Colunistas/Cinema | 06/07/2019

Resenha da Semana: Homem Aranha: Longe de Casa

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Vingadores: Ultimato, apresentado há poucos meses nos cinemas nacionais, encerrou sua terceira fase com a Saga do Infinito dando adeus a personagens que aprendemos a amar durante 11 anos, deixando uma lacuna para uma nova geração surgir e uma figura para liderar à equipe, após a (SPOILERS) aposentadoria do Capitão América e a morte de Tony Stark. Homem Aranha: Longe de Casa é o primeiro filme após essa fase, e já começa com uma divertida homenagem aos heróis que se foram mas também um panorama geral do que ocorreu nestes oito meses após Vingadores. Longe de Casa é uma surpreendente mistura de romance teen com filme de super herói e funciona por ser divertido, despretensioso, com excelentes cenas de ação e Tom Holland como o definitivo Homem Aranha. 

 

No filme, Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries. Mais uma vez o filme é dirigido por Jon Watts, que aqui se mostra mais a vontade que no primeiro filme, trabalhando melhor as cenas de ação e o uso de efeitos visuais. O diretor cria, mais uma vez, a sensação de estar assistindo a uma Sessão da Tarde (e digo isso no lado positivo), sendo nostálgico por apresentar um filme juvenil, leve e repleto de piadas. O diretor encontrou o tom certo, ao mostrar um adolescente com superpoderes e tendo que amadurecer em um mundo onde nada é impossível. Watts também se sai bem nas cenas de ação, com destaque ao embate final na Tower Bridge em Londres, com uma excelente solução visual para representar os poderes de Mysterio que são empolgantes e de cair o queixo. Os roteiristas de Homem Aranha vem construindo aos poucos o amadurecimento de Peter, para chegar no herói que conhecemos, trabalhando bem essa transição e perda de inocência. Mas nem tudo é perfeito. O romance entre Peter e Michelle Jones falta química, não apresentado motivos para estarem atraídos emocionalmente um pelo outro e por abordar alguns personagens secundários que apenas funcionam para fazer a história avançar, sem que o público se perca entre as viagens pela Europa. Um ponto interessante do roteiro é o trabalho com Mysterio, que se revela denso, conseguindo mudar de tom e personalidade no decorrer da história. 

 

A trilha sonora é um ponto fraco do filme, apesar de ser grandiosa nos momentos de ação, o que causa certa empolgação, porém é extremamente genérica onde percebemos claramente uma mescla do tema do Homem Aranha em ritmos diferentes do começo ao fim. 

 

Tom Holland é o perfeito Homem Aranha, superando Tobey Maguire, na minha opinião. Dá para notar como o ator está confortável no papel com um talento e carisma contagiante, que são as marcas registradas do herói. Outro que brilha é Jake Gyllenhaall, ator que é subestimado, mas admiro bastante. O papel caiu como uma luva para o ator e sua química com Holland é um dos pontos altos do filme. 

 

Homem Aranha: Longe de Casa é um filme sobre o amadurecimento de um dos personagens mais carismáticos e importantes da história dos quadrinhos, o qual cresci lendo. Pode não ser o melhor filme do Homem Aranha, mas chega perto.

 

Curiosidades: A mala de viagem que Peter Parker usa no filme tem as iniciais do nome de seu falecido tio Ben, "BFP", que significa Benjamin Franklin Parker.
 

 

Foto: Reprodução


Leia também