Colunistas/Cinema | 15/12/2018

Resenha da semana: Aquaman

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Épico, divertido e despretensioso, Aquaman é o melhor filme da DC disparado

Finalmente! Após anos de erros e comendo poeira feio para a MARVEL, a DC precisava urgente de um acerto para prosseguir e sacudir o universo criado por seus heróis. Aquaman chegou cheio de desconfiança por parte de fãs e críticos ao trazer um dos mais satirizados e desacreditados personagens da editora, mas aqui ganhou uma nova roupagem e acabou mostrando diversos acertos em muitas de suas escolhas. E uma delas tem nome: James Wan. Vindo originalmente de filmes de terror, o diretor dá uma nova cara ao personagem, criando um Arthur Curry mais maduro e unindo perfeitamente com a coloração que a Warner buscava e conseguiu acertar em cheio o que realmente os fãs queriam: Aquaman é épico, divertido e despretensioso e com certeza, o melhor filme da DC disparado.

 

No longa, filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades metahumanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente.

 

Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência. James Wan, mais conhecido por filmes como Invocação do Mal e por reinventar a franquia Velozes e Furiosos, mostra toda sua versatilidade criando um universo cheio de força e estilo, cenários grandiosos, rico em detalhes e que não tem vergonha de ser colorido. Wan em nenhum segundo quebra o ritmo do filme e constrói extraordinárias cenas de ação, com movimentos de câmeras elaborados e repletos de planos sequência onde acompanham as perseguições e lutas dos personagens, que empolgará o público pela criatividade e energia das cenas, como a excelente sequencia no vilarejo italiano ou a épica batalha final embaixo d'água. Sabendo realmente o que queria desde o início ao criar este universo e com um forte senso de estética, o diretor cria um mundo fantástico, que por muitas vezes me lembrou o criado em Avatar. 

 

O roteiro segue o formato padrão da jornada e transformação de um herói, onde mostra suas origens e seu treinamento através de flashbacks bem encaixados, mas derrapa com algumas facilitações narrativas preguiçosas e diálogos expositivos. Em termos técnicos, o filme é de encher os olhos com efeitos especais que são um show a parte. As tomadas de baixo d'água são impressionantes, seja pela representação do cabelo dos personagens, pela criação e arquitetura das cidades ou pela criação das criaturas, tudo é perfeito. A direção de arte consegue criar perfeitamente a sensação de acompanhar a história no fundo do mar e apresenta momentos belíssimos, como a descida rumo ao Reino dos Fossos. 

 

Talvez o quesito mais fraco do longa seja nas atuações. Jason Momoa traz a energia e carisma necessário ao papel, mas quando exige uma atuação mais dramática, se sai muito mal. O mesmo pode se dizer de Amber Heard, que não consegue gerar empatia e nenhuma química com o protagonista. Nicole Kidman vai bem nas cenas em que aparece e Patrick Wilson constrói um bom vilão, com motivações bem definidas e um arco interessante.

 

Aquaman é divertido e se destaca pela vigorosa e enérgica direção de James Wan, que consegue encontrar o equilíbrio perfeito entre ação, aventura e humor, com excelentes cenas de ação e ao inserir, de vez, o herói no grande escalão de personagens da DC. Vida longa ao Rei!

 

Curiosidades: James Wan revelou que pôde escolher se queria dirigir The Flash ou Aquaman, preferindo o último porque o herói é o "azarão" da DC.

 


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