Colunistas/Em Off | 24/08/2019

Postura belicista de Bolsonaro provoca reação na Europa

A postura belicista do presidente Jair Bolsonaro e sua incapacidade de debater problemas ambientais com seriedade podem custar ao Brasil um preço bastante alto em termos econômicos. O presidente da França, Emmanuel Macron, já trabalha ostensivamente para boicotar o acordo da União Europeia com o Mercosul e, na sexta-feira (23), foram realizados diversos protestos pelo mundo contra Bolsonaro. A segurança nas embaixadas do Brasil em diversas capitais tive de ser reforçada por conta das manifestações.


“Jamais tivemos nos últimos 50 anos um desastre de imagem tão catastrófico e irreparável como esse”, afirmou o ex-ministro Rubens Ricúpero.


O agronegócio já teme que os problemas provocados pelas falas intempestivas do presidente brasileiro, e corroboradas por integrantes do governo, acabem provocando um boicote internacional a nossos produtos.
A exemplo do pai, Eduardo Bolsonaro, que sonha em ser embaixador nos Estados Unidos, também se comporta como um elefante em loja de louças. Irritado com as críticas de Macron à política ambiental do governo brasileiro, Eduardo chamou Macron de “idiota”. O fato, por si só, revela o que o clã Bolsonaro entende por “diplomacia”, e explica a pressão internacional contra o Brasil.
 

Rota suicida

O agravamento da crise provocada pelos incêndios na Amazônia e pelos desatinos de Bolsonaro, que faz piadas sobre o tema, se intitulando “o capitão motosserra”, repercutiram de forma negativa nos principais jornais da Europa.


O Le Monde, da França, o Guardian, do Reino Unido, e o El País, da Espanha, destacaram a pressão da comunidade internacional sobre Bolsonaro e alertaram para os riscos que os incêndios na Amazônia representam para a estabilidade climática do planeta. 


Em sua manchete principal, o Guardian afirma que “líderes mundiais pressionam o Brasil para desviar de rota suicida em incêndios na Amazônia”. 

 

A reação dos líderes

O premiê britânico, Boris Johnson, afirmou estar profundamente preocupado com o impacto das chamas e, a exemplo do presidente francês, vai abordar o tema na reunião do G-7.


Já Macron (ao lado) acusou Bolsonaro de ter mentido sobre a política climática do Brasil durante a reunião do G-20, em julho, e confirmou que estuda desistir do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.


Resta saber qual será a posição de Bolsonaro diante da pressão internacional. Se simplesmente insistir em ser “o capitão motosserra” corre o risco de transformar o Brasil em um pária internacional.
O tempo dirá.
 

 


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