Colunistas/Digital Jazz | 27/04/2019

Dia Internacional e Municipal do Jazz

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

O Rio Santos Jazz Fest 2019 vem para defender e reforçar, em nossa cidade e região, “as virtudes do Jazz como instrumento educativo e como força de paz, de diálogo e cooperação entre os povos”, como muito bem definiu o seu patrono, o grande pianista Herbie Hancock. 

 

O Festival está inscrito pelo sexto ano consecutivo como evento oficial da UNESCO, dando projeção e prestígio mundial a cidade de Santos. O Jazz que nasceu nos Estados Unidos, na cidade de Nova Orleans, no início do Século XX, no encontro de ritmos africanos e a música dos americanos de origem europeia. 

 

Ganhou merecidamente um dia só seu, para ser comemorado intensamente. Afinal, o gênero musical tornou-se uma linguagem universal. 

 

No Brasil, o Jazz influenciou e continua a influenciar muitos dos nossos músicos e esteve muito bem relacionada, principalmente com a Bossa Nova, gênero musical genuinamente brasileiro. 

 

As origens do Jazz e da música brasileira são as mesmas, provenientes da cultura negra trazida pelos escravos africanos, originários das mesmas regiões da costa ocidental do continente africano. 

 

Por que o Dia Internacional e Municipal do Jazz? O Jazz quebra barreiras e cria oportunidades para entendimento mútuo e tolerância. É um vetor da liberdade de expressão, é um símbolo de união e paz, reduz tensões entre os indivíduos, grupos e comunidades, promove a igualdade de gênero, reforça o papel dos jovens para a mudança social, encoraja a renovação dos artistas, o improviso, as novas formas de expressão e inclusão de formas tradicionais de música em novas vertentes musicais. Estimula o diálogo intelectual e transforma jovens em sociedades marginalizadas. 

 

Em 2019, as comemorações globais começarão na cidade de Melbourne, Austrália, onde será realizado um grande concerto. E as homenagens vão se espalhar por diversas cidades do planeta. 

 

A proposta do festival é trazer ao público santista o encontro e o intercâmbio de músicos, compositores, intérpretes e artistas locais com os da cidade do Rio de Janeiro e São Paulo. 

 

Teremos 10 dias do festival + um show extra no dia 17 de maio com o Duo Taufic & Paula Santoro na Pinacoteca, atrações todas gratuitas, distribuídas em 4 palcos: Teatro do Sesc Santos, Pinacoteca Benedicto Calixto, Aliança Francesa de Santos e Liceu São Paulo. 

 

Em Santos, bem como no Brasil, nunca foi feito um festival voltado especificamente para aproximar as histórias do JAZZ vividas nas cidades do Rio de Janeiro e de Santos, que foram muito importantes para a construção da identidade do gênero no Brasil. 

 

Além de compartilhar este desenvolvimento musical, as cidades compartilham de cultura, hábitos, costumes e geografia muito similares. Viva o dia 30 de abril, Dia Internacional e Municipal do Jazz! 

 

                             

Mario Biondi – “Handful Of Soul”

O excepcional cantor italiano Mario Biondi é uma das vozes mais surpreendentes da cena do jazz atual.
Seu timbre de voz grave e encorpado nos remete imediatamente a lembrança de outros grandes cantores, como os saudosos e lendários Barry White, Lou Rawls e Isaac Hayes. 

 

É impressionante a semelhança do timbre vocal dele com estes grandes nomes que brilharam na cena vocal de todos os tempos.

 

Sua carreira começou a ganhar corpo no ano de 2006 quando lançou o primeiro e já primoroso CD “Handful of Soul”, ao lado do eletrizante The High Five Quintet, composto por alguns dos melhores músicos de jazz da Itália, na formação clássica de piano, trumpete, sax tenor, contrabaixo e bateria.

 

Destaque para o tema de sua autoria “This Is What You Are”, que apesar da simplicidade da sua melodia, é absurdamente marcante. Jazz da melhor qualidade.

 

Desde o primeiro lançamento ganhou diversos prêmios de destaque e sua discografia é composta por diversos discos, que demonstram toda a sua sensibilidade e raro talento.

 

Destaco também o CD duplo “I Love You More – Live”, gravado ao vivo na cidade de Milão ao lado da afinadíssima Duke Orquestra, lançado em 2007 e também disponível no formato DVD. Um trabalho raro e indispensável.

 

Na programação da Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz você confere todo o talento deste grande artista e também os seus mais recentes lançamentos.

 

 

Luis Salinas – “Sin Tiempo”

Rivalidades à parte, nossos “hermanos” argentinos tem em seu país um dos maiores gênios do violão e da guitarra da atualidade. E mais: um dos mais versáteis músicos da sua geração.

 

Ele transita com absoluta e rara competência pelo repertório tradicional e folclórico argentino como pelo jazz e suas vertentes. 

 

Consegue ser doce, poético e ao mesmo tempo vigoroso e bem  agressivo na condução do seu instrumento. 

 

Suas composições também inspiradíssimas podem ser conferidas em todos os seus trabalhos (mais de 20 como líder e mais de 30 participações como músico solista convidado).

 

E o mais curioso é que Luis Salinas é autodidata, um improvisador nato. Não estudou em nenhum conservatório musical e por mais incrível que possa parecer é compositor da maioria das músicas que grava e executa, exceto aquelas mais conhecidas do cancioneiro argentino. 

 

E prova da sua ousadia é seu último lançamento do ano de 2010 “Sin Tiempo”, uma trilogia, com os temas Uno “Unplugged”, Dos “Plugged” e Tres “Bônus”.

 

Como Buenos Aires é uma das cidades preferidas dos brasileiros, nada melhor que procurar seus lançamentos em uma destas visitas por lá. 

 

E de preferência vá até a Livraria “El Ateneo Grand Splendid”, no número 1860 da Av. Santa Fé. Um sonho de lugar. Imagine você entrando no Teatro Coliseu de Santos para desfrutar livros, CD’s e DVD’s e saborear um café “cortado” no palco, que um dia abrigou grande shows. 

 

Este é o clima que encontramos ao entrar no salão principal da incrível livraria portenha. 
Uma visita obrigatória, assim como o som deste grande músico argentino.

 

 


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