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Cotidiano/Comportamento | 23/03/2019

Prenda-me se for capaz

MANU CARDOSO - DA REDAÇÃO

Foi-se o tempo em que arrumar “a cara metade”, desencalhar, ter um relacionamento estável, enfim, não ficar só, era condição fundamental para ser feliz. Medo da solidão, dar satisfação à família e à sociedade e a obrigatoriedade de constituir família eram motivos que pressionavam as pessoas a procurarem ter uma vida a dois. Agora, é cada vez mais comum a busca da felicidade através da liberdade. Sozinho, sim. Mas não solitário.

 

Sinal dos tempos

Segundo levantamento da Euromonitor International, empresa especialista em pesquisas de mercado, ser solteiro é uma das principais tendências para 2019. O estudo aponta que, cada vez mais, as pessoas preferem ficar só, pois os anseios mudaram. Sai o ideal de construir uma família e entram as necessidades de expressar a individualidade, ter experiências diferentes e autênticas. 

 

Alguns aspectos também pesam na hora de optar pela solteirice, como, estar em maior proximidade com amigos e desfrutar de mais autonomia. 

 

Esse modelo de vida é uma tendência universal, segundo a psicóloga e terapeuta de casais Marcia Atik. “Como nós estamos em uma geração que busca também a realização de desejos, as pessoas acabam percebendo que a solteirice, nesse sentido, permite que se viva todas as suas potencialidades, sem ficar sujeito a limitações que o casamento tradicional exige”.

 

Neste cenário surgem os pansexuais, pessoas que se permitem experimentar todos os tipos de relacionamento, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero de seus pares. “Dependendo de como essa prática é ativada, é uma busca por um prazer absoluto ou pode caracterizar dependência sexual ou vício”, explica a terapeuta. Essa tendência mostra cada vez mais uma urgência de sensação de prazer e, assim, as pessoas se sentem mais independentes sexualmente falando. 

 

Liberdade não tem idade
A liberdade é, sem dúvidas, o principal aspecto valorizado por quem opta por ser solteiro. A necessidade de ter livre-arbítrio e não precisar dar satisfação a ninguém tem sido cada vez mais reconhecida. 

 

Mas engana-se quem pensa que a opção pela solteirice é exclusiva dos jovens. O mesmo estudo da Euromonitor International revela que essa tendência tem se mostrado ainda maior entre pessoas que já passaram dos 50 anos. 

 

A psicóloga explica que o amadurecimento emocional e um possível apego à rotina são fatores consideráveis para quem já viveu muitas experiências – incluindo os altos e baixos dos relacionamentos. “As pessoas se acomodam em uma rotina relacionada à organização da vida e a entrada de um novo elemento nessa história sempre acaba tirando o conforto que o ‘estar só’ traz”. 

 

Amor próprio em primeiro lugar
Ser ou estar só, explica Márcia, é saudável desde que esteja claro de que esta é uma opção, uma forma apreciar a vida por um outro ângulo. Trabalhar o amor-próprio e a autoaceitação é fundamental nestes casos.

 

“Sabendo disso, é indicado ter um olhar para si mesmo e lembrar que há outros grupos e diferentes relações que lhes fazem bem e vão de acordo com seus interesses e buscas”, conclui a especialista.


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