Colunistas/Cinema | 15/06/2019

Resenha da semana: Fora de Série

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Cria algo original de forma orgânica e madura, entregando uma obra sensível e perfeita para a nova geração

Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passarem por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem correr atrás dos 4 anos perdidos em apenas uma noite. Essa é a premissa de Fora de Série. Agora, seja sincero: o que isso te parece? Aquela velha e batida fórmula estudantil americana, com as famosas brigas nos corredores, bullyng entre os nerds, a preocupação em perder a virgindade e todo aquele bla bla bá? Pois é, Fora de Série consegue a proeza de fugir totalmente deste caminho e ainda trazer algo de original a um gênero que parecia ter se esgotado. E ainda mais, faz isso de maneira orgânica e madura, entregando uma obra sensível e perfeita para a nova geração.

 

O filme é dirigido pela atriz Olivia Wilde (confesso que estranhei quando soube), que assumindo a função pela primeira vez com uma direção firme , consegue pegar todos os elementos clássicos do gênero, que se consagrou na década de 90, e criar um Coming of Age (a descoberta da adolescência, como é chamado nos EUA) que provavelmente será o novo queridinho dessa nova geração. A diretora imprime humor e sensibilidade na medida certa, mesmo cometendo alguns excessos de iniciante que acabam inchando um pouco o filme, mas que não comprometem em nada. O roteiro é recheado de ótimos diálogos que naturalmente sairiam da boca de um adolescente, onde falam sobre o futuro, drogas, bebidas, sexualidade, angústias e receios. Centrado nas duas protagonistas e em sua amizade, o roteiro deixa de lado a superficialidade em apenas retratá-las como pessoas inteligentes e deixa o estereótipo de lado, sendo duas pessoas que estão longe de serem perfeitas. Amy é lésbica assumida e engajada em causas sociais e não está preocupada em se assumir, mas sim em encontrar sua outra metade no mundo ao passo que Molly não segue o padrão de beleza exigido pela sociedade, mas inspira com sua autoconfiança e sagacidade. O texto faz tudo isso sem esquecer de divertir o público, como na cena do Uber, onde por causa dos efeitos da droga, o filme atinge o ápice do absurdo, mas que faz todo o sentido e não soa forçado. A verdade é que o filme acerta em cheio na relação entre as duas amigas e entrega uma história sobre amadurecimento e uma amizade transparente. Outro ponto interessante que gostei foi a trilha sonora, repleta de hip-hop e que já baixei em meu Spotify.

 

Para isso, Fora de Série conta com um elenco excepcional e uma química impressionante entre as duas protagonistas, começando por Beanie Feldstein, que acreditem, é irmã de Jonah Hill!!! Eu fiquei o filme todo lembrando dele em Superbad e ela é mesmo a irmã do cara. A atriz dá show, tanto em momentos cômicos quanto dramáticos. Kaitlyn Denver é outro acerto e mais uma personagem memorável em um filme cheio deles.

 

Fora de Série é uma comédia de adolescente inteligente, criativa e extremamente divertida. Faz rir, emocionar, refletir e torcer pelo futuro daqueles jovens. O filme se enriquece com a química de suas protagonistas, uma direção surpreendente para uma iniciante e um roteiro e diálogos excelentes. Tomara que receba a atenção que merece.

 

Curiosidades: Olivia Wilde revelou que as inspirações de Fora de Série (2019) foram os filmes: As Patricinhas de Beverly Hills (1995), Clube dos Cinco (1985), Picardias Estudantis (1982) e Jovens, Loucos e Rebeldes (1993).

 


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