Colunistas/Cinema | 17/11/2018

Resenha da semana: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Arrastado, cansativo, confuso, desorganizado e com pouquíssima criatividade. Querem mais?

Animais Fantásticos é reservado para os fãs e conhecedores do universo Harry Potter e quem ainda não conhece a história, certamente se sentirá desorientado. Sua autora, J.K. Rowling, se consolidou como uma das escritoras mais influentes dos últimos tempos sendo a criadora deste fantástico universo e apresentando, em 2016, uma nova franquia com o mediano "Animais Fantásticos e Onde Habitam", que apresentou novos personagens que remetiam diretamente a franquia do pequeno bruxo, que reascendeu a paixão dos fãs no mundo todo. Porém neste novo filme, para minha surpresa, Rowling é o maior dos problemas por ser uma escritora de livros e não de roteiros. Aqui, ela desenvolve pessimamente seus personagens e a narrativa se torna arrastada, cansativa, confusa, desorganizado e com pouquíssima criatividade.

 

Na nova trama, Newt Scamander (Eddie Redmayne) reencontra os queridos amigos Tina Goldstein (Katherine Waterston), Queenie Goldstein (Alison Sudol) e Jacob Kowalski (Dan Fogler). Ele é recrutado pelo seu antigo professor em Hogwarts, Alvo Dumbledore (Jude Law), para enfrentar o terrível bruxo das trevas Gellert Grindelwald (Johnny Depp), que escapou da custódia da MACUSA (Congresso Mágico dos EUA) e reúne seguidores, dividindo o mundo entre seres de magos sangue puro e seres não-mágicos.

 

Novamente dirigido por David Yates, Animais Fantásticos tem início com uma sequência de fuga empolgante, com utilizações criativas de feitiços que somada a sua montagem se torna a melhor cena de ação do filme. Após isso, o diretor perde a energia inicial e o filme se torna chato, com a introdução de diversos personagens que não tem espaço suficiente para se tornarem relevantes. O diretor, que é o que mais dirigiu filmes neste universo, mais uma vez  faz o básico e não consegue criar uma atmosfera de suspense e parece entregar o filme totalmente para sua equipe técnica, o que tira um pouco da autoria e visão do longa, o que nas mãos de outro diretor poderia acabar em algo interessante. Agora vamos ao seu grande problema, o roteiro de Rowling. A história é inchada, sem um direcionamento e com diversas histórias e personagens paralelos, que são apresentados a todo instante e com tantas pontas soltas que o público não consegue se identificar com nenhum deles. Tirando a bombástica e eficaz revelação final, o terceiro ato é totalmente anti climático para quem esperava algo épico e impactante. A sequência é genérica (como todas suas cenas de ação) e suas reviravoltas são óbvias demais com o foco caindo sobre personagens secundários que não possuem absolutamente nenhum elo emocional com o público. Um ponto positivo para a roteirista, é a construção de seu vilão com argumentos e motivações bem definidos e discursos amedrontadores que é muito bem apresentado.

 

Na parte técnica, a montagem do filme é um dos quesitos mais graves, com transições bruscas que soam como se faltassem pedaços do filme, que dificultam a imersão do público. Os efeitos especiais são espetaculares, com destaque para os animais que são muito bem trabalhados e apresentam personalidade própria, o design de produção possui cenários grandiosos e com uma riqueza de detalhes incríveis e a trilha sonora do sempre competente John Williams é empolgante nos momentos certos.

 

Nas atuações, o personagem principal interpretado por Eddie Redmayne consegue a proeza de ser o coadjuvante de seu próprio filme. O ator não tem carisma e personalidade que o façam ser o protagonista deste longa, ao contrário da presença de Jude Law, que apesar de pouco tempo de tela, acerta nos trejeitos de Dumbledore, dando vida e personalidade ao que se tornaria um dos melhores personagens da série. Ao mesmo tempo, Johnny Depp constrói um vilão sério e ameaçador, com destaque para seu discurso no final onde entrega uma interpretação fora dos padrões de personagens que ele mesmo construiu.

 

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald funciona em raros momentos e derrapa em diversos outros, tendo seu maior problema na criação de seu confuso roteiro, o que pode causar saudade aos nostálgicos fãs do universo Harry Potter.

 

Curiosidades: Segundo filme da trilogia Animais Fantásticos e Onde Habitam baseada na obra de J.K. Rowling.
 

 

Confira a programação dos filmes nos cinemas de Santos e Região


Leia também

Colunistas | 23/03/2019
Colunistas | 02/03/2019