Colunistas | 06/10/2018

Resenha da semana: Venom

Nem mesmo Tom Hardy consegue salvar essa adaptação do fracasso total

Os anti-heróis estão cada vez mais ganhando espaço na cultura pop e consequentemente nos cinemas, seja pelo cansaço do público pelos mocinhos ou pela época em que vivemos. Nascido nos quadrinhos como o maior antagonista do Homem-Aranha, Venom teve sua primeira aparição no terceiro filme da trilogia do aracnídeo, dirigido por Sam Raimi em 2007. Em seu primeiro filme solo, o personagem não tem absolutamente nenhuma conexão com os personagens da MARVEL e muito menos com o universo destes super heróis. Venom é uma história de origem e neste bizarro filme, dirigido pelo comprovadamente fraco Ruben Fleischer, tem seu melhor momento quando as luzes acendem, e quando isso aconteceu, precisei de alguns segundos para entender o que aconteceu no meio do caminho, para que entregassem um produto tão fraco e irregular ao público.


O longa se passa em São Francisco, Estados Unidos e nos apresenta a Eddie Brock (Tom Hardy), um jornalista investigativo que tem um quadro próprio em uma emissora local. Um dia, ele é escalado para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, que tem investido bastante em missões espaciais de forma a encontrar possíveis usos medicinais para a humanidade. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos em humanos. Ele resolve denunciar esta situação durante a entrevista, o que faz com que seja demitido. Seis meses depois, o ainda desempregado Brock é procurado pela dra. Dora Skirth (Jenny Slate) com uma denúncia: Drake estaria usando simbiontes alienígenas em testes com humanos, muitos deles mortos como cobaias. O tom inicial que o filme propõe é que o público verá um suspense sombrio com uma pegada de terror mas o resultado é uma bagunça que, tentando ser alguma coisa, acaba não conseguindo ser nada. Ruben Fleischer, mesmo diretor de Zumbilândia, perdeu a mão e seu trabalho é um desastre em todos os sentidos. Sua condução nas cenas de ação não empolga, cheio de cortes excessivos que são impossíveis de compreender, os efeitos especiais são muito fracos (o excesso de computação gráfica não deixa o público distinguir quem é quem) e a trilha sonora é totalmente fora do tom do filme (acertando apenas na breve cena "romântica" entre o simbionte e o protagonista). Tive a nítida sensação de que o filme foi feito às pressas pelos produtores, que aparentemente queriam nadar na onda de sucessos recentes do gênero. O diretor até parece tentar fazer um filme para adultos, afinal era isso que o longa exigia, mas ele sempre amarela no final. Depois de tantos pontos negativos, talvez o maior problema do filme esteja em seu roteiro. Indeciso no que quer ser, incoerente em diversos pontos com situações pouco convincentes, personagens mal desenvolvidos, diálogos expositivos e sem nenhuma carga dramática, o longa perde a oportunidade em abraçar de vez a loucura que o personagem transmite.


Se o longa tem algum ponto positivo, talvez seja seu astro principal. Tom Hardy, que é um ator que admiro (procurem por Locke e Bronson e verão o quanto o ator se entrega em seus papéis) está nitidamente se divertindo em cena. Criando uma conexão bem humorada com o simbionte, Hardy tenta de todas as formas dar alguma autenticidade ao personagem mas sempre é sabotado pelo péssimo roteiro, que perde a chance de se aprofundar em sua esquizofrenia e em seu lado sombrio.


Venom tinha um grande potencial de ser um filme violento, tenso e que focasse nas questões psicológicas de seu protagonista mas peca na falta de coragem de seus realizadores e em uma direção desastrosa que nem mesmo Tom Hardy consegue salvar do fracasso total.


Curiosidades:  Os diretores John Carpenter e David Cronenberg e os filmes Um Lobisomem Americano em Londres (1981) and Os Caça-Fantasmas (1984) foram as principais inspirações da produção do longa.

 

 

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