Colunistas/Cinema | 01/06/2019

Resenha da semana: Rocketman

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Frenético, colorido, sincero e corajoso em sua abordagem.

Comecei a ouvir e a entender mais sobre a importância de Elton John para o cenário musical há uns 3 anos atrás. Um dos artistas mais brilhantes da música e cultura pop de todos os tempos e dono de uma personalidade extravagante, mas com um passado extremamente conturbado, Elton John ganha agora sua cinebiografia, que chega nadando no sucesso de Bohemian Rhapsody, mas mostra-se infinitamente superior ao filme de Freddie Mercury por humanizar seu personagem principal que era cheio de traumas, excessos e inseguranças o que acaba contaminando o filme com uma energia cativante.

 

O longa conta a trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden).

 

O filme é dirigido por Dexter Fletcher, que curiosamente assumiu a direção de Bohemian Rhapsody após a polêmica saída de Bryan Singer e que aqui continua com um apelo estético muito grande, em especial nos números musicais e felizmente consegue ir fundo na personalidade da estrela do filme, buscando maneiras honestas e criativas para abordar seu vício em drogas, seu relacionamento com outros homens e sua vida repleta de excessos. Esta cinebiografia mostra muito mais do que você pode descobrir em uma página do Wikipédia. O diretor acerta em contar a história por trás da música e não o contrário, o que geralmente vemos em outros filmes. Mantendo o típico formato de musicais, mas mesmo assim fugindo de seus clichês, o diretor constrói o processo criativo por trás das canções mostrando as emoções vividas pelo músico de acordo com a música que melhor descreve o momento. Isso pode parecer um pouco surreal no início, mas devido a excelente construção dos números musicais, acaba se tornando o diferencial do filme. O roteiro, que apresenta Elton chegando em uma clínica de reabilitação e relembrando sua vida, me pareceu com certo receio em abordar os altos e baixos da vida do artista, assim como ao encontrar soluções rápidas e fáceis para diversas situações, como a crise com sua mãe, uma possível tentativa de suicídio e sua overdose, onde tudo é respondido com canções, o que tira o peso dramático da situação. 

 

Como a história é contada quase de forma fantasiosa, como se fosse uma viagem alucinógena, a equipe técnica trabalha com uma fotografia extremamente colorida e números musicais que criam uma jornada visualmente estonteante para o público. A direção de arte e especialmente o figurino são um show a parte, que aproveita ao máximo o vestuário espalhafatoso e brilhante do cantor.

 

Taron Egerton é Elton John. O ator faz um trabalho magnífico, daqueles que não vemos o ator por de trás do personagem, criando uma atuação rica em detalhes e repleta de camadas a qual será lembrada na época de premiações. Outro destaque vai para Jamie Bell, como o compositor Bernie Taupin e melhor amigo de Elton, sendo o relacionamento dos dois um dos pontos altos do filme.

 

Rocketman faz jus a figura extraordinária e marcante de Elton John. É um filme frenético, colorido, sincero e corajoso em sua abordagem. Se você é fã, vai adorar mas se não é, tenho certeza que sairá cantando um dos sucessos deste, que é um dos maiores gênios da música.

 

Curiosidades: O próprio Elton John pediu que Taron Egerton, quem vive o cantor em Rocketman (2019), não o copiasse totalmente, fazendo a sua própria versão.

 

 

Foto: Reprodução
 


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