Cotidiano/Saúde | 09/02/2019

Enchentes aumentam riscos à saúde

As inundações provocadas pelas fortes chuvas de verão exigem muito cuidado com doenças infectocontagiosas, que podem ser transmitidas pelo contato com a água contaminada pela presença de diversas bactérias e vírus nocivos à saúde humana.

 

As enchentes, que têm causado muitos estragos e até mortes este ano, criam condições propícias para aparecimento de doenças e surtos epidêmicos, uma vez que as águas carregam consigo lama, lixo e esgoto – inclusive para dentro das casas.

 

De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, a principal recomendação neste período é evitar ao máximo o contato com a água contaminada e seguir à risca os procedimentos de higiene e limpeza da residência ou estabelecimentos comerciais, caso esses locais sejam atingidos pelas enchentes.

 

“Evite pisar em poças d’água, principalmente em águas de inundações. Caso seja inevitável, fique atento aos primeiros sintomas e procure um médico”, adverte. O biólogo Giuseppe Puorto, do Instituto Butantan, ressalta que situações de enchentes também favorecem o aparecimento de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões, taturanas e outros.

 

Doenças que as águas das inundações trazem

Um dos maiores riscos é contrair leptospirose, doença transmitida pela urina de ratos, uma das maiores pragas urbanas. A bactéria leptospira pode penetrar no organismo pela pele e causar sintomas como febre, dores de cabeça e nos músculos e náuseas. A doença, se não é diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a óbito.

 

Os sinais da leptospirose podem aparecer no dia seguinte após o contato com as águas de chuva, ou até depois de um mês. Os primeiros sintomas costumam ser febre, dores na cabeça e no corpo, principalmente na panturrilha.

 

Outras doenças podem se manifestar após o contato com água contaminada, como é o caso da hepatite A, diarréia e febre tifóide, causada pela salmonela typhi, bactéria encontrada nas fezes de animais.

 

Animais peçonhentos

Em caso de picada, o médico  Carlos Roberto de Medeiros recomenda manter a calma, no máximo lavar o local com água e sabão e procurar um serviço médico mais próximo de sua residência para que o diagnóstico seja feito e considerada a necessidade ou não de tomar um soro para inativar o veneno.

 

“Para diminuir os riscos de acidentes, mantenha os quintais, terrenos baldios e jardins limpos. É importante não acumular entulho e lixo doméstico, aparar grama dos jardins e recolher as folhas caídas. Coloque o lixo em sacos plásticos que devem ser mantidos fechados para evitar o aparecimento de moscas, baratas e outros insetos, que são os alimentos favoritos dos escorpiões”, orienta.

 

Faça a sua parte

São várias as causas que contribuem para a ocorrência de enchentes, uma delas é o acúmulo de lixo nos bueiros que prejudica o escoamento da água. A população pode ajudar a diminuir os riscos de acidentes mantendo os quintais, terrenos baldios e jardins limpos. É importante não acumular entulho e lixo doméstico, aparar grama dos jardins e recolher as folhas caídas, além de colocar o lixo em sacos plásticos que devem ser mantidos fechados para evitar o aparecimento de moscas, baratas e outros insetos, que são os alimentos favoritos dos escorpiões.

 

Evite a contaminação!

• Evite contato com as águas das enchentes. Caso isto seja inevitável, permaneça o menor tempo possível na água ou na lama. Não deixe que crianças nadem ou brinquem na água e na lama das enchentes;
• Evite manusear objetos que tenham sido atingidos pela água ou lama. Proteja os pés e as mãos com botas e luvas de borracha ou sacos plásticos duplos. Lave bem as mãos antes de preparar alimentos e ao se alimentar;
• Jogue fora medicamentos e alimentos que entraram em contato com as águas da enchente, mesmo que estejam embalados com plásticos ou fechados, pois, ainda assim, podem estar contaminados; 
• Se sua casa for atingida pela enchente, após o recuo da água providencie a limpeza e desinfecção dos ambientes, utensílios, móveis e outros objetos, usando proteção nas pernas e braços:
• No caso dos utensílios domésticos (panelas, copos, pratos e objetos lisos e laváveis), lave-os normalmente com água e sabão. Depois, prepare uma solução desinfetante, diluindo um copo (200 ml) de água sanitária em quatro copos de água. Mergulhe os objetos na solução por, pelo menos, uma hora;
• No caso dos pisos, paredes, móveis e outros objetos, após retirar a lama, lave o local com água e sabão e, a seguir, prepare uma solução diluindo um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água. Umedeça um pano na solução e passe nas superfícies, deixando-as secar naturalmente;
• Para garantir que a água é segura para consumo, ferva-a por ao menos um minuto, ou adicione duas gotas de hipoclorito de sódio com concentração de 2,5% (água sanitária) para cada litro de água. 

 

Foto: Agência Brasil


Leia também