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Colunistas/Cinema | 25/05/2019

Resenha da semana: Aladdin

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Aladdin é visualmente incrível mas não tem a magia da icônica animação de 1992.

Eu tinha seis anos quando Aladdin foi lançado e, como na época não ia aos cinemas, assisti ao filme a primeira vez em VHS e lembro que aquela aventura me encantou, apresentando uma emocionante história de amor entre o ladrão Aladdin e a princesa Jasmine misturado a uma aventura mágica com tapetes voadores e até um gênio da lâmpada. Logo, virou um de meus desenhos favoritos que eu via e revia diversas vezes e que tenho boas lembranças da época. Interessante que, agora em 2019 com este novo filme, eu assisti a mesma narrativa de 1992, porém com mais números musicais que foram adicionados. O cuidado com o material base foi muito mais respeitoso do que o que fizeram com o novo Dumbo, mas faltou alguma coisa. Aladdin é visualmente incrível mas não tem a magia da icônica animação de 1992. Talvez isso se reflita em todos os novos live action que a Disney vem desenvolvendo ou sou muito nostálgico para aceitar uma versão moderna.

 

O filme apresenta a mesma premissa da animação original e mostra Aladdin (Mena Massoud), um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela na verdade é a princesa Jasmine (Naomi Scott). Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono. O filme é dirigido por Guy Ritchie e olhando para trás e analisando a carreira do diretor inglês, até que faz sentido a sua escolha pois Ritchie sempre teve facilidade ao retratar em seus filmes a vida nas ruas, seja de ladrões, assassinos, ciganos ou gangstêrs, vide seu filme mais famoso, Snatch - Porcos e Diamantes. Injetando energia, que é sua marca registrada, e também certa originalidade a trama, Ritchie utiliza bem sua assinatura principalmente nas cenas de ação e perseguição pelas ruas, abrindo o filme com um belíssimo plano sequência que passeia por toda a cidade apresentando seus habitantes ao público, o que faz com que nos sentíssemos parte daquele lugar. O diretor poderia ter controlado melhor o ritmo do filme, que na minha opinião, possui muitos momentos musicais que por muitas vezes deixa o filme com aspecto arrastado. O roteiro, escrito pelo diretor em parceria com John August, é basicamente o mesmo mas com leves e acertadas alterações, dando mais motivações a seus personagens e mais tempo para Jasmine, destacando o empoderamento da moça e dando um interessante arco narrativo de maior liderança a ela. 
Tecnicamente, o longa impressiona por sua caprichada direção de arte e uma estonteante fotografia, criando um mundo realista e cheio de cores, transportando o público para aquela região de maneira convincente e demonstrando o cuidado da equipe em criar algo mágico. A cidade de Agrabah é de uma impressionante exuberância visual, seja pelos detalhes do figurino ou pela sua impressionante produção.

 

Os efeitos especiais são de cair o queixo com a criação de gigantescos cenários, como a caverna da lâmpada e o macaco Abu, mas peca terrivelmente em seu maior astro: o Gênio. É muito estranho acompanhar aquele ser azul com um peitoral que não combina com o resto do corpo e efeitos especiais que mais parecem ter sido feitos às pressas, o que não combina com o restante de sua produção. 
Mena Massoud, como Aladdin, consegue retratar muito bem a aura daquele ladrão esperto mas de bom coração e mostra-se uma excelente escolha de elenco. Já Naomi Scott, talvez tenha revelado em seu primeiro filme, um dos maiores talentos a se acompanhar, com uma incrível voz e que soube equilibrar a força e fragilidade da personagem. Confesso que torci o nariz quando anunciaram Will Smith como o Gênio, mas ele não se sai tão mal. Está apenas interpretando a si mesmo, o que é divertido.

 

Aladdin é divertido porém imperfeito. Tem boas atuações, uma fantástica ambientação mas não consegue criar aquela aura fantástica da animação de 92, o que deixa uma enorme responsabilidade para o próximo clássico da Disney a ser lançado neste formato: O Rei Leão. Agora é só aguardar e torcer.

 

Curiosidades: O diretor de Aladdin (2019), Guy Ritchie, declarou estar realmente interessado em fazer o filme por achar que essa é a história da Disney que mais se aproxima do que ele gosta de participar e produzir.  

 


 


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