Colunistas/Cinema | 10/11/2018

Resenha da semana: Operação Overlord

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

FOTO: REPRODUÇÃO

Puro entretenimento escapista. Nada mais do que isso.

A Segunda Guerra Mundial já trouxe verdadeiras obras primas para o cinema e a Operação Overlord, do título deste filme, realmente existiu e foi o codinome para a batalha da Normandia, que teve início em 06 de julho de 1944 com a invasão americana pela praia de Omaha para aniquilar o exército alemão, liderado por Adolph Hitler. Aqui, de verídico só o cenário da segunda guerra, pois o longa Operação Overlord consegue ser uma mistura de Resgate do Soldado Ryan com Madrugada dos Mortos. Entre erros e acertos, é simplesmente um puro entretenimento escapista. Nada mais do que isso.

 

Na trama, uma tropa de paraquedistas americanos é lançada atrás das linhas inimigas para uma missão crucial. Mas, quando se aproximam do alvo, percebem que não é só uma simples operação militar e tem mais coisas acontecendo no lugar, que está ocupado por nazistas. A direção é de Julius Avery, que não dirigiu nada relevante em sua curta carreira, mas aqui demonstra controle e habilidade ao transitar entre o gênero de guerra e terror. Logo na cena inicial, o senso de urgência instaurado pelo diretor, com ângulos de câmera e uso de cores e sons, conseguem nos transportar aos horrores da guerra ao nos colocar diretamente dentro da ação em um ambiente claustrofóbico (um avião), com uma cena eletrizante, muito bem conduzida e com efeitos especiais e sonoros excelentes. Intercalando bem o lado histórico com o irreal, o diretor se sai bem na condução de cenas de ação, mas quem for atrás de um filme de terror, vai se decepcionar, pois apesar de soar um pouco fantasioso, o diretor opta por uma abordagem mais séria e dramática. E talvez esse seja o maior erro do filme, não se assumir um longa de terror e tentar transitar por diversos gêneros, porém não conseguindo ser relevante e se destacar em nenhum deles. O roteiro, assinado por Billy Ray e Mark L. Smith mistura os elementos de guerra, suspense e horror com certo clichê, mas que mesmo assim foi pouco explorado pelo cinema, o que dá uma certa originalidade ao projeto. Não há necessariamente problemas de ritmo no filme, mas é inegável a irregularidade da narrativa, que fará com que o público se desinteresse pela história, pois a quantidade de clichês é enorme, os diálogos são extremamente expositivos, o vilão é genérico demais e as atitudes de alguns personagens ferem a inteligência do público. Os personagens, apesar de não serem bem desenvolvidos e seguirem os padrões do cara durão, o bom moço e o falastrão, conseguem se destacar e fazer com que o público sintam suas perdas e se importem com seus destinos. Vale destacar a utilização da criança pelo roteiro, que aqui é tratada não como um prodígio e nem infantilizada, mas sim como apenas uma criança no meio da guerra, imitando adultos e entrando em pânico em frente a todas aquelas atrocidades.

 

Em termos técnicos, o filme se sai razoavelmente bem, com efeitos práticos competentes, uma trilha sonora que ajuda a compor a atmosfera de suspense, as locações funcionam e a mixagem de som arremessa o público naquele cenário de horror. O filme é cheio de cenas impactantes de violência, com um bom uso de maquiagem para as cenas mais grotescas.

 

O elenco contribui para nos envolvermos com a história e, mesmo por não contar com um elenco famoso, os atores se saem bem, com destaque para o protagonista Jovan Adepo, com um senso moralista e que passa a emoção necessária ao personagem e Wyatt Russell, como o durão e impetuoso líder do grupo.

 

Operação Overlord é um filme divertido, violento e que consegue apresentar e misturar, com certa eficiência, um novo gênero ao cinema mas que não conseguirá marcar seu lugar de destaque nos cinemas, tornando-se uma opção moderada para passar o tempo.

 

Curiosidades:  O filme é um dos selecionados para a 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 


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