Notícias/Esportes | 12/07/2019

Copa América: O que aconteceu que os jogos não lotam

A Copa América 2019 aconteceu entre os dias 14 de junho e 7 de julho em 6 diferentes brasileiras. Esta foi a 46o edição do evento organizado pela associação de futebol sul-americano Conmebol. O Chile era um dos favoritos a ganhar o título tendo levado para casa o prêmio em 2015 e 2016. O Brasil foi o grande vencedor, vencendo o Peru de 3 a 1 na final, a Argentina ficou em terceiro lugar vencendo o Chile de 2 a 1. Mas se o Brasil foi o grande vencedor do evento, isso não se refletiu tanto nas questões econômicas do evento. 


O setor de turismo do Brasil é um dos principais decepcionados com o fracasso de bilheteria da Copa América 2019. Durante a primeira rodada da copa, menos de um quarto dos assentos dos estádios foram ocupados, com uma média de público de 25 mil pessoas por jogo. Nem os brasileiros e nem os estrangeiros estão animadas para ver os jogos, mesmo tento mais interessados nessa copa do que na copa disputada no Chile em 2015. Entre os dois eventos houve um aumento de 15% de público. Não só o setor de turismo está sendo prejudicado, a própria Conmebol está tendo prejuízos milionários a cada partida, o jogo entre Uruguai e Equador por exemplo teve mais de R$ 1,6 milhão de prejuízo, enquanto o Paraguai e Catar em mais de R$ 1,3 milhão. Por outro lado, o jogo entre Brasil e Argentina, um clássico, de um lucro de R$ 16 milhões.


Muitos afirmam que um dos motivos dos estádios estarem vazios são os altos preços que se comparam com os praticados durante a Copa América Centenário, em 2016, nos Estados Unidos, mas diferentemente os EUAs ofereceram melhores recursos para os seus torcedores. Nesse ponto é importante ressaltar que os EUAs estão investindo no futebol de forma a fazer com que o esporte se torne tão popular lá quanto é no Brasil e na Europa. Outro ponto é que o  futebol sul-americano está tentando transformar os torcedores em clientes, como acontece na Europa, mas não leva em consideração que o público brasileiro é diferente do europeu. 


Há também outros fatores que podem ter tido um efeito nos estádios vazios. O Brasil tem sido a casa de vários eventos esportivos nos últimos anos, entre eles os mais importantes Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016, então a Copa América ficou um pouco apagada. A Copa do Mundo feminina também roubou a cena esse ano, e foi realizada praticamente nas mesmas datas. Por fim, tanto o Brasil como os outros países da América Latina tem sofrido com crises econômicas, políticas e sociais, o que deixa o continente desestabilizado e sem grande clima para celebrações esportivas. 


Mesmo com números inexpressivos, a Conmebol vai continuar investindo no futebol sul-americano de forma a atrair cada vez mais torcedores e consequentemente mais patrocinadores, transformando-o em um negócio bilionário como acontece na Europa. A solução é arrumar primeiro a casa e entender quem são os torcedores sul-americanos e o que eles querem e precisam, de forma a trazer isso e atraí-los. 
 


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