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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 05/10/2019

Olhar pela outra janela

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

A menina, debruçada na janela, trazia nos olhos, grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor, causado pela morte do seu cão de estimação. 

 

Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.

 

O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: 
-Triste a cena, não é verdade? 

 

A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância. 

 

No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade.

 

Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala. 

 

Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente: 

-Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente? Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos. 

 

-Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas! 

 

A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso. 

 

Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim. 

 

O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto: 

-Veja, minha netinha querida, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente. 

 

[com base na Redação do Momento Espírita]

 

Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena chorar por muito tempo e sofrer diante de quadros que não podemos alterar. 

 

São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus.

 

A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos momentos de dor e sofrimento. 

 

Mas o Grande Arquiteto do Universo tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar. 

 

Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias. 

 

Não se permita contemplar a janela da dor por muito tempo. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição. 

 

O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste a força das horas que a tudo modifica. 

 

A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela. 

 

Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que o Grande Arquiteto do Universo nos ampara em todos os momentos da nossa vida. 

 

Devemos buscar sempre o equilíbrio em nossa vida e, viver com equilíbrio é escolher “viver” ao invés de simplesmente “existir”. Enfim, viver com equilíbrio é, muitas vezes, decidir olhar pela outra janela.

 

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE
 


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