Notícias/Local | 15/06/2019

Santos, a cidade mais portuguesa do Brasil

MARCO SANTANA - DA REDAÇÃO

Não são apenas os vistosos azulejos de prédios históricos no centro que evidenciam a presença portuguesa em Santos. Está em praticamente cada esquina: em padarias, mercados, clubes, hospitais, escolas e faculdades, residências, no jeito de falar e interagir com as pessoas. Não só pela quantidade de nascidos e descendentes, mas pela qualidade da ocupação, Santos é considerada a cidade mais portuguesa do Brasil.


A presença lusitana em Santos se confunde com a história do Brasil. Por conta do porto, a cidade recebeu diversas levas imigratórias, ao longo de cinco séculos. Desde os tempos de Braz Cubas, o fundador da cidade e do hospital mais antigo do país (1543), passando por ciclos migratórios no século 19 até a vinda intensa de patrícios pelos idos dos anos 1970. 


Sempre houve muitos portugueses. Em 1895, por exemplo, quando o Centro Cultural Português de Santos foi inaugurado, 60% da população da cidade eram portugueses. Hoje, são 50 mil inscritos no Consulado Português em Santos — o terceiro maior contingente do país, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro, e superando capitais como Curitiba, Belo Horizonte e Salvador. 


Ao mesmo tempo que se modificaram, adaptando-se às condições na nova terra, os portugueses trouxeram consigo todo o seu acervo cultural — e que está muito presente na cidade. 

 

Ciclos migratórios trouxeram imigrantes humildes e dispostos
Brasil Colônia - Os primeiros portugueses chegaram por estas bandas antes mesmo de a cidade existir. Vieram nas primeiras expedições, primeiro com Martim Afonso de Souza e em seguida com a instalação dos engenhos de cana de açúcar. A ocupação intensificou-se com a fundação da Vila de Santos, por Braz Cubas, e a Santa Casa de Misericórdia. 


Brasil Imperial- Continuou na época da Independência do País, abrigando personalidades como José Bonifácio, que nasceu em Santos mas tinha muitos vínculos com as terras portuguesas (estudou na Universidade de Coimbra, por exemplo). São desta época diversas construções históricas como a Casa da Frontaria Azulejada (1865) e o Casarão do Valongo (1867) – que hoje abriga o Museu Pelé.


Guerras- Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914), muitos portugueses decidiram vir para o Brasil, com o receio de que o conflito armado se alastrasse pela Península Ibérica. Boa parte aportou em Santos, e acabou permanecendo. O fim da guerra trouxe também uma crise sem precedentes na Europa em geral, e de Portugal em particular, não era nada agradável. Incentivados pelos primeiros imigrantes, camponeses vieram para Santos e se descobriram comerciantes talentosos. Após a Segunda Guerra (1945), com o endurecimento da ditadura de António Salazar, muitos portugueses se viram forçados a abandonar o país. Os patrícios que cá viviam enviavam Cartas de Chamada, documento que viabilizava a viagem —atestava que havia pessoas e retaguarda no Brasil capazes de abrigar o imigrante. 


Já na década de 1970, o ditador português insistiu na ideia de consolidar colônias portuguesas na África (Angola, Moçanbique, Guiné-Bissau) enviando forças militares. Para evitar serem recrutados pelas chamadas Tropas, para uma guerra inútil e de alto risco, os jovens vinham para o Brasil antes de completarem a idade exigida pelo alistamento militar —era comum a chegada de jovens com 15 ou 16 anos. Pessoas que chegaram em Santos, boa parte de origem humilde, e, com muito trabalho, se consolidaram com muito trabalho.

 

Antes de tudo, um forte

Na grande maioria das vezes, os portugueses que deixavam a terra natal eram de origem humilde. A maior parte, camponeses, de pequenas aldeias, de locais idílicos como Arouca, Leiria, Ancião, Pombal, Coimbra, Trás dos Montes, Alto Douro, São Pedro do Sul, Ilha da Madeira.


As dificuldades materiais fizeram com que se fortalecesse a cultura da austeridade e poupança —a fama de “mão fechada”. Trabalhavam incansavelmente. Primeiro como empregados, depois sócios e em seguida donos dos próprios negócios. Estabeleceram empresas familiares sólidas até hoje, principalmente no comércio (padarias, empórios e restaurantes) e construção civil. A maioria deles demorou décadas para voltar a Portugal para visitar os parentes e amigos. Queriam primeiro consolidar poupar, consolidar sua situação financeira, conquistar patrimônios, formar os filhos. E só depois retornar para abraçar os patrícios e mostrar que a aventura transoceânica tinha sido um sucesso.


Curiosamente, apesar de manter o negócio familiar, muitos preferiram que os filhos seguissem outras atividades —médicos, advogados, engenheiros. Não à toa, muitos profissionais liberais reconhecidos têm sobrenomes tipicamente lusitanos. 

 

Dia de festa

Acontece neste domingo (16), das 9h30 às 18h, a 10ª edição do Dia de Portugal. A maior festa da comunidade portuguesa na Baixada Santista será realizada no Largo Marquês de Monte Alegre, ao lado do Santuário do Valongo e do Museu Pelé.


A programação cultural, a partir das 11h, terá 13 apresentações e inclui fadistas, grupos musicais e ranchos folclóricos. Outro destaque da festa é a gastronomia portuguesa, com pratos típicos e doces conventais, disponíveis em barraquinhas. Também haverá tendas com artesanatos, como os preparados pelas bordadeiros do Morro do São Bento. 


Para que todos entrem no clima da festa e a colaborem para a deixar ainda mais bonita, os organizadores sugerem ao público que vá vestido com adereços ou roupas que lembrem as cores de Portugal.


A festa é uma realização da Escola Portuguesa, com apoio do Consulado Geral de Portugal, do Conselho das Comunidades Portuguesas e da Prefeitura de Santos.

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