Colunistas/Digital Jazz | 04/05/2019

Balanço final do Rio Santos Jazz Fest 2019

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

O Rio Santos Jazz Fest 2019 foi realizado entre os dias 22 de abril e 01 de maio. Foram 10 dias de atividades, com diversas atrações, todas gratuitas, distribuídas nas sedes: Pinacoteca Benedicto Calixto, Sesc Santos, Aliança Francesa de Santos e Liceu São Paulo. 

 

Fazendo parte ainda da programação oficial do festival, teremos um show extra no dia 17 de maio, 20 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto com o Duo Taufic e Paula Santoro. Show imperdível!

 

Comemoramos pelo sexto ano consecutivo em Santos, o Dia Internacional e Municipal do Jazz, celebrado em 30 de abril em todo mundo. 

 

Com muita honra, a cidade de Santos fez parte do roteiro mundial do “International Jazz Day”, como evento oficial da UNESCO. 

 

Milhares de pessoas participaram diretamente do Festival, acompanhando as apresentações com muita alegria, entusiasmo e emoção.

 

De coração, muito obrigado à todos que participaram e prestigiaram o festival e também para aqueles que vibraram positivamente para que tudo isso acontecesse. 

 

Apesar de todas as dificuldades encontradas, cumprimos a nossa missão de acessibilidade, formação de novos públicos e a emocionante integração entre plateia e artistas através da música. Emoção pura!

 

Foi lindo demais! Obrigado Santos! Viva o Jazz! Até 2020! Com mais uma edição do Rio Santos Jazz Fest! 

 

                          

“Oscar Peterson Plays The George Gershwin Songbook”

O canadense Oscar Peterson é um dos meus pianistas preferidos. No ano de 1996, o selo Verve, um dos mais tradicionais do Jazz, lançou o CD “Oscar Peterson Plays The George Gershwin Songbook”, reunindo gravações feitas pelo pianista nos anos de 1952 e 1956 nos seus dois discos homenageando o genial George Gershwin.

 

No primeiro set do disco composto por 12 faixas, gravadas no mês de agosto de 1959, ele foi muito bem acompanhado por Ray Brown no contrabaixo e Ed Thigpen na bateria. E que pode ser considerado como o trio mais famoso da sua carreira.

 

Meus destaques ficaram para os temas “A Foggy Day”, “Love Walked In”, “Love Is Here To Stay”, “Summertime” e “Nice Work If You Can Get It”. Simplesmente, sensacionais.

 

Já o segundo set com mais 12 faixas, desta vez gravadas entre os meses de novembro e dezembro de 1952, ele foi acompanhado pelo incrível Barney Kessel na guitarra e novamente por Ray Brown no contrabaixo.

 

Destaco os temas “The Man I Love”, “Fascinating Rhythm”, “I’ve Got A Crusch On You”, “S’Wonderful”, “I Got A Rhythm” e “Love Walked In”.

 

A produção dos dois discos ficou por conta de Norman Granz, grande mentor do selo Verve e responsável por verdadeiras obras primas, lançadas através dos anos.

 

Ele inclusive foi determinante na carreira de Oscar Peterson, pois no ano de 1949, Granz o convidou a sair do Canadá para integrar a trupe de “all stars” do “The Jazz At The Philharmonic”, que excursionava pelos Estados Unidos. O sucesso para ele chegou imediatamente e recebeu do público um carinho muito grande.

 

Improvisador nato e cheio de swing, seu toque no piano é inconfundível. Influenciou vários pianistas e continua até os dias de hoje a influenciar pelo seu estilo raro e marcante. Um grande exemplo também de superação. Nos últimos anos de vida tocou de forma limitada em razão de um derrame.

 


 

Graham Dechter – “Takin’ It There”

Ele é jovem e muito talentoso e é um dos destaques da The Clayton – Hamilton Jazz Orchestra e o considero como uma das grandes revelações do “Swing Jazz” na atualidade.

 

Falo do guitarrista Graham Dechter, que está no seu segundo trabalho solo, lançado recentemente pelo selo Capri Records e realmente surpreende pela sonoridade e pelo grande talento.

 

O disco tem sido muito bem recomendado pela crítica especializada e o público também gostou das experiências musicais do guitarrista, que teve dentro da família (pai, mãe e avô músicos) grandes referências e bastante incentivo para seguir na carreira como músico. Três gerações de músicos na mesma família.

 

Ao lado de seus padrinhos John Clayton (contrabaixo) e Jeff Hamilton (bateria) e também o surpreendente Tamir Hendelman (piano), selecionou dez temas.

 

Destaco “Road Song” (numa sensível homenagem a Wes Montgomery), “Be Deedle Dee Do” (com nítidas influências do guitarrista Barney Kessel), a grande surpresa “Chega de Saudade” (unindo o Jazz com a Bossa Nova) e mais “Come Rain Or Come Shine” e a união de “Amanda/Every Time We Say Goodbye” (composição própria e de Cole Porter) para encerrar em grande estilo o disco.

 

Com certeza um músico que terá uma carreira de muito sucesso. Tem no seu Dna música nas veias.

 

 


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