bossa Fest. O show, um tributo a João Gilberto, é inédito, criado especialmente para a cidade, e acontece na terça-feira (23), às 19h, no Teatro Coliseu. 


Bem-humorado, o artista não desconversou quando questionado se a Bossa Nova é um movimento do passado: “Ela é uma das coisas mais bem realizadas de arte neste país”, disse. Confira a entrevista:


Jornal da Orla- Paulo, como foi a experiência de preparar um show homenageando João Gilberto, especialmente para o Rio Santos Bossa Fest?
Paulo Costta –
Para mim, a experiência em fazer um show em homenagem ao João (Gilberto) é muito boa. Eu agradeço muito ao Cássio (Laranja, organizador do Rio Santos Bossa Fest), ao festival, porque ninguém homenageia o João, que é o criador da Bossa Nova. Eu não sei o que seria da minha carreira artística se não houvesse o João! Estou com uma grande expectativa, preparei até um violão especial, porque a experiência é fantástica!

 

JO- Qual sua expectativa para este encontro com o público santista? 
Paulo –
O público santista é muito especial. Eu morei um tempo na cidade e fiz alguns shows, com muita receptividade e carinho das pessoas. Então, sempre que eu volto é uma alegria!

 

JO - Em sua experiência no exterior, qual a importância da nossa Bossa Nova para os estrangeiros?
Paulo –
Pude constatar que a música brasileira que se conhece, que se admira e que se aprecia na Europa é a Bossa Nova. É a referência do Brasil. Inclusive, os músicos franceses, belgas tocam e cantam Bossa Nova, fazem homenagens ao João e ao Jobim. Para mim, foi uma experiência fantástica lá (na França). Eles me consideravam o embaixador da Bossa Nova. 


JO- Há quem diga que a Bossa Nova é “antiga”. O senhor concorda ou há uma nova geração de artistas?
Paulo –
Se a Bossa Nova é velha, então, o Rock é velho, o Jazz é velho, o Bolero é velhíssimo!! Tudo é velho. Eu estou muito surpreso e animado, pois estou vendo muita gente tocando Bossa Nova. Eu gostaria até de ver mais gente aparecendo e, se possível, como fizeram com o Jazz criando o Bebop, trazendo outras informações e estilos, continuando com esse legado de uma música importantíssima, uma das coisas mais bem realizadas de arte neste país. Aliás, tem uma frase fantástica do Caetano Veloso que diz: “O povo brasileiro precisa merecer a Bossa Nova”. 


JO- Qual a importância de um festival como o Rio Santos Bossa Fest, diante do cenário atual musical brasileiro?
Paulo –
Eu acho fundamental a existência de um festival como esse em nosso cenário, que está tão pobrezinho. Gostaria que houvesse mais festivais no Brasil inteiro.

 

Serviço:

Tributo a João Gilberto, por Paulo Costta - Rio Santos Bossa Fest

Terça-feira (23), às 19h

Teatro Coliseu (Rua Amador Bueno, 237, Centro)

Ingressos: gratuitos, limitados e distribuídos uma hora antes da apresentação
 


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