Quinta-Feira, 24 de Maio de 2018
Cotidiano - 10/02/2018

Caia na folia sem esquecer o preservativo

Jovens estão entre os que menos usam camisinha no Brasil

Da Redação

Prevenir é Viver o Carnaval #VamosCombinar é o tema da Campanha de Prevenção do Carnaval 2018, lançada pelo Ministério da Saúde. A ação aposta nas diversas formas de prevenção para evitar o HIV, vírus responsável pela AIDS, e promover a qualidade de vida de quem já é portador. Estão sendo distribuídos, gratuitamente, mais de 100 milhões de preservativos em todo o país e veiculadas peças publicitárias para TV, rádio e jornal.


Segundo o Ministério, atualmente 830 mil pessoas vivem com o vírus no Brasil e, destas, 548 mil estão em tratamento. Estima-se que 136 mil pessoas ainda não sabem que estão com HIV e que 196 mil sabem que tem o vírus e não estão em tratamento.


A epidemia avança no país na faixa etária de 20 a 24 anos, na qual a taxa de detecção subiu de 14,9 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 22,2 casos em 2016. Entre os jovens de 15 a 19 anos, o índice aumentou, passando de 3,0 em 2006 para 5,4 em 2016. O hábito de não usar camisinha tem impacto direto no aumento de casos de AIDS entre os jovens.
 

Jovens são os mais descuidados
De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, os jovens são os que menos usam preservativos. Foi verificada queda no uso regular de camisinhas entre a faixa etária de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais como com parceiros fixos.


Este cenário preocupante é reforçado pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada nas escolas de todo o país com adolescentes de 13 a 17 anos: 35,6% dos alunos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual. O mesmo estudo aponta que, quanto mais jovem, menor é o uso da camisinha. Enquanto 31,8% dos jovens de 16 e 17 anos não usaram preservativos em sua primeira relação sexual, esse índice sobe para mais de 40% entre os jovens de 13 a 15 anos.

 

Forma de transmissão
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, a doença cresce entre homens que fazem sexo com homens (aumento de 33% na comparação a 2006), mudando o perfil, nos últimos 10 anos, quando a proporção maior de caso era de transmissão heterossexual. 

 

Tratamento avançado
Hoje, o SUS disponibiliza às pessoas vivendo com HIV o medicamento  dolutegravir, considerado como o melhor tratamento contra a doença no mundo. O novo medicamento apresenta um nível muito baixo de eventos adversos, o que é importante para os pacientes que devem tomar o medicamento todos os dias, para o resto da vida. Cerca de 300 mil pacientes portadores do vírus receberão o tratamento em 2018, segundo o ministério.

 

DSTs transmitidas através do contato

Sinônimo de festa, alegria e muita diversão, o Carnaval desperta o sinal de alerta para os cuidados com doenças sexualmente transmissíveis, que podem ser adquiridas também através do contato. A infectologista Joana D'arc, da Aliança Instituto de Oncologia, atenta para a falta de higiene e o mau estado de conservação encontrados em banheiros químicos e vasos sanitários disponíveis durante os tradicionais blocos de rua. "Algumas doenças são adquiridas por contato, como é o caso do HPV, que pode ser transmitido através de um possível contato com a região pubiana, uso de roupas íntimas e fômites", acrescenta. Fômite é qualquer objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos, de um indivíduo a outro.


A médica destaca a importância do diagnóstico preciso em casos de exposição sexual desprotegida. "Quanto antes melhor. Depois de uma relação sexual desprotegida, consentida ou não, deve-se procurar os serviços de saúde de imediato, mesmo que não haja manifestação clínica, pois algumas doenças não apresentam sintomas e as manifestações são tardias", adverte.