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Cotidiano/Comportamento | 12/10/2019

Seja presente!

BÁRBARA CAMARGO - DA REDAÇÃO

Neste Dia das Crianças, estar com seu filho é mais do que presentear

Agenda lotada, prazos e metas profissionais, preocupações com alimentação saudável, academia, trânsito, celular... Parece que a vida tem feito com que, cada vez menos, os adultos tenham tempo. Muitos precisam aliar a profissão com a doce (porém difícil) tarefa de serem pais e mães. E, se as relações interpessoais, seja no trabalho ou com os amigos, estão perdendo qualidade, em meio a toda essa agitação, nem sempre é possível dar a atenção que os filhos merecem. 

 

O desafio é estar presente

É uma verdadeira maratona para que o radialista Vinícius Rezende e a farmacêutica Amanda Chesmem estejam ambos, ao mesmo tempo, com os filhos, Amália, 6 anos, e Matheus, 3. Isso porque a mãe trabalha à noite e, no período em que ela dorme, os filhos estão na escola. Até mesmo para conseguir registrar uma foto da família para esta reportagem foi difícil, por causa dos horários de Amanda. Ela se desdobra para conseguir acompanhar a rotina dos pequenos. O pai trabalha em casa, assim, consegue estar mais presente no dia a dia.

 


“Eu procuro me interessar pelo que eles estão fazendo, em uma brincadeira ou na televisão. Por mais infantil que seja, temos que dar importância aos seus interesses, valorizar e participar em grupo das atividades”, conta Vinícius, que aproveita os momentos que tem com os filhos para estabelecer vínculos. “Tento trazê-los para o meu mundo. Gosto de música, skate e cinema. Assim compartilhamos mais momentos juntos”.


A jornalista Gabriela Nebot, mãe do Kaue, 13, e da Pietra, 20, estabeleceu um dia da semana para que ela, o marido e os filhos estejam juntos. “Todas as quartas-feiras saímos para jantar e conversar. Assim, cada um conta o que fez na semana, quais são as novidades. Nosso papo é muito aberto, mas educar adolescentes não é fácil”. 


A psicóloga Glaucia Boturão explica que estar presente na vida dos filhos é uma questão de prioridade. “Pare e avalie o que realmente é fundamental para você. Às vezes, damos espaço demais para coisas que não são tão importantes. Coloque na agenda um momento de ficar com seu filho e com a família”, sugere.


Glaucia lembra que mais do que a presença na vida da criança, a dedicação também é fundamental. “Você não precisa ficar o dia inteiro brincando com ela. Basta que tenha afeto, carinho, qualidade. Essa troca entre os mundos é importante”.

 

Impor limites faz parte

Com a correria do dia a dia, muitos pais tentam compensar a ausência dando presentes fora de hora ou deixando que a criança fique mais livre e não impondo algumas regras básicas. “O limite é o caminho para que a criança se porte perante a vida, aprenda que ela precisa respeitar para ser respeitada. Quando os pais sentem que ela perdeu limite, devem retomar as rédeas. É uma tarefa desafiadora. Muitos pais acreditam que dar tudo é uma prova de amor”, alerta a psicóloga.


Para Gabriela, este é um problema contemporâneo. “Hoje em dia, os pais não sabem lidar com as situações, pois os filhos nos testam o tempo inteiro. Quando eu era criança, valorizava o estar em família. Hoje, percebo que eles são mais desapegados, independentes”.

 

 

A experiência como pai, diz Vinícius, trouxe a tranquilidade para que ele e a esposa delimitassem as regras sem culpas. “Não tenho dificuldade em dizer não. Sem limites, o não fica mais difícil, porque viramos reféns da vontade das crianças. Tudo tem a hora certa. Rotina e muita conversa ajudam nestes momentos. Os pais acham que os filhos nunca vão entender uma explicação ou preferem ceder para evitar constrangimentos. Esse é o caminho mais fácil. O não os ajuda a serem pessoas melhores. Ficam mais calmos, menos consumistas e ansiosos”, explica.

 

O temido celular
Se você cresceu na década de 80, deve ter ouvido alguém falar que a popularização da televisão fez com que as famílias se afastassem. Com um aparelho em cada quarto, os jantares à mesa se tornaram algo cada vez mais raro de acontecer. Do mesmo se falou sobre o computador, o videogame e, por fim, o celular. Hoje, não é incomum encontrar uma cena em que um casal e filhos estão cada um em seu celular ou tablet em uma mesa num shopping. 


Muitos pais se valem da tecnologia, principalmente, nos momentos de cansaço.  “Eles chegam cansados em casa e os filhos querem brincar. Nesta hora, a tecnologia ajuda a entreter. A introdução alimentar, por exemplo, algo que requer muita paciência, acaba sendo mais fácil se o pai ou mãe colocar um desenho e a criança vai comendo aos pouquinhos enquanto assiste. Então, a tecnologia ajuda, mas tudo tem dois lados”.


Segundo a especialista, o excesso dela pode ter reflexos na personalidade da criança. “Elas estão ficando extremamente solitárias. Não se vê mais criança brincando descalça na rua. Muitas vezes, ela tem tantos compromissos, como escola, lição de casa, inglês, esportes, que mal dá tempo de brincar”, explica.


Para Glaucia, este Dia das Crianças é um bom momento para rever algumas atitudes. “Há um certo empobrecimento das relações e isso é muito ruim pois todos nós sofremos, não apenas as crianças. Temos tanta informação, porém o sentar, brincar, comer junto, ir ao futebol, à praia, tudo o que é mais simples, se perdeu”, alerta a psicóloga. 

 

Fotos: Pixabay e Arquivo Pessoal


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