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Cultura/Exposições | 08/11/2019

Valongo Festival Internacional da Imagem

A cidade de Santos recebe, nos dias 8, 9 e 10 de novembro, a quarta edição do Valongo Festival Internacional da Imagem. O evento, que ocorre desde 2016, sempre no bairro do Valongo, conta com uma ampla programação que inclui exposição, seminários, debates, residências artísticas e shows, entre outras ações.

 

A proposta de investigar a multiplicidade de linguagens, meios e formas de fazer que compõem o cenário artístico contemporâneo é um dos eixos centrais do Festival desde sua primeira edição. A programação conta com palestras, workshops e oficinas. Todas as atrações são gratuitas

 

Valongo Festival

O projeto foi criado com o objetivo de selecionar ações artísticas de todo o país para integrar sua programação. Neste ano, foram criadas chamadas para a inscrição de propostas culturais da Baixada Santista, de modo a incentivar a produção cultural na região e a criação de iniciativas que retratem e comuniquem as especificidades locais, e de projetos para participar da exposição coletiva "O melhor da viagem é a demora" e da residência artística do Festival.

 

 

#VALONGO2019 | PROGRAMAÇÃO

EXPOSIÇÕES
De 8 a 10 de novembro. 
 
O MELHOR DA VIAGEM É A DEMORA, com curadoria de Diane Lima.

Locais: Doca e RDC. Das 10h às 20h.
Para a exposição coletiva, o Festival convocou trabalhos de todas as linguagens artísticas que se propusessem enquanto reflexões críticas e que dialogassem, por meio de suas visualidades, com os eixos curatoriais desta edição.
Artistas: Adriano Machado | Ana Clara Tito | Ana Paula Mathias | Iagor Peres
Juliana dos Santos | Luana Vitra | Marcos Paulo Gonçalves | Mitti Mendonça
Ronald Horácio Rodrigues da Silva | Veridiana Mana

 

Instalação | COMO COLOCAR AR NAS PALAVRAS 
Rebeca Carapiá – artista em residência.
Local: RDC. Das 10h às 20h.
A artista Rebeca Carapiá cria, através de instalações, desenhos e esculturas, uma cosmologia em torno dos conflitos das normas da linguagem e do corpo, além de ampliar um debate geopolítico que envolve memória, economias da precariedade, tecnologias e as relações de poder entre o discurso e a palavra.


 
HORIZON
Eric Magassa – artista em residência

Local: Doca. Das 10h às 20h.
Eric Magassa propõe uma instalação na área central da doca Valongo, que faz parte do conjunto de espaços expositivos do Festival. Explorando uma variedade de materiais e linguagens, tais como escultura, pintura, vídeo e fotografia, o artista nos abre a possibilidade de ressignificar o imaginário quando, através de uma paleta de cores vibrantes e elementos pictóricos abstratos, discute, ainda, como as imagens e os artefatos africanos coletados pelos museus etnográficos foram apropriados e inseridos dentro da lógica da racialidade moderna ocidental, abrindo, assim, um diálogo entre o Valongo e o mundo Atlântico.

 

Instalação | [TERRA-PROTÓTIPO]
Tames da Silva Santos
Local: Obra móvel. Das 10h às 20h.
Através da combinação entre cartografia e um simulacro sonoro/imagético da linguagem publicitária de empreendimentos imobiliários, [terra-protótipo], de Tames da Silva Santos, anuncia uma narrativa distópica sobre o espaço geográfico do bairro do Valongo. A instalação faz parte de uma série de trabalhos em que são criados mapas ficcionais que
abordam temas relacionados à ocupação de Santos e de seu entorno, evidenciando as relações históricas de poder e a permanente racionalização desse território.

 

SAUNA LÉSBICA
Malu Avelar – artista em residência
Local: Burako’s. Das 11h às 21h.
Malu Avelar irá apresentar a obra SAUNA LÉSBICA, um espaço viscoso, voltado à imaginação, onde será possível escorregar e celebrar a presença e as experiências das mulheres sapatonas. Durante os três dias de Festival, a instalação será ativada com performances, vivências, festas e obras audiovisuais. Na contramão do debate predominante e performando uma das questões centrais do tema do festival, que é a criação de formas de ver e conceber o mundo que ainda não estão disponíveis historicamente para nós, a obra propõe a criação de um espaço especulativo, onde se possa ser e estar.

 

8 de novembro, SEXTA-FEIRA:

SEMINÁRIO DE ABERTURA
Local: Arena Valongo. Das 11h às 12h.
O MELHOR DA VIAGEM É A DEMORA: DIÁLOGOS CURATORIAIS COM O
PENSAMENTO BANTU-KONGO DE BUNSEKI FU-KIAU
Com Tiganá Santana e Diane Lima


 
Tendo em vista os processos de ocultamento das múltiplas epistemes e cosmologias não hegemônicas, como reconhecer e entrar em contato com os diversos saberes ancestrais presentes nas línguas e linguagens cotidianas? 
 
A partir dos estudos do pesquisador e compositor Tiganá Santana sobre a tradução da linguagem proverbial no pensamento bantu-kongo de Bunseki Fu-Kiau e tomando “O melhor da viagem é a demora” como campo de investigação, este seminário irá traçar possíveis aproximações e contaminações das linguagens e cosmologias africanas com o contexto brasileiro.
 
VÍDEOS (PROGRAMAÇÃO I)

Local: Arena Valongo. Das 13h às 15h.
BOI DE SALTO, de Tassia Souza Araujo
ANTES DE ONTEM, de Caio da Nobrega Franco
BONDE, de Gleba do Pêssego

 

OFICINA
Local: Cadeia Velha. Das 13h às 17h.
NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM: OFICINA DE VISUALIDADE, POLÍTICA E
AFETOS NAS REDES, por #DesignAtivista
A oficina vai discutir sobre as formas de circulação da informação e sua apresentação nas plataformas sociais, especialmente através de memes que deflagram posições políticas. Tendo como ponto de partida o caso do “Ninguém Solta a Mão de Ninguém”, criado pela ministrante da atividade, Thereza Nardeli, e do “Vira Voto”, protagonizado pela Mídia NINJA e pelo @designativista, abriremos uma conversa sobre política, afeto e informação, dissecando discursivamente algumas imagens e textos, para tentar elucidar as propostas e potências dos mesmos. Em um segundo momento, xs participantes serão convidadxs a uma atividade prática, com o objetivo de reformular, criar e remixar imagens, textos persuasivos e afetivos, mirando temas e audiências específicas.


 
PERFORMANCE
REPERTÓRIO N. 1, de Davi Pontes e Wallace Ferreira de Souza (para maiores de 18 anos)
Local: Museu Pelé. Das 14h às 15h.
O trabalho investe na ideia da dança como autodefesa, utilizando a mimese e a repetição ritualizada de gestos para produzir um estudo sobre imagens coreografadas por corpos dissidentes. Instaura-se, assim, uma tentativa de arquivar ações para elaborar resistências, conjurar modos de permanecer no mundo e inventar o que há de sucedê-lo. Pode o movimento ativar a memória dos corpos subalternos que foram enterrados sob códigos hegemônico? Resistir em tempos brutos, alimentar-se mutuamente do cansaço do outro e dançar em momentos difíceis.


 
MESA 1 | Local: Arena Valongo. Das 15h às 16h.

COMO IMAGINAR FORMAS DE VER E CONCEBER O MUNDO QUE AINDA NÃO ESTÃO
DISPONÍVEIS HISTÓRICAMENTE PARA NÓS?
Com Ariana Nuala, Lucas Carvalho, Moara Brasil, Ventura Profana, Heloisa Ariadne e Micaela Cyrino. Mediação: Ariana Nuala
Xs integrantes do I Programa de Acompanhamento do Valongo apresentam seus processos de pesquisa, discutindo a linguagem enquanto dimensão mediadora da experiência ética contida nas práticas artísticas quando postas em diálogo com novos territórios. 


 
MESA 2 | Local: Arena Valongo. Das 17h às 18h.
DESLOCAMENTO COMO COREOGRAFIA: ROMPENDO COM AS NORMAS ESPACIAIS
NA ARTE CONTEMPORÂNEA
Com Anta Helena Recke (GE – Vila Sul Goethe/BA) e Davi Pontes (RJ). Mediação: Cíntia Guedes (RJ)
O que aconteceria se pensássemos os deslocamentos dos nossos corpos no espac¸o e no tempo como coreografias? E como romper com as suas normas instalando outras materialidades através das relações entre a dança, o teatro e as artes visuais? Nessa mesa, xs artistas Anta Helena Recke e Davi Pontes se encontram para uma conversa sobre como dar forma aos movimentos.


 
CINEMA KAIRÓS

Local: Estacionamento dos Bondes. Das 19h às 23h.
Organização dos estudantes da faculdade Unimonte/São Judas
NOITES NO VALONGO
Local: Arena Valongo. Das 20h às 23h.
Noite de Abertura, com Malayka, Ventura Profana e discotecagem BadSista


9 de novembro, SÁBADO:


 
VISITA GUIADA
Local: Doca. Das 10h às 11h.
Com Rebeca Carapiá, Malu Avelar e Eric Magassa

 

OFICINA
SOBRE COMO AMOLAR FACAS, com Cíntia Guedes
Local: Cadeia Velha. Das 10h às 17h.
Em exercícios de escuta e escrita, a oficina toma como dispositivos as imagens da arte e da literatura antirracista e anticolonial. O plano é encontrar rotas para outra ecologia sensível e reposicionar nossa imaginação para além da armadilha da representatividade, escapando do cativeiro estético do tempo presente.


 
SEMINÁRIO

YOUNG GIRL, I DID LOVE YOU ONCE, com Dorota Gaweda e Egle Kulbokaite
Local: Arena Valongo. Das 11h às 12h
VÍDEOS (PROGRAMAÇÃO II)
Local: Arena Valongo. Das 13h às 15h.
VIDEOTONGUES, de Daniel Santiso
LOVE TO A MONSTER, de Jonas Van
ASCENSÃO E QUEDA DAS BIXAS, de Rodrigo D’Alcântara
NOMES DE ABISMO, de Jonas Van


 
PERFORMANCE

OS USOS DA RAIVA – MOMENTO 5, de Ana Paula Tito
Local: RDC. Das 14h às 15h.
OS USOS DA RAIVA é uma pesquisa que investiga a interação entre corpo, estado mental/emocional e vergalhões de ferro de diferentes comprimentos. Nela, são questionadas as possibilidades construtivas de sentimentos específicos, entre eles a raiva, gerando registros mutáveis e múltiplos. Cada momento é criado com varas necessariamente maiores do que as usadas em momentos anteriores.


 
MESA 3 | Local: Arena Valongo. Das 15h às 16h.

ECONOMIAS DE ACESSO E PRECARIEDADE DA CULTURA: NOTAS PARA SOBREVIVÊNCIA, Com Raphael Fonseca (MAC-RJ) e Sandra Benites. Mediação: Keyna Eleison
 É consenso para muitxs de nós que, se há algo que nos acompanha desde sempre, é a precariedade do acesso à arte e à cultura. No entanto, tendo em vista a sistemática atualização dos processos de controle e o desmonte da cultura com requintes conservadores, quais estratégias e tecnologias podemos compartilhar e como revisitar saídas, ainda que considerando suas possíveis contradições? As perguntas têm como objetivo debater estratégias para o futuro da produção cultural.


 
MESA 4 | Local: Arena Valongo. Das 17h às 18h.

IDENTIDADES ITINERANTES E IMAGENS VISIONÁRIAS: RESSIGNIFICANDO OS
ARQUIVOS COLONIAIS, com Eric Magassa (FR) e Amanda Carneiro (MASP)
Como a errância, a deriva e a desorientação nos processos artísticos podem friccionar a nossa geografia mental e terrestre? É possível falar em uma ressignificação dos arquivos coloniais? A partir dessas questões, a curadora Amanda Carneiro (MASP) e o artista sueco-senegalês Eric Magassa conversam sobre a instalação por ele desenvolvida no II Programa de Residência Artística do Valongo, ampliando ainda mais nossa percepção sobre como expandir e espacializar as imagens.

 

CINEMA KAIRÓS
Local: Estacionamento dos Bondes. Das 19h às 23h.
Organização dos estudantes da faculdade Unimonte/São Judas

 

NOITES NO VALONGO
Local: Arena Valongo. Das 20h às 23h.
RESISTÊNCIA NA QUEBRADA: VIAGEM À MEMÓRIA CULTURAL DA BAIXADA
SANTISTA, de Litta Afrontite
Para esta ação, selecionada na chamada aberta do Valongo voltada a iniciativas da Baixada Santista, Litta Afrontite buscou identificar os elementos culturais que compõem a formação da identidade e da estética das periferias da região. Surgiu, assim, a proposta de reunir uma série de atividades (roda de conversa, debate, discotecagem e apresentações de música) que serão apresentadas com o objetivo de resgatar os sentidos do funk enquanto signo da afirmação cultural e identitária da Baixada Santista.


 
10 de novembro, DOMINGO:
 

VISITA GUIADA | Local: Doca. Das 10h às 11h.
 
OFICINA
MONUMENTOS PARA UM FUTURO PRÓXIMO, com Gian Spina

Local: Cadeia Velha. Das 10h às 17h.
Será apresentada uma série de questões a serem trabalhadas coletivamente, de maneira teórica e prática, e que tem como ponto de partida fazer e pensar novas formas de escrever a história e novas histórias a serem escritas. Como podemos reescrever coletivamente o passado? Quais formas e formatos outros devemos e podemos usar? E como as interpretações sobre o passado constroem e alteram o nosso futuro?


 
SEMINÁRIO
THE NOWNESS OF BLACK CHRONOPOLITICAL IMAGINARIES - A TEORIA E PRÁTICA DO BLACKQUANTUM FUTURISM, com Rasheedah Phillips (EUA)

Local: Arena Valongo. Das 11h às 12h
Sendo a demora uma dimensão temporal, como desconstruir a ideia de atraso, lentidão e progresso através de uma crítica à modernidade e seus modos de explorar e roubar o tempo? 
 


Neste seminário, a co-criadora do Black Quantum Futurism, Rasheedah Phillips, irá apresentar os princípios dessa teoria e prática que se define como um arcabouço de conhecimento para experimentar a realidade por meio da manipulação do espaço-tempo, a fim de ver possíveis futuros e/ou colapsar o espaço-tempo em um futuro desejado de modo a criar uma outra realidade. Física quântica, metodologias especulativas e tempo negro são algumas das bases conceituais abordadas pela pesquisadora.


 
VÍDEOS (PROGRAMAÇÃO III)

Local: Arena Valongo. Das 13h às 15h.
TUDO QUE É APERTADO RASGA, de Fabio Rodrigues Filho
STONES, de Myriam Mihindou, Laís Catalano Aranha, Andrew Arim, Pierre Ma-nau,
Violaine Le Fur e Eric Mukalazi
CARTUCHOS DE SUPER NINTENDO EM ANÉIS DE SATURNO NA LOCADORA DE
VIDEO GAMES, de Leon Marx Freitas Silveira Reis

 

PERFORMANCE
E-DU-CA-T-V-O //, de Agrippina R. Manhattan

Local: Museu Pelé. Das 14h às 15h.
Assim como toda volta no tempo, o exercício de ficção do passado, de imersão em uma lembrança serve como ferramenta para começarmos a imaginar possibilidades de mundos outros, onde nossas subjetividades e corpas não se sujeitem ao trauma do mundo colonial. No mesmo sentido, parte-se da relação incontornável entre educação e descolonialidade, uma vez que os processos pedagógicos, quando não emancipatórios, servem para realizar a manutenção do sistema violento de dominação. Assim, essa performance é proposta com o objetivo de investigar os primeiros momentos de violência colonial e o ensino de língua portuguesa por meio das missões jesuíticas. Assumindo que a palavra delimita o que ainda não pode ser nomeado, então a língua constrói um mundo. Pensar como ressignificar essa língua e usá-la como estratégia de contra-colonização é o que leva a artista, por exemplo, a se chamar de travesti, palavra inventada aqui sob este sol. Nesse sentido, a ação constitui um convite da artista ao público -- e também a si mesma – à imersão em um exercício em três partes: palavra, oração e sujeito. Compartilhando experiências, propõe-se construir um pequeno dicionário efêmero, que dê conta desse mundo que formaremos juntes.
 
MESA 5

Local: Arena Valongo. Das 17h às 18h.
SOBRE FORMAS DISSIDENTES DE EXPRESSÃO, com Rebeca Carapiá (BA) e Malu Avelar (MG/SP). Mediação: Diane Lima
Como criar outros modos de falar da diferença sem explicá-la? E como descontruir as geografias condicionadas ao feminino? E se? Nessa mesa, as artistas convidadas do II Programa de Residência Artística do Valongo, Malu Avelar e Rebeca Carapiá, contam sobre a experiência que culminou nas obras SAUNA LÉSBICA e COMO COLOCAR AR NAS PALAVRAS, refletindo sobre como tencionar a criação de desvios na linguagem para encontrar formas dissidentes de expressão.
 
SERVIÇO
Evento: Valongo Festival Internacional da Imagem
Quando: 9 e 10 de novembro
Local: BAIRRO DO VALONGO – SANTOS SP
Endereços: 
Doca | Rua Tuiuti, 26
RDC | Rua do Comércio, 100
Museu Pelé | Largo Marquês de Monte Alegre, 1
Estacionamento dos Bondes | Rua São Bento, s/nº
Burako’s | Rua Marquês de Hervê, 11
Arena Valongo | Rua Marquês de Hervê, 33.
Cadeia Velha | Praça dos Andradas, s/nº 
Entrada gratuita

 

Foto Divulgação


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