Cotidiano | 12/05/2018

'Ela é mesmo sua mãe?'

Bárbara Camargo - Da Redação
Fotos: Bárbara Camargo/Jornal da Orla

Neste Dia das Mães conversamos com mães e filhas que são tão parecidas fisicamente, que mais parecem irmãs!

“É a sua mãe?”. Gabriela, 25, e Carolyne, 20, perderam as contas de quantas vezes ouviram essa pergunta desde a adolescência, quando começaram a ter muitas semelhanças físicas com suas mães, Leia e Kelly, 44, respectivamente. Donas de espíritos jovens, atentas aos cuidados com o corpo, roupas modernas e ajustadas e até tatuagens: não é difícil confundir as belas mamães como irmãs mais velhas de suas filhas. 


Somente bem de perto, num bate-papo informal, é possível reconhecer quem é quem e, ainda assim, às vezes, os papéis se invertem, elas garantem.


Os estilos de vida de Leia e Kelly se refletem na relação com as meninas. Nada de controle, proteção exagerada ou conservadorismo. No lugar do antigo 'papel de mãe' entra a mãe que preza pelo diálogo, orientação e, acima de tudo, respeitando a liberdade e a individualidade das crias. Mais do que mães, são amigas, como elas gostam de dizer.
 

Lidando com ciúme


A técnica em enfermagem Leia Lopes tem outros dois filhos, mas é a primogênita, Gabriela Guedes Marcondes, quem mais tem aquele sentimento de zelo excessivo. "Não é ciúme!", protesta a bancária, "é que minha mãe usa roupas muito curtas. Ela deveria usar roupa de mãe", brinca.  


Por 'roupa de mãe' entende-se peças comportadas, longas e nada de decotes ou minissaias. "É uma tremenda desvantagem ter uma mãe assim, porque ela é mais bonita. Alguns amigos me chamam de enteada! Na época da escola, outros os falavam que ela era melhor do que eu", defende-se a filha. Naturalmente, um exagero, pois Gabi é a cara da mãe.


"A gente já se acostumou com as pessoas nos perguntando se somos irmãs. Mas também já passamos por situações constrangedoras, principalmente, nas redes sociais. Sempre que ela posta uma foto comigo, amigos dela me adicionam", diverte-se Leia, que relembra outras desvantagens de ser tão jovem e ter uma filha ciumenta. 


"Quando ela morava comigo havia uma espécie de competição, pois ela usava minhas roupas, meus xampus. E o pior: não me deixava namorar seus amigos mais velhos!".
 

Parecidas, só por fora


Carolyne Graziely é a caçula dos três filhos de Kelly Archanjo e também a que mais possui semelhanças físicas com a mãe. Os cabelos longos, o formato dos olhos e a cor da pele realçam essas similaridades. "Na internet sempre tem um ou outro comentário dizendo que somos gêmeas. Mas é só mesmo na aparência", garante Carol.  


As diferenças se mostram nas escolhas profissionais de mãe e filha: Kelly é avaliadora de imóveis, já a moça estuda para ser engenheira mecânica. "Nós não nos achamos parecidas nem fisicamente. As pessoas é quem nos alertam para isso e talvez ela tenha o meu nariz! (risos) Mas nossas personalidades são completamente diferentes", diz a mãe.


Apesar disso, mãe e filha compartilham o mesmo gosto por tatuagens (tanto que fizeram uma juntas) e por moda. "Nosso guarda-roupa é quase um só, porque a Carol usa todas as minhas roupas!", provoca a mãe. A estudante se defende: "Ela tem mais roupas do que eu!".


Diferentemente de Leia e Gabi, nesta relação, não há ciúme. "A maior vantagem de ter uma mãe tão jovem é que fazemos quase tudo juntas, saímos, vamos a barzinhos. Essa semelhança não nos incomoda. É até bacana!", diz Carolyne.


Aqui, os homens também causam situações embaraçosas. "O namorado dela se assustou quando me viu, disse que ela era minha cópia. Nas redes sociais sempre recebo solicitação de amizades de meninos que não conheço. Eu tiro 'print' (cópia da tela) e envio para ela, porque não quero ter problemas", ri a mãe.
 

Mãe amiga das amigas

Leia e Kelly são o tipo de mãe que muitas mulheres gostariam de ter. Bem-humoradas e modernas, fogem ao padrão de mães excessivamente corujas e controladoras, o que traz leveza e uma relação de confiança com as filhas.


"Nós conversamos sobre todos os assuntos. Quando tive a minha primeira relação sexual, foi para ela que contei. Não temos segredos. De tão mente aberta que ela é, as minhas amigas de adolescência vinham pedir os conselhos que não recebiam em casa, pois não havia esta liberdade e diálogo com suas mães. Para mim, esta é a maior vantagem: minha mãe sempre foi minha melhor amiga", declara Gabriela. 


Esta característica de mãe conselheira e acolhedora de Leia se reflete diretamente na personalidade da filha. "Gabi se tornou uma mulher independente, livre, que sempre trabalhou, teve coragem de ir em busca do que era seu. Ela é o meu orgulho", derrete-se a mãe.


Na outra casa, a história se repete. Kelly é uma mãe que demonstra garra e verdadeira paixão pelos filhos, sem que isso os sufoque ou impeça de que se sintam livres para serem quem são em suas essências. 


"Quando eu decidi ser mãe, eu quis ser a mãe que eu queria ter tido. Eu não encaro essa coisa de mãe do passado. Filho é para amar, orientar e para estar pronta para o que eles precisarem de você. Eles não são uma propriedade sua. Assim, eu acabo sendo mais amiga do que mãe. Isso tem funcionado muito bem pra mim", conclui Kelly.


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