Notícias/Educação | 24/08/2019

A educação do futuro é agora

BÁRBARA CAMARGO - DA REDAÇÃO

A imagem da sala de aula, crianças sentadas anotando, de forma exaustiva, a matéria que o professor escreve na lousa com giz, já está ficando para trás. A tecnologia está em toda parte e as escolas correm para acompanhar as inovações que surgem a cada ano. Salas conectadas, jogos eletrônicos, realidade aumentada, robótica e até mesmo inteligência artificial são grandes tendências para a educação -  e também o seu maior desafio. 


Os professores começaram a compreender que os modelos tradicionais de ensino já não funcionam com alunos altamente conectados. Em uma rápida pesquisa no Google, eles têm acesso a muito mais informação do que o educador poderia oferecer em pouco tempo de aula.


“A escola, como centro de formação e do saber, não pode negar o relacionamento entre o conhecimento no campo da informática e os demais campos do saber humano.  A tecnologia está cada vez mais inserida em nosso cotidiano. Nas escolas não é diferente: smartphones, tablets e laptops são objetos encontrados frequentemente na mochila dos alunos.  Enquanto espaço físico, a instituição escolar precisa renovar os equipamentos constantemente, oferecer amplo acesso à Internet banda larga e ter mão de obra especializada para manutenção e operacionalização das redes”, diz a diretora do Liceu Santista, Cláudia Cristina Taboada Mathias Santiago.


Aulas atraentes, alunos concentrados

Entre os educadores, não dá dúvidas de que o principal desafio do sistema educacional nesta era digital é reter a atenção do aluno em sala de aula. Com acesso ilimitado aos mais diversos assuntos, ele adquire conhecimentos de maneiras diversas, além do momento na escola e, é neste sentido que o trabalho do professor se torna difícil.


Nesta batalha, vence o profissional que apostar em uma didática mais moderna, com recursos que despertam o interesse e instituições que invistam em tecnologia de uma forma integral. Afinal, não basta trocar o giz por lousa digital e cadernos por laptops. O professor e o método de ensino devem estar preparados para as novas ferramentas. 


“O educador é uma ponte entre o conhecimento e o aluno, já não é mais a única fonte e nem uma via de mão única. Seu dever é preparar o aluno para encarar essa jornada em busca de conhecimento e ajudá-lo a lidar e conectar esses múltiplos saberes”, diz Rafael Neper, instrutor da escola SuperGeeks, de Santos, especialista em programação e robótica para crianças. “Seguimos um caminho inverso do habitual, não queremos que o aluno vá atrás da tecnologia, nós trazemos ela até ele. Mostramos como ela se encaixa em seus contextos e como eles podem trabalhar juntos”, explica o professor. 


Neste mundo hiper conectado, é cada vez mais desafiador ser professor. Além de estar preparado para integrar seu planejamento de aulas a essas novidades, deve estimular a criatividade, o pensamento crítico e novas experiências. 


Para a professora Claudia Villas Boas, responsável pelas aulas no laboratório de Robótica do Liceu Santista, a inserção da tecnologia na educação é uma via de duas mãos. “É uma evolução importante, pois as crianças aprendem melhor com tecnologia. Atualmente, há muitas possibilidades, como a realidade aumentada, que pode ser incluída em várias matérias, como Matemática e Geografia. Porém, prejudica ao mesmo tempo, os alunos precisam aprender a lidar com o excesso de informação”, pondera. 


Nessa corrida para acompanhar as tecnologias, as instituições de ensino investem em novas ferramentas a cada ano, tanto na compra de modernos equipamentos, como também na forma de ensinar. 


Neste sentido, uma experiência que tem dado certo é a Metodologia Ativa, que tem o foco no protagonismo do aluno. “A intenção é transformar esse aluno em pessoa ativa no processo do conhecimento, quebrar as hierarquias entre as séries e fazer com que trabalhem em equipe. Aqui, eles próprios criam seus projetos e imprimem na impressora 3D”, diz o professor Renan Luiz Vital, do Objetivo Santos.


“A escola é viva e, para manter-se assim, busca recursos e está em constante movimento, junto dos alunos para acompanhar a velocidade tecnológica. A tecnologia é uma aliada para nossos professores, que recebem periodicamente treinamento no Brasil e no Exterior, conhecendo novas estratégias de ensino e de recursos”, diz a diretora da escola Objetivo, Maria Dolores Alvarez. 


As instituições que já estão antenadas nessa nova realidade, antes de incluir recursos modernos em sala de aula, realizam um sério planejamento para que esses gadgets, entre outras ferramentas, façam parte da programação de matérias de forma integral, e não apenas como uma disciplina à parte, (como eram as antigas aulas de informática). 


“Os professores planejam suas aulas com o uso de tecnologia com o intuito de potencializar a aprendizagem, garantindo uma experiência mais criativa, colaborativa e interativa, visando a produção de conhecimento autoral. Não há o uso da tecnologia estanque no processo de aprendizagem”, explica Cláudia Taboada, do Liceu Santista.

 


Ensino Híbrido é realidade

O ensino híbrido também é uma tendência em Educação. Trata-se de um modelo que mescla momentos em que o aluno estuda sozinho, on line, com outros em que a aprendizagem é presencialmente. Uma das formas comuns é a chamada rotação de laboratório, na qual são combinados períodos na sala de aula e no laboratório de informática, com conteúdos complementares. 


Algumas instituições levam tão a sério o conceito híbrido que oferecem as “aulas invertidas”, na qual os alunos estudam em casa e depois vão à escola, tirar suas dúvidas e fazer exercícios. A proposta é oferecer aulas menos expositivas e participativas, para engajar os alunos no conteúdo e melhor utilizar o tempo e conhecimento  do professor. É o caso do Liceu São Paulo. A diretora Regina Claudia Fuschini explica que a instituição iniciou a modalidade com os estudantes do Ensino Fundamental. “Percebemos que os alunos, ao pesquisarem algo novo, se mostraram mais motivados com as aulas. Ao mesmo tempo, os professores ficaram mais interessados em ensinar. Houve uma maior interação entre eles”. 


Estudar em casa traz a possibilidade de estimular toda a família em torno das tarefas. “O aluno pode fazer uso de dispositivos como tablets, smartphones (inclusive, os pais podem se inteirar desse processo). Depois, em sala de aula, há um compartilhamento de informações com os demais alunos. Funciona não como única estratégia, mas como uma forma a mais de o aluno aprender e oportuniza novas descobertas e potencialidades até então desconhecidas”, explica a diretora Maria Alvarez.

 

 

 

FOTOS: GABRIEL SOARES COMUNICAÇÃO e PIXABAY


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