Cotidiano/Saúde | 25/05/2019

Doença no olho que não se vê

Glaucoma provoca perda gradativa da visão periférica

Cerca de 2,5 milhões de brasileiros (3% das pessoas com mais de 40 anos) têm glaucoma e, pior, metade delas desconhece ter a doença. É justamente para alertar as pessoas sobre a importância de fazer o diagnóstico que se definiu 26 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. 

 

A maior causa global de cegueira definitiva, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma é uma doença crônica que degenera as células do nervo óptico, causada por uma falha na drenagem do humor aquoso que preenche o globo ocular, provocando a perda da visão periférica. Em 90% dos casos, resulta do aumento da pressão interna do olho (a pressão intraocular normal varia de 10 a 21,5 mmHg). 

 

A doença não tem cura e exige uso contínuo de colírio para baixar a pressa intraocular.  Apesar dos danos no nervo óptico serem irrecuperáveis, não apresenta sintomas logo no início, porque a perda da visão acontece na periferia e passa despercebida.  

 

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto explica que a doença está relacionada à herança genética, diabetes ou outros problemas de circulação que dificultam o escoamento do humor aquoso. “Quanto mais a idade avança, maior é a incidência”, completa.

 

Estatina contra a doença

O especialista revela que um estudo feito nos Estados Unidos mostra que o uso de estatina (medicamento indicado para reduzir o colesterol), diminuiu em até 21% o risco de glaucoma primário de ângulo aberto.

 

Mas Queiroz alerta: “É preciso ter cuidado com esta informação, sobretudo porque os colírios permanecem sendo a primeira terapia para controlar a pressão intraocular com 91% de sucesso”, pondera. O estudo, que foi publicado este mês no JAMA Ophthalmology, avaliou três pesquisas realizadas com 136 mil pessoas na faixa etária de 40 anos ou mais que foram acompanhadas por 15 anos

 

As estatinas, ressalta, também funcionam como um potente anti-inflamatório e antioxidante, além de melhorar a circulação, variáveis que afetam o resultado do tratamento do glaucoma glaucomatosos.

 

Erros no tratamento

Os prontuários do hospital mostram que 20% dos portadores de glaucoma não fazem o tratamento corretamente ou simplesmente abandonam o uso dos colírios. Os erros no tratamento mais frequentes são: usar mais de uma gota de colírio em cada aplicação, pingar fora do olho, contaminar o medicamento encostando o bico dosador na mucosa ocular  ou esquecer de instilar. Confira as principais recomendações do oftalmologista  para fazer o tratamento correto do glaucoma:

 

• Lave as mãos antes de aplicar o colírio.
• Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar.
• Incline a cabeça para trás.
• Flexione a pálpebra inferior com o indicador.  
• Com a outra mão segure o dosador 
• Coloque o medicamento sem relar no bico dosado, evitando a contaminação.
• Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos colaterais
• Feche os olhos por 3 minutos para garantir o efeito
• Se usar lentes de contato retire-as antes da aplicação 
• Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação
• Em caso de prescrição de mais de um colírio aguarde 15 minutos entre um e outro


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