Notícias/Economia | 15/03/2019

Por que os empréstimos crowdfunding (P2P) estão ganhando espaço no Brasil e o que é necessário para pedir um?

Nos dias de hoje, com toda oferta de créditos e formas de arrecadação de fundos existentes no mercado é difícil muitas vezes estar a par de todos os nomes e modalidades. Os empréstimos tradicionais, sejam consignados, sejam pessoais, representam algo mais conhecido pela maioria das pessoas. No entanto, existe uma modalidade relativamente nova no mercado que nem todo mundo conhece e que vem ganhando cada vez mais terreno: o crowdfunding P2P.


Em um cenário no qual a pluralidade de preferências e condições para arrecadar fundos, seja para começar um negócio seja para pagar uma dívida, é bastante diversa, é importante ter em conta ter conhecimento do maior número possível dos produtos creditícios do mercado. 


Em linhas gerais, podemos traduzir esse termo ao português como "arrecadação pela multidão", o que nada mais é que uma forma de financiamento coletivo, o que poderíamos comparar com a tal da "vaquinha", para tornar possível a concretização de uma idéia por parte de quem a propõe. No Brasil este é um campo que tem crescido, contando cada dia mais com novas plataformas. Um exemplo conhecido, pelo menos no que toca a projetos culturais, é a plataforma de arrecadação "Catarse", a mais antiga do setor (desde 2011) e que permite a muita gente, desde campanhas de contribuição aberta, financiar seus projetos.


Outro tipo de crowdfunding que vem adquirindo cada vez mais espaço é o P2P lending ("peer-to-peer", o que significa: de par a par, ou de pessoa a pessoa). É bastante diferente em relação a financiamentos como os do Catarse, pois não se trata de uma simples "contribuição" à qual regressará um bônus ou recompensa, como uma entrada a um show (no caso de se colaborar com uma banda) ou um livro (ao colaborar com um projeto literário).


Trata-se, na verdade, de uma situação na qual um investidor empresta para o projeto de alguém, ou investe, caso se queira chamar assim, e receberá seu investimento de forma parcelada, com acréscimo de juros, sendo uma maneira interessante tanto para quem quer começar um empreendimento e não conta com o valor necessário ou não se interesse pelas condições oferecidas pelas instituições financeiras, como para quem quer investir um dinheiro que esteja parado ou com pouco rendimento na poupança e receber este dinheiro de volta com um rendimento de juros bastante superior aos de uma poupança bancária, o que gravita ao redor de 6,5% ao ano, enquanto o P2P se poderia traçar uma média de retorno de mais ou menos 20%. Tais margens de retorno sucedem com startups ligadas à instituições financeiras, já que, segundo normativas do Banco Central, não poderiam obter lucros acima de 12% sem tal vinculação.


Qual a grande diferença entre um empréstimo tradicional e o crowdfunding?
Apesar de que exista uma grande oferta de créditos pessoais, sabe-se que os "empréstimos tradicionais" têm altas taxas de financiamento. E além das instituições que os emitem, os intermediários impõe suas próprias condições. O que é bom se a pessoa está tratando de solucionar um problema financeiro ou se surgiu um imprevisto, já que não costumam demorar tanto em fornecer o crédito.


Por outro lado, o que acontece com os crowdfunding P2P lending, como o próprio nome em inglês já dá a entender, seria um empréstimo de pessoa a pessoa, ou seja, alguém empresta ou investe em alguma proposta e recebe seu dinheiro de volta em parcelas acrescidas com juros. A figura intermediária neste caso seria as próprias plataformas de crowdfunding que colocam investidos e investidores diretamente em contato, transparência esta historicamente inexistente dentro dos bancos e financeiras. Justamente por esse papel, geralmente tais plataformas costumam cobrar, segundo dados de uma matéria do Sebrae, de 5 a 15% de comissão pelos projetos.


Como é o processo para aceder a um empréstimocrowdfunding P2P?
O primeiro passo é que o grupo ou pessoa interessada se cadastre em alguma plataforma, disponibilizando todos os documentos exigidos por ela, e firmando um termo de compromisso em relação a seus futuros investidores. O passo seguinte é criar uma campanha na qual será apresentado o  projeto. O detalhe aqui é que o grupo que o propõe apenas terá acesso ao dinheiro caso seja atingido ou superado o valor requisitado (a meta) no tempo estipulado para a campanha, do contrário o dinheiro retorna a quem o concedeu. É uma forma de crédito na qual todo o processo é feito de forma online e com muito menos burocracia que nas instituições financeiras tradicionais. 


E qual é o risco para os investidores?
No caso da arrecadação coletiva, o risco de crédito é do próprio investidor. É muito simples o que passa aqui: se o grupo ou pessoa no qual se investiu um determinado valor em algum momento retirar-se do negócio ou não ter como pagar seus compromissos financeiros com quem fez os seus investidores, estes não receberão o que esperavam, fato que aponta a uma certa margem de risco para este tipo de operação quando vista como investimento. Isso implica que, para aquelas pessoas que estejam interessadas em colocar o seu dinheiro em um fundo desse gênero, é indispensável que investiguem o histórico do grupo ou pessoa a quem o destinarão, levando em conta tanto as possibilidades de ganho como também aquelas de perda.


Recomendações a ter em conta
Para quem busca a modalidade de arrecadação coletiva para realizar um empreendimento financeiro ou um projeto cultural, recomenda-se pesquisar pelas plataformas de crowdfunding que se relacionem mais com o tipo de projeto buscado, já que algumas podem ter um viés mais cultural e outras mais financeiro. 


É necessário também, além de avaliar a reputação da plataforma, estar preparado para tudo o que supõe a campanha de arrecadação, o que pode implicar na produção de material escrito sobre o projeto, como também a elaboração de vídeos e outras formas de despertar o interesse e a confiança dos potenciais apoiadores/investidores. Evidentemente que é necessário colocar na balança as taxas de retenção de cada plataforma (por mais que algumas delas não cobrem nada para isso), o número de parcelas a serem pagas aos investidores e, evidentemente, os seus juros. 


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