Colunistas/Em Off | 13/07/2019

Rosana Valle nega que voto pela reforma da Previdência foi "traição"

Do deputado federal Júnior Bozella não poderia se esperar outra coisa: do mesmo partido do presidente, o PSL, ele sempre defendeu a proposta de reforma da Previdência elaborada pelo governo. Mas o voto favorável da deputada Rosana Valle (PSB) causou grande discussão. Nas redes sociais, ela recebeu pesadas críticas — ser chamada de “traidora” foi a mais amena. 

 

Um vídeo mostrando a reunião da deputada com sindicalistas, em março, viralizou: “Quero tranquilizá-los, pois tivemos uma reunião no PSB, onde a gente esmiuçou essa proposta. Não estamos de acordo com estas mudanças. A classe trabalhadora e a classe mais humilde vão ser as mais afetadas. É pior do que a apresentada pelo Temer”, diz Rosana, na gravação.

 

“Vídeo foi editado de forma leviana” 

Procurada pelo Jornal da Orla, Rosana Valle diz que este vídeo foi editado de forma leviana. “Naquela reunião eu não falei que ia votar contra a reforma da Previdência. Eu falei que tinha itens que eu não concordava”, afirmou, ressaltando que deixou claro, no encontro, que discordava da tese de que há déficit na Previdência. “Quem me acompanha sabe o meu posicionamento, inclusive o jornal A Tribuna se retratou depois que publicou que eu tinha ‘batido o martelo’. Foi uma interpretação errada”, afirmou.

 

“Incoerente é o partido”

A deputada explicou que o PSB tinha cinco itens que considerava que não podiam ser aprovados de jeito nenhum. Entre eles, o Benefício de Prestação Continuada (BCP), aposentadoria rural e o sistema de capitalização. Segundo Rosana, estes cinco itens foram retirados, no substitutivo apresentado pelo relator, deputado Samuel Moreira (PSDB). “O fechamento de questão era sobre esses itens e todos eles caíram".

 

Foi aprovado o esqueleto da reforma, agora estamos votando 33 destaques, e a gente conseguiu grandes vitórias. Acho que é uma incoerência do partido, da oposição fazer oposição pela oposição. E eu não vou compactuar com isso”, disse. “Eu não podia, diante de um fechamento de questão do partido, votar contra as minhas convicções. Essa reforma foi mais justa do que aquela apresentada pelo governo Bolsonaro”. 

 

“Eu votei de acordo com a minha convicção, acho que esta reforma foi necessária. Não adianta ter direitos que não vão poder ser garantidos no futuro. É uma demagogia de quem defende que não precisaria fazer esta reforma. É papo furado, jogar para a torcida”.
 

Fora do toma-lá-dá-cá

Bolsonaro está sendo acusado de praticar o famoso “toma-lá-dá-cá” que ele tanto criticava, liberando verbas para emendas parlamentares em troca de votos para aprovar a reforma. Num só dia, foi liberado R$ 1,3 bilhão para deputados. Rosana Valle garante que não participou desta prática nem foram liberadas verbas de emendas parlamentares de sua autoria. “Não vendi meu voto, não mudei de opinião’, garante. “Não voto por emendas parlamentares, não fui vendida. Isso é até uma afronta para quem nunca foi da política e entrou com o coração aberto. Eu posso não agradar a todos, a gente tem que assumir um lado. Eu não troquei por nada”, assegura.

 

Foto: Divulgação
 


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