Colunistas/Cinema | 08/12/2018

Resenha da semana: O Chamado do Mal

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Não consigo entender porque ainda existem filmes assim. E pior, como tem gente que ainda assiste

O terror é um gênero que ganhou destaque recentemente com excelentes obras que apresentavam elementos diferenciados para se sobressair das restantes: criavam uma construção de suspense e atmosfera  consistente aliado a uma narrativa convincente com um significativo desenvolvimento de seus personagens. O gênero não precisa necessariamente trazer algo de novo (até porque seria impossível), mas no mínimo fazer com que o público entenda as motivações dos personagens e encontre certa proximidade com eles, ao ponto que se preocupe com seus destinos. Isso causa uma imersão e apreensão com a história que deixa nossa experiência, dentro dos cinemas, mais aterrorizante. O Chamado do Mal possui uma premissa que, de início, até se mostra interessante por trazer elementos de O Bebê de Rosemary e Invocação do Mal. Mas não, O Chamado do Mal é muito ruim, sendo que não consigo entender porque ainda existem filmes assim. E pior, como tem gente que ainda assiste.

 

No longa, ao aceitar um novo emprego como professor universitário, Adam (Josh Stewart)  e sua esposa Lisa (Bojana Novakovic), que está prestes a ter um bebê, serão os responsáveis por um ato com consequências horrendas: eles liberam, involuntariamente, uma entidade maligna com pretensões perigosas de uma caixa que não era para ser aberta. Juntos, o casal precisa entender o que a entidade quer para, então, tentar contê-la. Quem dirige o filme (se posso dizer isso) é Michael Winnick, que realmente não sabe o que está fazendo. Ele não consegue criar absolutamente nenhum clima de suspense ou terror, e nem mesmo os famosos jump scares, funcionam aqui. Tudo é muito genérico e fica a sensação de que você já viu tudo aquilo em outros filmes, e infinitamente feitos de forma mais caprichada. O diretor passa o filme todo tentando investir em cenas escuras, mas falha terrivelmente ao tentar causar medo ao apostar em aparições, que causarão risos. E se essa foi sua intenção, foi bem sucedido. O roteiro, também escrito pelo diretor (a tragédia já estava anunciada) é previsível e tenta criar uma discussão entre sobrenatural e ciência, mas tudo é desenvolvido abruptamente e falha ao tentar trazer qualquer tipo de profundidade ou motivação aos seus personagens, que possuem diálogos expositivos e pavorosos (aqui é que está o verdadeiro terror). Parece que diretor e produtores pegaram todos os ingredientes que funcionaram em diversos filmes de terror e resolveram misturar aqui, porém pecam ao colocar em prática.

 

Esteticamente, O Chamado do Mal não apresenta grandes problemas mas nem seus efeitos práticos, como luzes piscando ou o clichê dos móveis voando pelos cômodos, consegue ajudar a trabalhar o suspense. A trilha sonora é genérica e com momentos totalmente forçados que não ajudam, em nada, a imersão do espectador. Do lado das atuações, o casal principal tem seu trabalho prejudicado pelo roteiro, que não consegue transparecer nem um pouco, a personalidade de seus protagonistas. E quando eles começam a combater a entidade demoníaca, com a ajuda do personagem de Delroy Lindo (talvez a única coisa que consegue salvar o filme do desastre total) o filme descamba para momentos implausíveis que deixará o espectador sem pé nem cabeça.

 

O Chamado do Mal possui uma tonelada de clichês, é forçado, não cria nenhuma sensação de horror e não justifica sua estréia nos cinemas. Definitivamente é uma bomba.

 

Curiosidades:  Este é o primeiro longa-metragem de Michael Winnick filmado na América.
 

 

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