Colunistas/Fronteiras da Ciência | 26/01/2019

O valor do trabalho

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

O escritor Wallace Leal Rodrigues apresenta em sua obra “E, para o resto da vida”, grandes tesouros para crianças e adultos.

 

Num dos capítulos, ele recorda de uma das lições de seu pai:

 

“Meu pai era um homem frugal e bom. Ensinou-me, desde muito cedo, a entreter-me com as coisas aparentemente mais simples.

 

Um dos meus passatempos em criança era colecionar os casulos das traças e assistir, na primavera, à emersão das borboletas, espetáculo, para mim, de arrebatadora beleza.

 

A luta delas para escapar do cárcere despertava, sempre, minha compaixão.

 

E um dia, com uma tesoura muito fina, resolvi cortar a parede sedosa do casulo, ajudando o bichinho a se soltar.

 

A borboleta, daí a um instante, estava morta.

 

Era como se o trabalho fosse necessário à garantia de sua vida.

 

-Filho – disse meu pai, - o esforço com que essa traça procura libertar-se do casulo ajuda-a a segregar os venenos do corpo.

 

-Se o veneno não for expulso, o bichinho morrerá.

 

-O mesmo ocorre com a gente: quando uma pessoa luta por aquilo que deseja torna-se melhor e mais forte.

 

-Mas, quando as coisas se realizam sem esforço, nos tornamos fracos, pusilânimes, sem personalidade. E parece que alguma coisa morre dentro de nós.

 

Sei hoje, que fui mais capaz de sustentar-me na adversidade, graças à lição tão profunda e tão viva que meu pai soube dar-me naquele dia.

 

E tudo se deveu a uma pequenina traça morta...

 

[com base em texto de Wallace Leal V. Rodrigues e da Redação do Momento Espírita]

 

Num mundo onde ainda se busca a vitória fácil, os ganhos materiais sem esforço e o sucesso instantâneo, a lição da traça é deveras importante.

 

É o esforço em conseguir algo que nos faz grandes.

 

O valor maior das verdadeiras conquistas não está apenas na conquista em si, mas em todo trabalho, em todo caminho que se percorreu para se chegar lá.

 

Assim também é a felicidade: uma construção.

 

Mesmo o sofrimento, tão temido por nós, é uma bênção, pois ele nos amadurece, colore a alma de tons de extrema beleza e nos proporciona crescimento estruturado, sem ameaça ou fragilidade que possibilite pensar na volta.

 

O trabalho é recurso abençoado que temos para expulsar de nós os venenos do orgulho e do egoísmo, e nos oferecer voo seguro após termos rompido, com nossa própria luta, o casulo de nossa ignorância.

 

Todo trabalho é sagrado, quando nos coloca como peça útil no meio social onde estamos inseridos, assim, todo trabalho digno é valioso e faz parte desse nosso processo de burilamento espiritual.

 

A lição da traça é a do trabalho e da resistência.

 

Quando achamos que as dores da vida, as provas difíceis e as vicissitudes diárias estão exaurindo nossas forças, tenhamos em mente que, em verdade, estão diluindo nossos tóxicos interiores e nos purificando a alma aprendiz.

 

Cada luta, cada dia resistido com bravura, é uma pequena fenda que se abre no casulo de nossa inferioridade moral, mostrando-nos a luz de dias melhores.

 

Trabalhemos com dedicação e amor. 

 

Resistamos às adversidades, tendo a certeza de que estão nos fazendo mais fortes.

 

Enxerguemos no sofrer um recurso das leis divinas para o nosso amadurecimento como alma imortal que somos.

 

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE

JADIR ALBINO, engenheiro eletrônica, professor universitário e apresentador do programa “Fronteiras da Ciência”, exibido aos domingos às 19h (ao vivo), na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados às 21h. 

 

Foto: Pixabay


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